sábado, 19 de novembro de 2011

O TEMPO DO ADVENTO


ALÉM DESTE TEXTO SOBRE O ADVENTO, LEIA 
TAMBÉM: O NOVO TESTAMENTO  /// ANO DA FÉ 2012/2013  //// O APOCALIPSE SEM SEGREDO (Este link leva você ao site Evangelho e Catequese. Para voltar para cá, clique na seta à esquerda do topo de sua tela). Toda a bíblia está neste link: A BÍBLIA TODA


E FAÇA TAMBÉM A NOVENA DE NATAL

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(comentário resumido do Missal Romano) 



       O TEMPO DO ADVENTO


Com o 34º domingo do Tempo Comum, em que celebramos a festa de Cristo Rei do Universo (neste ano dia 25/12), termina o Ano Litúrgico de 2012, ou seja, é o último domingo do ano (par) “B”. Com o primeiro domingo do Advento (neste ano dia 02/12), se inicia o ano litúrgico de 2013 (ímpar) “C”. Sobre as cores usadas nesse tempo, veja o nosso artigo “Liturgia”, deste blog (site).

O Advento celebra a vida de Jesus Cristo no tempo e na história da humanidade para trazer-nos a salvação. É o tempo da expectativa, e nós somos chamados a vivê-lo em plenitude, totalmente. Dessa forma estaremos recebendo dignamente o Senhor no momento em que ele vier.
Estas devem ser as atitudes interiores que nos preparam melhor para esta vinda:

1- Mantermo-nos vigilantes na fé, na oração.

2- Mantermo-nos numa abertura atenta e disponível para reconhecermos os “sinais” da vida do Senhor em todas as circunstâncias e momentos da vida e até o fim dos tempos.

3- Andarmos no caminho traçado por Deus, sem nos extraviarmos por caminhos tortuosos (cheios de “curvas” e “desvios”), ou seja, convertermo-nos para seguirmos a Jesus para o Reino do Pai.

4- Darmos testemunho da alegria que Jesus Salvador nos traz, com a caridade afável e paciente para com os outros, com a abertura para todas as iniciativas de bem, através das quais já se constrói o Reino futuro na alegria sem fim.

5-Mantermos um coração pobre e vazio de nós mesmos, imitando José, N. Senhora, João Batista, os outros “pobres” do evangelho que, precisamente por isso, souberam reconhecer em Jesus o Filho de Deus que veio salvar as pessoas.

6- Participarmos das celebrações eucarísticas deste Tempo de Advento acolhendo e reconhecendo o Senhor, que continuamente vem ficar no meio de nós, seguindo-o no caminho que leva ao Pai, a fim de que,com sua vinda gloriosa no fim dos tempos, ele nos introduza todos juntos no Reino, para fazer-nos “tomar parte na vida eterna” com os bem-aventurados e os santos do céu.

Aqui dou uma sugestão: Por que você não faz a nossa novena do Natal? Procure o link aqui ao lado do blog (site) e faça-a, mesmo que sozinho (a), se não der para você frequentar algum grupo na comunidade...


Papa João XXIII: OS 10 MANDAMENTOS DA SERENIDADE 


1. Só por hoje tratarei de viver exclusivamente este meu dia, sem querer resolver os problemas da minha vida todos de uma vez.

2. Só por hoje terei o máximo cuidado com o meu modo de tratar os outros:

-delicado nas minhas maneiras

-não criticar ninguém

-não pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém senão a mim.

3. Só por hoje me sentirei feliz com a certeza de ter sido criado para ser feliz não só no outro mundo, mas também neste.

4. Só por hoje me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem todas aos meus desejos.

5. Só por hoje dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando-me que assim como é preciso comer para sustentar meu corpo, assim também a leitura é necessária para alimentar a vida da minha alma.

6. Só por hoje praticarei uma boa ação sem contá-la a ninguém.

7. Só por hoje farei uma coisa de que não gosto e se for ofendido nos meus sentimentos procurarei que ninguém o saiba.

8. Só por hoje farei um programa bem completo do meu dia. Talvez não o execute perfeitamente, mas em todo o caso, vou fazê-lo. E me guardarei bem de duas calamidades: a pressa e a indecisão.

9. Só por hoje ficarei bem firme na fé de que a Divina Providência se ocupa de mim, mesmo se existisse só eu no mundo – ainda que as circunstâncias manifestem o contrário.

10. Só por hoje não terei medo de nada. Em particular, não terei medo de gozar do que é belo e não terei medo de crer na bondade.




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CURSO DE CRISMA- 1ª parte

                        
A primeira parte deste curso terá 5 lições.

     Tudo começou com a vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos e todos os que seguiam “O Caminho”, como era chamado o seguimento de Jesus. Nos Atos capítulo 2, vemos que o Espírito Santo desceu sobre os que estavam reunidos numa casa (os Apóstolos e algumas mulheres, com Maria e os parentes de Jesus, segundo Atos 1,13-14). Um vento impetuoso tomou conta do lugar. Esse “vento” é devido aos dois sentidos da palavra “Ruah”, em hebraico e “pneuma” em grego, que significam tanto sopro como espírito. De fato, a isso alude João 3,8:  

O vento sopra onde quer e ouves o seu ruido, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito”. Ao falar isso, João usou a mesma palavra quando disse “vento” e “espírito”.

     A consequência imediata da força do Espírito Santo descido sobre os Apóstolos foi a união das pessoas, todas de nacionalidades diferentes, que ouviam os Apóstolos falarem cada um em sua própria língua, como acontece hoje em dia na ONU e nas assembléias internacionais: o fulano fala em japonês, por exemplo, mas cada um ouve, pelo fone de ouvido, a tradução em sua própria língua. Isso é o contrário do que em Babel, em que ninguém entendia ninguém (Gn 11,1-9), mostrando que o Espírito Santo une o que a ambição, o orgulho e o pecado desuniram.

     Devemos perceber que o Espírito Santo, nesse trecho visto, não desceu em todos indiscriminadamente, mas só nos Apóstolos. Cada um teve primeiro que aderir a Cristo pelo Batismo, para só então receber o Espírito Santo. Veja Atos 2,37b-38:

Irmãos, o que devemos fazer?” - Respondeu-lhes Pedro:””Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados. Então recebereis os dons do Espírito Santo”.

     Esse trecho faz parte de um dos discursos de Pedro chamados de Querigma, ou seja, o “conteúdo da pregação apostólica primitiva, cuja mensagem principal era a morte e a ressurreição de Jesus Cristo (Atos 2,24) e sua exaltação (Atos 2,33.36), seguida de pormenores sobre sua missão, anunciada por São João Batista (Atos 10, 37; Atos 13,24), preparada por seu ensinamento e seus milagres (Atos 2,22;Atos 10,38), concluída pelas aparições do Ressuscitado (Atos 10,40.41;atos 13,31), e pela efusão do Espírito” (Atos 2,33; Atos 5,32).

Os discursos de Pedro como querigma são cinco: Atos 2,14-39; - Atos 3,12-26; - Atos 4,9-12 - Atos 5,29-32 - Atos 10,34-43.

    A partir da vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos, o anúncio da Salvação trazida por Jesus Cristo é efetuada. Os Apóstolos se fortaleceram e se encheram de coragem. Com exceção de São João, todos foram martirizados. De simples pescadores, se transformaram em santos mártires pelo amor a esse Jesus que seguiram desde os três anos de vida pública, até o dia em que foram martirizados.

    Como vimos acima, para receber o Espírito Santo é preciso arrepender-se dos pecados e ser batizado. Diz o catecismo católico no nº 1287:

   “Os que então creram na pregação apostólica e que ser fizeram batizar, também receberam o dom do Espírito Santo”

    Para confirmar isto, lemos em Atos 8,16-17:

“Pois não tinha descido ainda sobre nenhum deles (o Espírito Santo), mas somente haviam sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então começaram a impor-lhes as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo. “

      Vejam que nesse mesmo trecho conta-se a história de um tal Simão que ofereceu dinheiro aos Apóstolos:

Dai também a mim este poder, para que receba o Espírito Santo todo aquele a quem eu impuser as mãos.”.
S. Pedro o repreendeu e ele se arrependeu, pedindo perdão do que falara.

        Isso é importante para dar-nos essa segurança de que os ministros “oficiais”, digamos assim, do Sacramento do Crisma, que são os bispos e no impedimento destes, os padres, quando impõem as mãos pedindo o Espírito Santo àquela pessoa, fazem o mesmo que os Apóstolos faziam, e isso é como uma corrente que continua até hoje, a que chamamos “sucessão apostólica”. Não é qualquer pessoa que pode ministrar a Crisma, embora também seja certo de que o Espírito Santo é livre e pode vir a quem ele bem entender, com ou sem os bispos, ou mesmo sem ministro algum.
      
         Isto nos é revelado pelo próprio Jesus, quando falou em  Lucas 11,13: “Pois vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”

          Digamos que os não católicos podem, também receber o Espírito Santo, desde que o peçam. Todos recebemos essa Terceira Pessoa de Deus pelo Batismo.
PERGUNTAS PARA A REUNIÃO EM GRUPOS:

1 – Por que é preciso o arrependimento dos pecados para receber o Espírito Santo? (Dicas para a resposta: Apocalipse 21.27; Gálatas 5,21; Romanos 8,5-9).
2 – Você já sentiu a força da oração mudar alguma coisa em sua vida, pelo menos naqueles momentos? Conte!
3 – O que você espera do sacramento da Crisma?

CURSO DE CRISMA- 2ª parte

             

     O sacramento da Crisma, ou Confirmação é, de certo modo, um complemento indispensável do sacramento do Batismo, mas não é um sacramento estritamente necessário para a salvação, haja vista que pelo Batismo todos nós nos tornamos TEMPLOS DO ESPÍRITO SANTO.

     Vejam bem: como dissemos no texto anterior, só o bispo ou, na falta dele, o padre podem ministrar o sacramento da Crisma, mas isso não quer dizer que a pessoa não receba o Espírito Santo sem o ministro ordenado. O Espírito Santo pode ser recebido por qualquer pessoa em qualquer situação, mas se quiser recebê-lo como sacramento, deve recorrer à Igreja.

        Nunca é demais repetir  Lucas 11,13: “Pois vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” Para receber o Espírito Santo, é preciso querer, é preciso pedi-lo.

Diz o Catecismo Católico(nº 1285):

Juntamente com o Batismo e a Eucaristia, o sacramento da Confirmação ou crisma constitui o conjunto dos “sacramentos da iniciação cristã”, cuja unidade deve ser salvaguardada. Por isso, é preciso explicar aos fiéis que a recepção deste sacramento é necessária à consumação da graça batismal.” Diz que a crisma, pela imposição das mãos do bispo, perpetua, de certo modo, na Igreja, a graça de Pentecostes. Sem o Espírito Santo, dado em plenitude no sacramento da crisma, o batismo fica incompleto.

       Para nós, que temos a tradição de batizar as pessoas ainda crianças, o sacramento da crisma se torna imprescindível (=não pode ser deixado de lado) para confirmar (como o nome já explica) a graça do batismo, recebido quando criança.

      No Judaísmo também era assim! O fulaninho era circuncidado no oitavo dia do nascimento e se tornava, desse modo, membro do povo judeu e, ao mesmo tempo, do povo de Deus. Ninguém perguntava a ele se queria ou não ser do povo de Deus! É como no nosso batismo, que ninguém pode perguntar à criança se ela quer ou não ser católica

     Aos 12 ou 13 anos, ele tinha que confirmar essa sua pertença ao povo de Deus, com a cerimônia chamada até hoje de “BAR-MITZVÁ” , “Filho do preceito”. Jesus participou desses dois atos: da circuncisão ao oitavo dia (Lucas 2,21) e o “Bar-mitzvá” (Lucas 2,41-50).

      Nessa cerimônia o rapaz era considerado responsável pelos seus atos e podia ser recebido como membro ativo da comunidade. Era também admitido para conversar com as autoridades do templo, coisa proibida aos que ainda não haviam feito essa cerimônia. É por isso que Jesus ficou três dias conversando com eles, quando se “perdeu” no templo: essa era a primeira vez que ele podia fazer isso. Até então era considerado criança, sem responsabilidade, e não era ouvido.

      São Paulo alude ao batismo como uma substituição da circuncisão, como já Jeremias via a necessidade de um empenho maior do fiel para continuar a ser do povo de Deus, não bastando ter simplesmente sido circundado (ver Romanos 2,25-29; Colossenses 2,11-12; A circuncisão do coração: Jeremias 4,4).

     Diz em Jeremias 4,4: “Circuncidai, tirai o prepúcio de vossos corações” . Circuncidar é como uma operação de fimose. Jeremias disse isso para lhes dizer que eles deveriam tirar a maldade de suas vidas.

      Dessa forma, a pessoa entra no povo de Deus pelo batismo, e já recebe o Espírito Santo como vida. Aos 13 ou 14 anos, já consciente, confirma o batismo e recebe o Espírito Santo plenamente, também como Força, e se torna um apóstolo na palavra de Deus, um cristão engajado e autêntico, pronto para lutar contra o mal, o maligno e o pecado, e construir uma vida agradável a Deus.

      Quem não recebe o Sacramento do Crisma pode salvar-se normalmente, mas não recebe muitos dos dons que o Espírito Santo nos dá quando crismados. É como a diferença de uma televisão moderna, de plasma, com uma daquelas antigas. Ambas sintonizam o canal, mas a moderna tem mais cor, mais vida, mais facilidade de sintonia. Ou ainda maior: é como a diferença entre uma carroça e um automóvel moderno! O Sacramento do Crisma nos fortalece e nos dá esses dons tão necessários para a luta diária. Sem eles, teremos que lutar mais e com mais esforço para obtermos o mesmo resultado.

        É como diz o salmo 126(127): "Se o Senhor não construir a casa, em vão trabalham os seus construtores"


        PERGUNTAS PARA REUNIÃO DE GRUPOS

1 – O que você entende por “Circuncisão do coração”? (Dicas para a resposta: Ezequiel 11,19; Romanos 2,25-29; Jeremias 4,4; Provérbios 23,26).

2 – Por que a crisma é o complemento do batismo?

3 – Na minha vida atual, eu estou vivendo o meu batismo? Tenho me afastado do que não agrada a Deus?

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

CURSO DE CRISMA - 3ª parte




Na crisma ou confirmação, recebemos a plenitude da terceira pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo. Não podemos entender esse nome com as duas palavras, espírito – santo – separadas, mas juntas. Por exemplo, o doce “pé-de-moleque” não tem sentido se o entendermos como o pé de um moleque, mas sim o nome todo, que é um doce. Assim o Espírito Santo não é um “espírito” que é “santo”, mas a terceira pessoa de Deus, tão Deus como o Pai e o Filho.

Dá-me arrepios ao pensar na Santidade de Deus. Vejo a pessoa, diante de Deus, rodeada por um silêncio envolvente, que penetra a alma e a deixa transparente, pondo à mostra todos os pecados. Ela se vê, naquele instante, como realmente é, pois “somos o que somos diante de Deus, e nada mais!” .

O Espírito Santo é chamado também de “Paráclito”, ou “advogado”, o “que é chamado para perto de” (João 14,16.26; João 15,26; João 16,7). É traduzido como “Consolador”. João o chama de Advogado em 1ª João 2,1). É chamado por Jesus de “Espírito de Verdade”, em João 16,13).

Já São Paulo o chama de:

Espírito da promessa (Gálatas 3,14; Efésios 1,13)
Espírito de adoção (Romanos 8,15; Gálatas 4,26)
Espírito de Cristo (Romanos 8,11)
Espírito do Senhor (2Cor 3,17)
Espírito de Deus (Romanos 8,9.14; Rom 15,19; 1 Cor 6,11; 7, 40)

São Pedro o chama de Espírito de Glória (1 Pedro 4,14).

Há vários símbolos do Espírito Santo na Bíblia, mas os cristãos insistem e gostam de representá-lo como uma pomba. Eis os outros símbolos:

ÁGUA (Jo19,34, 1ªJoão 5,8 etc) -

UNÇÃO – 1ª JOÃO 2,20 e outras.

FOGO : 1ªReis 18,38-39; Eclesiástico 48,1; Lucas 3,16; Lucas 12,49 e Línguas de fogo: Atos 2,3-4 e 1 Tessalonicenses 5,19. -

NUVEM E LUZ – Com Moisés (Ex 24,15-18), Salomão (1 Reis 8,10-12. Na Transfiguração, na Ascensão, na Concepção de Jesus Lc 1,35. -

SELO – João 6, 27; 2Cor 1,22; Efésios 1,13; Efésios 4,30. -

MÃO : (Em Jesus, que cura os doentes e abençoa as crianças. Em nome dele, os Apóstolos farão o mesmo); habacuc 6,2 -

DEDO – Lucas 11,20; Êxodo 31,18; 2Cor 3,3.

O Espírito Santo é o dom de Deus, pois “Deus o derramou nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado”(Rom 5,5). O primeiro dom do Amor é a remissão dos nossos pecados, a comunhão do Espírito Santo (2Cor 13,13), “Que, na Igreja, restitui aos batizados a semelhança divina perdida pelo pecado”.

O Espírito Santo é a Unção de Cristo, que O difunde no restante do seu corpo, que é a Igreja, já que Ele (Jesus) é a cabeça do corpo.

Quanto às pessoas não católicas, o Espírito Santo pode normalmente vir a elas, pois não podemos negar o que Jesus disse em Lucas 11,13: “Pois vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”


PERGUNTAS PARA O GRUPO

1 – Comente os símbolos do Espírito Santo (pomba, água, unção, fogo, nuvem, luz, selo, mão, dedo).

2 – Comente o fato do Espírito Santo ser o nosso “advogado” (Dicas: João 2,1; João 14,15.26; João 16,7-11).

3 – Comente: “O primeiro dom do Amor é a remissão dos nossos pecados” (Dica: 1 Cor 13)

CURSO DE CRISMA- 4ª parte

 
      

Diz Gálatas 5,22-23: “O fruto do Espírito Santo é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio”.

A confirmação ou crisma produz o crescimento e o aprofundamento da graça batismal:
  • Fortalece nossa filiação divina: “Abba – Pai”– Rom 8,15
  • Une-nos de modo mais sólido a Cristo
  • Aumenta em nós os dons do Espírito Santo: SABEDORIA, INTELIGÊNCIA, CONSELHO, FORTALEZA, CIÊNCIA, PIEDADE E TEMOR DE DEUS
  • Torna mais perfeita a nossa vinculação com a Igreja.
  • Dá-nos uma força especial do Espírito Santo para difundir e defender a fé pela palavra e pela ação, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar com valentia o nome de Cristo e para nunca sentir vergonha em relação à cruz.
    Os Doze frutos do Espírito são:
  • CARIDADE, ALEGRIA, PAZ, PACIÊNCIA, LONGANIMIDADE (saber perdoar), BONDADE, BENIGNIDADE, MANSIDÃO, FIDELIDADE, MODÉSTIA, CONTINÊNCIA E CASTIDADE” (Gálatas 5,22-23)
Quem é batizado e crismado não se pertence mais, mas pertence a Cristo, que nos libertou do maligno com sua morte e ressurreição. Sozinhos nada podemos fazer, como diz o salmo 126(127): “ Se o Senhor não construir a casa, em vão trabalharão os seus construtores”.

Peçamos, pois a força e a sabedoria do Espírito Santo para podermos saber o que e como fazer para sermos cristãos autênticos! Ele nos fortalece, mas para agirmos precisamos nos conscientizar das coisas erradas que fazemos, ou das coisas boas que não fazemos e deveríamos fazer.

Ademais, se não aceitarmos ou não quisermos ser dirigidos pelo Espírito Santo, ou seja, se não quisermos seus dons, não somos obrigados a aceitá-los. Dessa forma, ele nos deixará agir segundo nossas próprias forças, mas nunca nos abandona, embora esteja, por nós mesmos, impedido de agir. Fica esperando, vamos assim dizer, que nós voltemos a pedir que ele nos oriente e aja a nosso favor e em nossa vida.

Quando isso não ocorre e permanecemos no pecado ou numa vida que não corresponde à qual Deus nos chamou, se nós até então tivermos tido, apesar de tudo, boas intenções, um desejo sincero de mudança de vida, Deus, por meio de sua pessoa divina do Espírito Santo, pode nos iluminar e começamos a ver uma saída “no fim do túnel”.

Quando nem isso dá certo, precisamos estar preparados, porque pode nos acontecer algo mais drástico, como uma doença, um contratempo desastroso, uma prisão, uma falência, qualquer coisa que nos leve a uma atitude.

É claro que nem mesmo assim há pessoas que não mudam de vida! Mas o Espírito Santo é um fogo interno que nos impulsiona. É o profeta Jeremias quem nos fala desse “fogo” em Jeremias 20,9: “Quando eu pensava: 'Não me lembrarei deles, já não falarei em seu Nome' (ou seja, vou abandonar a luta pelo bem), então isto era em meu coração como fogo devorador, encerrado em meus ossos”.

Quanto aos dons do Espírito Santo:

SABEDORIA: - é sábio quem escolhe servir a Deus em tudo.

INTELIGÊNCIA:- para entender o plano de Deus na história.

CONSELHO:- para saber orientar os outros e saber ser orientado por outros no caminho do amor.

FORTALEZA :- para evitar vencer as tentações, vigiar sempre para não pecar.

CIÊNCIA :- o conhecimento da obra de Deus

PIEDADE ­ a predisposição para a oração , a contemplação e a misericórdia

TEMOR DE DEUS :- respeitar a Deus como ser Supremo, nosso Criador, Redentor e Santificador.

Quanto aos frutos do Espírito Santo:

CARIDADE – ter misericórdia dos outros

ALEGRIA – quem crê e confia em Deus é sempre alegre

PAZ – vive em paz quem não peca e é cristão atuante

PACIÊNCIA – tudo se arranja se confiarmos em Deus.

LONGANIMIDADE – saber perdoar sempre

BONDADE – se Deus é bondoso, eu também devo ser!

BENIGNIDADE – nunca ser negativista, sempre otimista, não julgar a ninguém.

MANSIDÃO -Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração (Mt 11,29) é saber resolver as coisas “numa boa”.

FIDELIDADE – ser fiel a Deus e a seu plano de amor.

MODÉSTIA – é o avesso da vaidade, do orgulho e da prepotência

CONTINÊNCIA- quem não é casado, deve ser 100% casto.

CASTIDADE – todos devem ser castos, mesmo de certo modo os casados.

PARA A REUNIÃO DE GRUPOS

1 – Já houve algum acontecimento não muito bom em sua vida que o (a) levou a mudar algum hábito? Pode contar?

2- Dos doze frutos do Espírito Santo, quais você acha mais difíceis de serem praticados pelas pessoas? Por que?

3 – Você já sentiu algum apelo de Deus em sua vida, em alguma ocasião? Você obedeceu?

CURSO DE CRISMA- 5ª parte


 
  
O adulto que é batizado recebe a confirmação logo em seguida, e também faz a primeira comunhão. Quanto aos que foram batizados quando crianças, a crisma é feita depois dos doze anos. Uma idade boa é a de catorze anos. É um “Sacramento da maturidade cristã”, mas, como adverte o Catecismo, não se deve confundir a idade adula da fé com a idade adulta do crescimento natural. Santo Tomás de Aquino explica isso:

A idade do corpo não constitui um prejuizo para a alma. Assim, mesmo na infância uma pessoa pode receber a perfeição da idade espiritual da qual fala o livro da Sabedoria, capítulo 4, versículo 8: 'Velhice venerável não é longevidade, nem é medida pelo número de anos'. Assim é que muitas crianças, graças à força do Espírito Santo que haviam recebido, lutaram corajosamente e até ao sangue por Cristo”. (da Suma Teológica III, 72, 8, ad 2).

A UNÇÃO = SELO ESPIRITUAL (Citação do Catecismo Católico, nº 1293 e ss, mesmo alguns trechos que estão sem aspas)

Simbolismo bíblico e antigo do óleo, com o qual o crismando é ungido pelo bispo, tendo já sido ungido no batismo:

ABUNDÂNCIA:- Dt 11,14

ALEGRIA: - Salmo 23,5; Salmo 104,15

PURIFICA :- (Unção antes e depois do banho)

AMACIA (Unção dos atletas e lutadores)

SINAL DE CURA – Ameniza as contusões e as feridas. Ver Lucas 10,34; Isaías 1,6

FAZ IRRADIAR BELEZA, SAÚDE E FORÇA

NO BATISMO

“A unção antes do batizado com o óleo dos catecúmenos simboliza a purificação e o fortalecimento. Depois do Batismo, o santo Crisma é um sinal de consagração, assim como na confirmação e na ordenação” (diácono, padre e bispo)

“Pela confirmação, os cristãos, ou seja, os que são ungidos, participam mais intensamente da missão de Jesus e da plenitude do Espírito Santo, de que Jesus é cumulado,a fim de que toda a vida deles exale o “perfume de Cristo” (2 Cor 2,15)”.

“Por esta Unção, o confirmando recebe a “marca”, o selo do Espírito Santo. O selo é o símbolo da pessoa, sinal da sua autoridade, da sua propriedade sobre um objeto. O selo autentica um ato jurídico ou um documento. Cristo mesmo se declara marcado com o selo de seu Pai” (Jo 6,27)

Veja 2 Cor 1,21-22: “Deus nos marcou com um selo e colocou em nossos corações o penhor do Espírito”.

“Esse selo do Espírito Santo marca a pertença total a Cristo, a mobilização para o seu serviço, para sempre, mas também a promessa da proteção divina na grande provação escatológica” (Veja Apocalipse 7,2-3; 9,4; Ezequiel 9,4-6)


A CELEBRAÇÃO DA CONFIRMAÇÃO

O bispo consagra o óleo chamado Santo Crisma na Quinta-feira Santa, na missa do Santo Crisma, que é celebrada de manhã, na catedral, ou na Quarta-feira Santa à noite.

Quando a pessoa já é batizada, antes da Crisma ela renova as promessas do Batismo e faz a profissão de f[é. Deve ter, também, se confessado no dia anterior ou mesmo naquele dia, para estar purificada.

O bispo estende as mãos sobe os crismandos e invoca a efusão do Espírito Santo:

Deus todo poderoso, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que pela água e pelo Espírito Santo fizestes renascer estes vossos servos libertando-os do pecado, enviai-lhes o Espírito Santo Paráclito; dai-lhes, Senhor, o espírito de sabedoria e inteligência, o espírito de conselho e fortaleza, o espírito da ciência e piedade, e enchei-os do espírito de vosso temor”.

O bispo unge, então, o(a) confirmando(a) ou crismando(a), impondo a mão, dizendo: “Recebe, por este sinal, o dom do Espírito Santo”.

O sacramento do Batismo foi separado do da Crisma justamente para que o bispo, e não o padre, ministrasse a crisma. O motivo é este:

“A administração deste sacramento pelos bispos marca bem que ele tem como efeito unir aqueles que o receberam mais intimamente à Igreja, às suas origens apostólicas e à sua missão de dar testemunho de Cristo,” porque “Os bispos são sucessores dos Apóstolos, receberam a plenitude do sacramento da ordem”.

Apesar disso, em caso de necessidade o padre pode ministrar a crisma, mas em última necessidade.

Tudo isso que falamos é muito bonito, muito santo, mas não é mágico nem automático! Se o crismando não se empenhar, não vigiar e orar, de nada vai lhe valer essa força toda, essa Unção toda recebida no Crisma. É preciso sermos sempre dóceis à Palavra de Deus, sempre prontos para a oração e a meditação, sempre resolvidos a mudar de vida e de rumo quando vemos que erramos o caminho.

Como diz Santo Tomás de Aquino, “É melhor andar mancando no caminho certo do que correr no caminho errado. Se estivermos no caminho certo, mesmo andando devagar, um dia chegaremos ao objetivo”.


PERGUNTAS PARA OS GRUPOS:

1 – Como você está se preparando para o seu crisma?

2- Na sua opinião, por que muitos crismados abandonam a religião católica, ou mesmo deixam de praticar a fé?

3 – O que você pretende fazer para não abandonar a Igreja?


AOS QUE SEGUEM ESTE CURSO:
A SEGUNDA PARTE SERÁ FEITA A PARTIR DOS ASSUNTOS DA “DOUTRINA CATÓLICA”. Colocarei logo logo um roteiro para vocês seguirem mais facilmente. Qualquer sugestão, ou crítica, não se acanhem! Escrevam-me, sugiram, participem!

CURSO DE CRISMA 6ª parte




12 de janeiro de 2012

(do Pe. Fernando Cardoso)


O texto do Livro primeiro de Samuel (1ª SAMUEL 4,1-11)hoje nos coloca diante de um campo de batalha: de um lado Israel, e de outro lado, os Filisteus, seus arquiinimigos na Palestina. Israel estava inteiramente confiante em seu Deus e, quando se viram em apuros, não tiveram dúvidas; foram buscar a arca da aliança, símbolo visível da presença de Deus no meio de seu povo, e a trouxeram para o campo de batalha.
A conseqüência foi a mais trágica que podemos imaginar: os Israelitas perderam a batalha, os Filisteus levaram a melhor e, para encerrar a tragédia, a arca da aliança foi roubada, e passou para o lado do inimigo. E aqui nós podemos nos deter, para nossa reflexão à partir do texto da Palavra de Deus. Que fizeram aqueles Israelitas?

Fizeram o que muitos de nós continuamos a fazer: buscar Deus ou buscar objetos sagrados, pensando que a simples presença de objetos sagrados, é capaz de eliminar os perigos que nos assolam. Nunca aconteceu conosco buscar um amuleto? E se não buscamos um amuleto, não buscamos desesperadamente, para fins ambíguos, objetos sagrados como um crucifixo, como água benta, como um ramo bento e outras coisas mais? E imaginamos que com água benta, com ramo bento, com cinza benta, com água do rio Jordão, com terra da Palestina, resolveremos todo o nosso conjunto de problemas existenciais? Fazer isto é viver uma religiosidade mágica.

O texto é muito claro, e quer nos ensinar que Deus não Se deixa enroscar por essas sutilezas de nossa parte. Não são objetos sagrados, não são águas bentas ou sagradas, não são terras consagradas que nos libertarão, mágica ou mecanicamente, de nossos males. E, de resto, Deus não prometeu a ninguém que nada de ruim ou indesejável lhe acontecerá durante esta vida.

Durante esta vida, nós temos que levar em conta sim os perigos, temos que levar em conta os contratempos, temos que levar em conta as dificuldades e os sofrimentos de toda espécie. Deus não promete, nem a custa de água benta, nem a custa de água do rio Jordão, eliminar os nossos sofrimentos. Deus promete, e isto é muito mais importante e consolador para nós, entrar conosco na atribulação, entrar conosco na provação para sairmos, do lado de lá, juntamente com Ele, fortes e mais consolidados na fé. E isto porque, quem nunca foi provado, quem nunca sofreu um contratempo, quem nunca sofreu uma tentação, quem nunca foi vítima de uma tribulação, não tem fé comprovada.

Deixemos de lados estas coisas, deixemos de lado amuletos religiosos e confiemos, cegamente, na providência de Deus, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CONHEÇA UM POUCO DA BÍBLIA

1 - Quem escreveu a Bíblia
2 - A bíblia não mentiu!
3 – Pequeno resumo da história da Salvação 
4 – A diferença entre as bíblias
Como ler as citações biblicas

Como ler as citações bíblicas deste livrinho:
Lc 18,1-8: Evangelho de S. Lucas, capítulo 18, versículos 1 a 8.
Lc 18,1.8;19,1: Ev. de S. Lucas, capítulo 18, versículos 1 e 8 e capítulo 19,versículo 1.
Lc 18,1.3-8: Ev. De S. Lucas, capítulo 18, versículo1 e versículos 3 a 8.

Os evangélicos fazem diferente, comoeste exemplo: Lc18:1,3-8.

1 - Quem escreveu a Bíblia



     A Bíblia foi escrita durante séculos por muitas pessoas inspiradas por Deus. Essa escrituração teve início no tempo do rei Salomão, pelos escribas da corte, e terminou no primeiro século de nossa era, com a morte do último apóstolo, São João.

     A inspiração dada por Deus supõe a inteligência e o conhecimento próprios de quem escreve, ou seja, Deus não ditou a bíblia, mas a inspirou a tantas e tantas pessoas que escreveram, do modo que entenderam, com todos os limites de seus conhecimentos, o que Deus lhes inspirava.

     Antes que a bíblia fosse escrita, havia a tradição oral, ou seja, os fatos e ensinamentos eram decorados e passados de pai para filho, de vizinho para vizinho, de povo para povo.    

     A bíblia nada mais é do que uma pequena parte disso tudo que foi dito e ensinado. É por isso que a Igreja Católica segue não só a bíblia, mas também a tradição oral.

     O próprio S. João diz, no capítulo 21, versículo 25, que se fossem escritas todas as coisas que Jesus fez, o mundo todo não poderia conter os livros que seriam escritos. Só podemos ter, portanto,os ensinamentos completos, se olharmos ambas, tanto a bíblia como a tradição oral, conservadas pela Igreja. Se só seguirmos a bíblia, nosso seguimento vai ser incompleto, pois o mundo mudou muito e é preciso ouvirmos a interpretação que a Igreja dá para os atuais acontecimentos.

     Um exemplo de ensinamentos que tiramos não só da bíblia, mas também da tradição oral, é o que a Igreja ensina sobre Nossa Senhora. Quase tudo o que sabemos dela nos vem da tradição oral e não da bíblia. Lembremo-nos que a bíblia é uma pequena parte da tradição oral que foi escrita.



     Muitos ficam tão aborrecidos com essas diferenças entre o que a bíblia e a ciência dizem, que acabam não acreditando em mais nada, e até abandonam a religião. Não é bem assim. A bíblia não mentiu, não mente. Só que, como disse no primeiro capítulo, Deus inspirou a bíblia a pessoas limitadas no tempo e no espaço, que só tinham capacidade de expressar suas idéias através daquilo que sabiam, da geografia e da limitadíssima ciência do tempo.

     Além disso, o povo judeu não tinha pensamento filosófico como o povo grego. Seus pensadores, ao contrário dos gregos, não formulavam princípios filosóficos e conceitos, mas contavam histórias sobre o que queriam ensinar. Veja que o próprio Jesus seguiu esse tendência, ao ensinar mais por meio das parábolas, do que por frases feitas.

     A bíblia foi escrita como uma costureira que faz uma colcha de retalhos. Os escritores iram colocando os fatos como eram conhecidos oralmente. Alguns eram conhecidos de duas ou três formas diferentes, e aí esses escribas colocavam todas as versões do fato.

     Comparo, por exemplo, como seria um acidente automobilístico visto por um médico, um mecânico e um funileiro. Em casa, cada um contaria o tal acidente de forma diferente. Para termos uma ideia mais aproximada do que realmente teria ocorrido, precisaríamos ouvir a versão dos três! O médico saberia falar mais sobre o estado de saúde dos acidentados; o mecânico, sobre o motor e a parte mecênica do carro; o funileiro, sobre a lataria dele.

     Assim aconteceu com a bíblia. Havia dois relatos principais do início do mundo: um do século 11 antes de Cristo, e outro do século 7. O relato do século 11 corresponde aos capítulos 2, desde o versículo 4-b, até o final do capítulo 4. O relato do século 7 corresponde ao capítulo 1, até o versículo 4/a do capítulo 2, e depois pula para o capítulo 5.

     Alguns elementos da tradição do século 11 a.C. (cap. 2,4/b ao final do cap.4): O homem é criado fora do paraíso e depois colocado dentro por Deus, a mulher é criada de sua costela, ele é criado antes de todas as outras coisas, fizeram o pecado original, os primeiros filhos deles são Caim e Abel.

     Na tradição do século 7, o homem e a mulher são criados juntos, de uma vez só, já dentro do paraíso, por último. Tudo o mais foi criado antes deles. Não há menção do pecado original. Na continuação da história, que pula do capítulo 2 versículo 4-a ao capítulo 5, vemos que o primeiro filho de Adão e Eva foi SET, (Gênesis 5,3) cidades e outras pessoas. Só assim se explica o que ali diz, ou seja, que Caim foi para outra cidade e conheceu sua esposa...(Cap 4, 16-17). Segundo essa tradição, não houve o fruto proibido, e o homem e a mulher podiam desde que foram criados escolher entre o bem e o mal.

     Querem outro exemplo preocupante? Pois bem! Nos capítulos 5, 6 e 7 de Mateus, o sermão que Jesus diz é feio na montanha; Em Lucas 6,17-49 o mesmo sermão é feito na planície. Qual dos dois tem razão? Mais: a primeira bem-aventurança de Mateus é: “Felizes os pobres em espírito...”     

     A de Lucas é “Felizes os pobres...” (Mateus 5,3 e Lucas 6, 20). Afinal, Jesus falou “pobres em espírito” ou falou “pobres” apenas? Há muita diferença entre esses dois conceitos!

    Um outro exemplo ainda: na cruz, São Lucas diz que o ladrão da direita louvava Jesus pela sua inocência, e pediu a ele que o levasse para o seu reino. Em São Mateus, vemos que ambos os ladrões esbravejavam contra Jesus (confira em Lucas cap. 23, vers. 39 a 43 e Mateus 27,39 a 44). Qual dos dois está certo, Lucas ou Mateus?

     Nunca saberemos, mas a tradição ficou com o exemplo de Lucas, e até sabe o nome do bom ladrão, São Dimas. A tradição, aqui, superou a bíblia. Quanto à questão do sermão da montanha de Mateus ou da planície de Lucas, podemos entender das duas formas: Jesus é Deus (falou estando na montanha, como Deus falara a Moisés), mas também é homem (falou no mesmo nível que nós, estando na planície).

São felizes os pobres, desde que sejam também pobres em espírito e não só materialmente, e os que, podendo ser ricos, renunciam a essa possibilidade para doar-se aos demais, para partilhar com os outros sua riqueza, e aí se tornam pobres em espírito. Um rico que continue rico com tantas pessoas morrendo de fome, não é pobre em espírito, “nem aqui, nem na China”.

     Quanto ao problema comentado acima de Adão e Eva, só temos hipóteses. Ninguém sabe realmente o que ocorreu, e no que consistiu verdadeiramente o pecado original. Os fatos: Tudo o que existe foi criado por Deus, e o homem foi criado por Deus por intervenção direta, seja por meio da criação como consta na bíblia, seja por meio da evolução, adaptando-se, assim a teoria de Darwin.



     Temos vários relatos resumidos da história do povo de Deus no Novo Testamento. Um deles é o trecho dos Atos dos Apóstolos, capítulo 7, versículo 2 até o versículo 47. Outro trecho, um pouco maior, você encontra no livro da Eclesiástico, do capítulo 44 até o 50. Ali são comentados todos os fatos bíblicos, erros e acertos.

     Em rápidas pinceladas, podemos dizer que o povo de Deus teve início com Abraão, que foi o primeiro a acreditar no Deus único e invisível, ainda quando estava em UR, na caldéia. Os demais vizinhos dele acreditavam em deuses falsos, feitos por mãos humanas, representados em diversos tipos de estatuetas. Isso foi mais ou menos no ano1850 antes de Cristo (AC). Deus fez com ele uma aliança, cujo sinal era a circuncisão, que marcava quem era do povo de Deus. Jesus a substituiu pelo Batismo, como você pode ler em Romanos cap. 2 vers. 29 e Colossenses, cap. 2, vers.11-12.

     Com José (1650 AC), filho de Jacó, bisneto de Abraão, também chamado de Israel,o povo de Deus foi para o Egito, onde cresceu. Os 12 filhos de Israel (ou de Jacó) deram origem às 12 tribos de Israel. Na verdade, o filho dele chamado Levi não deu origem a nenhuma tribo, pois ficou encarregado do culto, do serviço no templo, como uma família sacerdotal, e o seu direito passou ao segundo filho de José. Por isso, os dois filhos de José deram origem a duas das doze tribos.

     Depois de José, o povo de Deus, já numeroso, foi escravizado pelo faraó, que não conhecera José (Êxodo 1,8). Lá pelo ano de 1250 AC surgiu um líder hebreu, Moisés, criado pela filha do faraó, por uma providência divina, que libertou o povo hebreu do Egito, rumo à Terra Prometida, Canaã. Foi muito difícil essa libertação. Moisés precisou aplicar 10 pragas, sendo a última a pior delas: a morte de todos os primeiros filhos (primogênitos) dos egípcios.

     Na caminhada para a terra prometida, que conhecemos como Palestina, o povo pecou várias vezes contra Deus, adorando o bezerro de ouro e se queixando das agruras do deserto. Por isso, uma caminhada que demora cerca de onze dias, demorou quarenta anos! Talvez possamos aprender, com isso, que tudo fica mais fácil quando obedecemos a Deus. Se pecarmos e o desprezarmos, nossa luta sempre será solitária, baseada nas próprias forças. Com a presença de Deus, tudo se realiza a seu tempo. A história de Moisés e a libertação do povo do Egito podem ser vistos no livro do Êxodo.

     Durante a caminhada Deus deu a Moisés as tábuas com os dez mandamentos, que deveriam ser observados pelo povo, um guia seguro de sua nova vida. Essa história toda está contada no livro do Êxodo, no Deuteronômio, Jesus transformou esses dez mandamentos em três: 1º – Amar a Deus sobre todas as coisas; 2º – amar ao próximo; 3º – como amamos a nós mesmos.

     Já na Palestina, para mostrar ao povo o verdadeiro caminho, Deus lhe enviou os juízes, dos quais o mais conhecido é Sansão. Os reis substituíram os juízes. Nesse meio tempo, surgiram os profetas. O último juiz e primeiro profeta mais conhecido foi Samuel, que ungiu o rei Saul e depois David. Apesar desses orientadores todos, o povo vivia desobedecendo a Deus e praticando a idolatria.

     Na única época em que o mundo conheceu a paz por 14 anos, sem guerra alguma, nasceu Jesus, da descendência do rei David. Nasceu de uma virgem, Maria. Ele convocou os 12 apóstolos, de certo modo para substituírem as doze tribos de Israel, e deu origem ao novo povo de Deus, a Igreja cristã. Para entrar no judaísmo era necessário a circuncisão. Para entrar no novo povo de Deus, é necessário o Batismo, que substituiu a circuncisão. O cristianismo separou-se, então, do judaísmo e acolheu os pagãos, coisa que os judeus não faziam.

     Depois que Jesus Cristo morreu os Apóstolos e os discípulos receberam o Espírito Santo e, corajosamente, foram pregar o evangelho a todos. Muitos morreram mártires porque insistiram em proclamar a Palavra de Deus em lugares onde o politeísmo era a religião oficial do governo.

      O último apóstolo que morreu foi São João, velhinho, com cerca de 100 anos de idade. Com a morte dele, encerra-se o período da revelação. Nada do que foi revelado após a morte dele pode ser contrário à verdade da fé contida na bíblia e na tradição consagrada, mesmo as mensagens de N. Senhora. A divisão da bíblia e os nomes dos livros, e a explicação de todos eles, você encontra em qualquer bíblia católica. Acostume-se a ler essas explicações.

    Entre as católicas e a tradução do João Ferreira de Almeida, a diferença é apenas a falta de sete livros nessa última; 1º E 2º Macabeus, Eclesiástico (não confunda com o Eclesiastes), Sabedoria, Baruc, Tobias, Judite e os complementos gregos de Ester e Daniel. Ou seja: a bíblia católica tem 73 livros e a protestante, 66. Esses livros, na verdade, foram tirados da bíblia no ano 100 de nossa era, por alguns judeus reunidos para esse motivo. O critério usado por eles foi tirar do cânon da bíblia todos os livros escritos em grego e depois do ano 400 antes de Cristo, depois de Esdras. Essa tradução pode ser lida sem medo algum pelos católicos.

     Entre essas duas bíblias (as católicas e a tradução do João Ferreira de Almeida) e algumas outras traduções, como a usada pelos Testemunhas de Jeová, há muitas diferenças estruturais, muito graves, que devem ser consideradas se forem lidas. Por exemplo, esses trechos, modificados, dão a entender que Jesus Cristo não é Deus, o que muda completamente nossa fé na Santíssima Trindade.