quarta-feira, 19 de julho de 2017

MINHA FÉ 11-OS "IRMÃOS" DE JESUS

 Creio piamente que Maria não teve outros filhos, apenas Jesus. Não preciso de prova alguma para crer nisso, mas há muitas evidências na Bíblia.
A maior evidência está em João 19, 25, quando Jesus pede que Maria vá morar com João, e João a receba como se fosse sua mãe. Se Jesus tivesse outros irmãos, estes teriam a obrigação legal de cuidarem de Maria.
Outra evidência é que a Bíblia nunca menciona “filhos de José”, como era costume, mas “irmãos de Jesus”, ou seja primos, parentes. Alguns dos apóstolos eram mencionados como filhos deste ou daquele homem, nunca mencionam as mães. Tiago, que era mencionado como irmão de Jesus não é nenhum dos dois apóstolos “Tiago”. Um é filho de Zebedeu, outro é filho de Alfeu. Nunca se diz que Maria é mãe de qualquer outra pessoa a não ser de Jesus. Nenhum deles é mencionado como “filho de José”.
Na fuga para o Egito e na volta ou também na perda de Jesus no templo, aos 12 anos, não é mencionado nenhum outro filho do casal a não ser Jesus.
Há outros exemplos de como os primos e até sobrinhos eram chamados de irmãos, como em Gênesis 11,31 e cap. 13,8 (combinar os dois textos), em que Abraão chama o filho de Lot, seu sobrinho, de “irmão”. Em algumas bíblias não católicas mais modernas, mudaram o nome “irmão” para “parente”; no original, entretanto, está “irmão”.
Na língua hebraica e aramaica não existe a palavra “primo”. Em grego, língua do novo testamento, existe, mas só foi usado uma vez, em Colossenses4,10, “Anépsios”. Nas demais vezes, a palavra usada é “adelphos”, irmão.
Neste trecho da bíblia não católica vemos como mencionam os irmãos de Jesus, e não os “filhos” de Maria, como era costume mencionar:
“Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos“. Atos 1:14(Atos 1,14). Talvez fossem sobrinhos de Maria, ou mesmo primos.

Li não me lembro em que livro que José nunca teria tido coragem de profanar o primeiro sacrário terrestre do Filho de Deus, ou seja, o ventre de Maria. Ele a respeitava como a portadora do Messias, de Deus feito homem. E, como Maria é mãe de Jesus, que é nosso irmão, por consequência ela é também nossa mãe, por adoção. Aliás, naquela cena da cruz, ao dar Maria como mãe a João, Jesus também a deu a nós por mãe, essa mãe tão amorosa, que sempre está conosco!

MINHA FÉ 10- A CONCEPÇÃO DE JESUS

 Pode ser que alguns achem esquisitas as afirmações que digo aqui, mas lembro que eu creio na virgindade plena de Maria, que Jesus é Filho de Deus, que Maria é a Mãe de Deus, e disse sim a Deus quanto à concepção de Jesus. Só que vejo a concepção de Jesus mais pelo lado de Mateus do que a de Lucas.
      Há diferença entre o relato de Mateus e de Lucas quanto à concepção de Jesus. Ao contrário de Lucas, Mateus diz que Maria, num certo dia, percebeu que estava grávida e que isso era obra divina, pois era completamente virgem. De certa maneira Isabel “completou” o sentido da concepção de Jesus quando, em Lucas 1,39-45 relatou as palavras de Isabel: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor me venha visitar”? A palavra Senhor em grego é Kyrios, e substitui a palavra Javé e Adonai, nomes com os quais Deus era chamado no Antigo Testamento.
Maria viveu pela fé pura, simples e humilde. Várias vezes diz o evangelho que ela “Guardava tudo isso no coração e meditava”. A comunicação da divindade com Maria deu-se como acontece atualmente: ela percebia Deus em sua vida porque era pura, humilde, cheia do amor de Deus, entregue à sua vontade. Diz Mateus 5,8: “Felizes os puros de coração porque verão a Deus”.
Penso que Lucas seguiu o “esquema” muito comum na época, de estandardizar as “anunciações” de anjos. Todas seguem um mesmo esquema, como a anunciação do nascimento de Sansão, Samuel, João Batista. Têm sempre os mesmos itens.
É preciso entender, entretanto, que Lucas não está mentindo ou inventando coisas. Só está seguindo a forma literária usada na época, para que o povo entendesse o assunto. Veja bem:
1- Maria fazia em tudo a vontade de Deus. O que Deus lhe pedisse, ela aceitaria.
2- Quando Lucas disse que o anjo (Arcanjo São Gabriel) lhe fez o anúncio, quis talvez dizer que Maria, ao perceber sua gravidez, logo viu que era ação divina e a aceitou com alegria.

3- Jesus não foi gerado por um homem, mas pelo Espírito Santo. Isso Maria também percebeu naquele momento, e Lucas diz isso pelo Arcanjo. Será que Maria entendia o Espírito Santo como nós o entendemos? Duvido. Até então a Santíssima Trindade ainda não fora revelada.

terça-feira, 18 de julho de 2017

MINHA FÉ 9- A CASTIDADE


A castidade é a pérola de nossa Igreja Católica, é o perfume que exala das rosas das virtudes. a castidade é um hino de amor, uma oblação pura  agradável que se eleva como um incenso até Deus.
Tudo o que temos vem de Deus e, segundo S. Paulo, tudo nos é permitido. A castidade é o oferecimento único e insubstituível que fazemos de nós mesmos a Deus. A castidade oferecida é um sacrifício agradável a Deus, que envolve tudo de perfume.
Mais do que nunca a castidade torna verdadeira aquelas palavras de São Paulo Apóstolo: “Vós sois o perfume ded Cristo”(2ª Cor 2,15).
Também em 1ª Cor 6,10.15-20 faz uma advertência muito forte contra a impureza, pois “O vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus”, e lembra que nós não somos de nós mesmos, não nos pertencemos.
Somos o perfume de Cristo, mas para muitos, como diz o texto acima citado de 2ª Cor 2,15, é um perfume indesejável, para a “morte”, como acontece quando estamos almoçando e alguém passa perfumado ao nosso lado: naquele momento, por mais perfumado e caro que seja o perfume, ele é inconveniente se for sentido durante a alimentação.
Na verdade, o mundo odeia a castidade. Muitos (senão a maioria) se implicam, por exemplo, com o celibato do sacerdote. Eu considero a castidade uma de nossas melhores riquezas espirituais.
Entretanto, não é algo fácil. Quem busca a castidade não pode desanimar. É uma luta constante, árdua e incessante. É preciso ter garra para recomeçar quantas vezes forem necessárias. Sobretudo, é um dom de Deus, uma graça que ele nos dá se a pedirmos.
As pessoas criticam muito o celibato sacerdotal. Eu não o critico, mas acho que deveria ser opcional, não obrigatório. Isso daria mais valor à castidade dos que a escolhessem. Mas devo pensar, também, que Jesus exige a castidade em todos os níveis, mesmo aos casados, lógico que de maneira relativa ao seu estado (nem tudo é permitido aos casados).
Muitos santos tiveram problemas com a castidade antes de mudarem suas vidas. O Beato Carlos de Foucauld (teve uma amante chamada “Mimi”, francesa), Santo Agostinho (teve um filho chamado Adeodato, que faleceu ainda jovem), o rei Davi (mandou matar Urias após adulterar com a esposa dele, teve um filho que também morreu), Santa Catarina de Cortona (tinha uma vida mundana antes da conversão. Seu corpo se conserva interrupto, como que mostrando que quando Deus perdoa, perdoa de verdade), e vários outros. Lutaram, vigiaram, pediram a Deus e venceram!
Há ambientes muito difíceis de se viver a castidade. Nesses ambientes, um cristão autêntico só consegue viver como verdadeiro cristão se se aplicar à vigilância, à oração e a um costume (um espírito) de penitência. Caso contrário, sucumbe e se emporcalha desde a manhã.
Há um filme que retrata bem isso, muito antigo. Na tela aparece apenas uma flor, branca, muito bonita, que é amassada por uma bota suja de barro, de alguém que por ali passa. Só se vê a bota e a flor. Isso é o que a mídia e o mundo fazem com a castidade.

Quem é casto pela graça de Deus consegue se elevar acima do lodo do mundo e, como diz Mateus 5,8. “Verão a Deus”, ou seja, perceberão Deus presente no mundo. A castidade está intimamente unida à contemplação. Quem vive a castidade tem maior facilidade para contemplar. Entretanto, sem uma verdadeira humildade, a castidade vira motivo de vaidade e vanglória, quando não um motivo de desprezar as demais pessoas, o que pode custar ao “casto” a perda do paraíso. Afinal, as cinco virgens que não conseguiram entrar nas bodas (=no céu), segundo o evangelho, eram virgens!

MINHA FÉ 8- A IGREJA CATÓLICA


É incrível como nossa Igreja é perseguida. Tanto os evangélicos e protestantes como os da Testemunhas de Jeová dizem que fomos “fundados” pelo imperador Constantino, no século quarto. 

Isso é pura asneira! Há muitos escritos extra bíblicos, como os de São Justino, que narram a Igreja como ativa e nos moldes da Igreja atual, inclusive a Eucaristia e os bons costumes. Esse santo viveu no início do segundo século e morreu por volta do ano 165.

No Ofício das Leituras do 3° domingo da Páscoa. Há um texto dele que fala da Eucaristia, afirmando a realidade da presença real de Jesus: a Eucaristia é o próprio Corpo e Sangue de Jesus imolado por nós, e não um simples símbolo, como pensam os protestantes e evangélicos. Eis um trecho:

“(...) O alimento consagrado mediante a oração (não tomamos esse alimento como pão comum ou como bebida comum), que contém suas (de Cristo) verdadeiras palavras, é o Corpo e o Sangue de Jesus que se encarnou”.

Mais adiante ele fala sobre o motivo pelo qual guardamos o domingo e não o sábado: “Reunimo-nos todos no dia do Senhor (é o significado da palavra domingo), visto ser ele o primeiro dia no qual Deus, mudando as trevas e a matéria, criou o mundo, e porque neste mesmo dia Jesus Cristo Salvador ressuscitou dos mortos. Com efeito, um dia antes de Saturno (sexta-feira), crucificaram-no e no dia seguinte a este (do dia de Saturno), isto é, no dia do sol (atual domingo), apareceu a seus apóstolos e discípulos e lhes ensinou estas coisas que propus à vossa consideração”.

Antes desse trecho ele descreve praticamente uma de nossas missas atuais. Um terceiro motivo, não mencionado, é justamente o fato de que o dia do sol era feriado e, enquanto os pagãos cultuavam o deus Sol, os cristãos cultuavam o Jesus, o verdadeiro Sol que veio ao mundo nos iluminar, e faziam isso nas catacumbas, onde celebravam as Missas. 

Eu amo, amo de verdade a nossa Igreja, por muitos motivos. Vou dizer alguns:

1- Nossa liturgia permite que vejamos, durante o espaço de um ano, com os próprios olhos, a encarnação, morte e ressurreição de Jesus. É como uma bíblia viva! 

2-Só nossa Igreja (e umas poucas, antigas) tem a presença feminina de Nossa Senhora, que enfeita e suaviza com um perfume inefável nossa vida terrena.

3- Os sacramentos nos dão uma gostosa segurança de estamos no caminho certo para o céu. Como diz Santo Tomás de Aquino, “É melhor mancar no caminho certo do que andar (ou correr) pelo caminho errado”.

4- Nossa Igreja Católica tem a sucessão apostólica, que garante a sucessão do mandato dado aos apóstolos por Jesus, por parte do papa e dos demais bispos. É essa sucessão apostólica que torna válida a consagração do pão e do vinho como Corpo e Sangue de Jesus, feita na missa, como diz acima São Justino, assim como os demais sacramentos.

Jesus consagrou (ordenou) os apóstolos, estes consagraram (ordenaram) seus discípulos (São Policarpo, por exemplo, foi ordenado por São João Apóstolo. Santo Irineu, por São Policarpo). Os discípulos, por sua vez, arrebanhavam outros discípulos e os ordenavam, transmitindo assim o mandato de Jesus até os dias de hoje. Sempre digo que se eu puser o dedo na tomada, o choque vai passar por todos os sucessivos antecessores, até chegar a Jesus Cristo, que vai sentir o choque. 

Lutero, Calvino e outros fundadores quebraram essa sucessão apostólica de modo que, mesmo nas igrejas que costumam chamar seus dirigentes de “bispos”, como a Igreja Universal, estes são simples leigos, ou seja, não pertencem à classe sacerdotal, pois não foram validamente ordenados por pessoas que estavam dentro da sucessão apostólica. 

Gosto muito da variedade de opções que há em nossa Igreja em relação aos grupos de trabalho comunitário de grupos de vida, como o Apostolado da Oração, o atendimento aos pobre, a farmácia comunitária, os grupos de rua, as CEBs, o atendimento aos doentes, o RCC, as equipes de N. Senhora, a catequese, os grupos de jovens, o grupo de liturgia, os vicentinos etc. A gente se encaixa em algum trabalho que agrade! Isso é bom para que nos sintamos à vontade com o trabalho apostólico que realizamos...

6- Nossa Igreja é Una, Santa, Católica, ou seja, professamos uma só fé, uma só doutrina, um só Batismo, temos como centro de união Jesus Cristo no céu e na terra, e o papa aqui na terra. Todos são convidados a participar.

7- A hierarquia a torna mais organizada, como Jesus quis. Lutero percebeu a bobeira que fizera ao separar-se de Roma porque logo começou a divisão, com a ideia de que era lícito o livre exame das escrituras, sem se prestar obediência a nenhuma autoridade eclesiástica. 

8- Nossa preparação para o sacerdócio é fecunda, muito boa, assim como a atual preparação para os cristãos leigos, com muitos cursos e opções de crescimento espiritual.

9- Nossas congregações religiosas englobam muitos aspectos diferentes da realidade religiosa de nosso povo, diversos carismas e tendências, um leque de opções de como se orientar no apostolado etc. 

Enfim, amo a Igreja Católica. Ela é completa, eficiente, dinâmica, magnânima, aberta, misericordiosa, piedosa, bonita, plena de vida de oração e de ação, imersa na contemplação e no apostolado, para que todos possam ser atendidos e cresçam na vida política, social e religiosa. Jesus prometeu que o Espírito Santo estaria conosco até o Juízo Final.

Mas o perfume máximo, a beleza pura que temos é Maria, sua presença feminina e materna. Depois que Maria foi para o céu, este nunca mais foi o mesmo. Sua presença era aguardada desde milênios! Foi marcante e como que completou o cenário. Veja o artigo em que falo sobre isso: ...E O CÉU NUNCA MAIS FOI O MESMO!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

MINHA FÉ 7- O PAPA


Eu creio que o papa é substituto de Pedro na Igreja Católica. Não acho correto dizer que ele está no “lugar” de Jesus Cristo, porque creio que Jesus Cristo está sempre entre nós. Ele nunca está ausente. Diz Mt 18,20: “ Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, aí estarei”, e digo ainda: tanto invisivelmente quanto na Eucaristia e no Evangelho.
São Pedro foi investido como papa, ou seja, chefe da Igreja que nascia com estas palavras de Jesus: “Tu és Pedro (=Cefas em grego, Petrus em Latim, que significa pedra, rocha) e sobre essa pedra (o mesmo nome de Pedro) edificarei a minha Igreja” (Mateus 16,18). Em outras passagens, vemos como Jesus pediu que ele chefiasse e conduzisse os demais apóstolos: “Apascenta os meus cordeiros...Apascenta as minhas ovelhas...” E em Lucas 22,31–32: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos”.
Em Lucas 24,34, Jesus aparece em particular para Pedro após a ressurreição, mostrando o mandato especial deste apóstolo. São Paulo Confirma isso em 1 Cor 15,5.
Quando São João Apóstolo morreu, a Igreja já estava no seu quarto papa, São Clemente I. E São João nunca menciona qualquer coisa contra os “bispos de Roma que sucederam São Pedro: Lino (que foi discípulo de S. Paulo), Cleto, Clemente...
O papa é um fator físico de unidade muito forte em nossa Igreja, e sua influência no mundo tem sido igualmente alta, como a queda do muro de Berlim, a do comunismo, e a da separação de Cuba do bloqueio econômico americano e mundial.
Muitos criticam o papa sobre seu modo de viver, as riquezas do Vaticano... Eu prefiro ignorar isso, bem ora defenda o papa quando necessário. Não me importa como o papa vive, mas sim, os seus ensinamentos e o fato de que ele é nosso chefe, nosso condutor terreno, nosso cristo visível. Isso nos dá muita segurança doutrinal e evangélica! É-nos garantia da veracidade dos ensinamentos da Igreja e do Evangelho.
Quanto às riquezas, o Vaticano possui muitas riquezas de arte, que não podem ser vendidas. No mais, tem despesas como qualquer outro organismo. Veja uma das nossas postagens: OS BENS DA IGREJA.
Outras pessoas sempre se referem aos tempos negros do papado na Igreja. Eu sempre medito numa frase que li nas palavras cruzadas: “Se o erro ficou distante, seja pleno o seu perdão! Não se cobra do diamante o seu passado de carvão”!
É ignorância julgarmos alguém pelo seu passado.  É preciso vermos se houve uma tomada de consciência do erro e uma reparação dos erros feitos ou, se isso não for possível, um arrependimento sincero.
Outra coisa importante: não podemos julgar com critérios atuais fatos acontecidos em outros tempos, quando vigoravam critérios diferentes. Dou um exemplo: o padre chega para se iniciar numa paróquia e começa a criticar o padre anterior por não ter construído uma igreja suficientemente grande. Ora, um amigo meu, padre, cuidava de uma paróquia em que havia um terreno enorme, vazio, e a igreja, pequena, dava para todos e sobravam lugares. De repente o governo desapropriou um terreno enorme contíguo à igreja matriz e construiu cerca de mil casas do BNH. A igreja, é lógico, ficou pequena e não havia como fazer outra maior em pouco tempo. Ele foi transferido e seu colega que o substituiu criticava-o pela igreja pequena. Isso é uma maneira de se julgar algo de tempos antigos com os mesmos critérios atuais. Não dá certo. Da mesma forma não podemos julgar os papas antigos com critérios atuais. No tempo antigo havia outro modo de compreensão do mundo, da vida.


domingo, 16 de julho de 2017

MINHA FÉ 6- CÉU, PURGATÓRIO, INFERNO

Visão da Beata Anna Catarine Emmerich sobre o Céu, Purgatório, Inferno e a Mansão dos mortos, onde os que morreram antes de Cristo estavam, e que não existe mais desde que Jesus ressuscitou. 
                                      



Não sei como são, mas acredito no Céu, no Inferno e no Purgatório.

Para o céu vão os puros de coração, que amam a Deus e ao próximo e não têm nenhuma “pendência” ou afeto pelos pecados cometidos e já perdoados, Diz o Apocalipse 21,27:”Coisa alguma impura entrará na Cidade Celeste”.

Para o inferno vão os que não quiseram ser perdoados dos pecados graves. Deus não manda ninguém para lá. Só vão os que insistirem, até à morte, em ficarem separados ou independentes dele. São os que pecaram contra o Espírito Santo que, em palavras simples, trata-se de não aceitar o perdão divino, ou achar que os pecados cometidos são tão graves que Deus não os perdoará, ou ainda que Deus não teria capacidade de perdoá-los. Em resumo, só vai para o inferno quem quiser. 

Santa Catarina de Sena disse que uma alma no inferno, se dissesse algo parecido como: “Senhor, me ajude!”, na mesma hora seria retirada de lá. Coma morte, nós perdemos o livre-arbítrio (permissão para escolher) e não podemos mais fazer opções. Vai valer o que optamos por último, até nossa última capacidade de lucidez e de sanidade mental. 

Para o purgatório vão os que pediram perdão a Deus mas não conseguiram um arrependimento total, apesar de não terem cometido nenhum pecado grave depois que pediram perdão.

Os sofrimentos oferecidos com amor e paciência são, já, um purgatório. São Dimas, o “bom ladrão”, fez seu purgatório na cruz, com Jesus. O sofrimento dele, levado com paciência, levou-o diretamente para o céu, sem ter que ficar no purgatório: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”, disse-lhe Jesus” (Lucas 23,43).

Deus criou o inferno para permitir que Lúcifer e os anjos rebeldes vivessem sem ter que estar com Deus e sob dependência dele, já que não queriam mais viver com a divindade (Apocalipse 12,10). Veja em Mateus 25,46: “E estes (que não praticaram as obras de misericórdia) irão para o fogo eterno, mas os justos, para a vida eterna”. Ainda em Lucas 10,18: “Eu via Satanás cair do céu como um raio”.

Mesmo estando no inferno, a criatura ainda é amada por Deus, mas rejeitou-o e ele lhe deu essa possibilidade de não precisar estar com ele. Se Deus nos ama, quer que estejamos sempre com ele não só agora, mas por toda a eternidade. 

Se a gente pensar bem, vai mudar de vida e arrepender-se dos pecados cometidos, pois nossa vida neste mundo é um pontinho em vista da vida eterna.

Suponhamos que uma das letras desta página seja os 100 anos que alguém vai viver na terra. Cada uma das outras letras serão cada 100 anos que essa pessoa vai viver no céu. E isso infinitamente, não terá fim.

Eu acredito também nas aparições de Maria em Fátima, e ela mostrou o inferno, o purgatório e o céu para os pastorinhos. 

Acredito que estes poucos anos de vida que me restam serão decisivos para minha salvação, e quero vivê-los como Jesus pediu. Vale a pena “perder esta vida para ganhar a vida eterna”. (Lucas 9,24). E você, caro (a) leitor (a), o que acha?

MINHA FÉ 5- O SOFRIMENTO

Não faço nem ideia de como seria nossa vida sem o pecado original: haveria ou não sofrimento?
O certo, porém, é que ele existe e todos passamos por ele. Não há pessoa no mundo que já não tenha sofrido ou que ainda não há que sofrer. Faz parte da nossa história.
Entretanto, Deus promete uma eternidade feliz, sem sofrimento, aos que buscarem a Ele e à sua Palavra de amor e, encontrando-os, amarem também ao próximo.
Eu acredito que o sofrimento é necessário para orientar nossa vida para Deus e para o próximo. Nós somos pecadores e inclinados para o egoísmo e a autossuficiência, o que contradiz o propósito de Deus para nossa vida: Ele quer ser nosso Pai, nosso irmão, nosso amigo, nosso Salvador, mas para isso precisa de nosso consentimento, precisa que lhe abramos a porta de nosso coração (Apoc 3,20).
Em Hebreus 12,1-10, vemos bem delineada essa meta. Deus nos permite o sofrimento, diz o autor, para purificar-nos de nossos pecados, a fim de poder transmitir-nos sua santidade (v.10). Antes dessa afirmação, ele nos dá uma comparação da provação com o castigo que os pais impõem aos filhos malcriados e que não os obedecem. Se os nossos pais fizeram isso conosco, quanto mais Deus, que não visa apenas uma consequência material, como nossos pais, mas uma consequência espiritual, a nossa salvação, a nossa entrada ao seu Reino de Amor!
Quando amamos a alguém queremos partilhar tudo com essa pessoa, não só nossos bens, mas também pelo menos uma parte de nosso tempo e de nossa vida. Assim é Deus. Ele respeita nossa individualidade e nossa vontade, e quis respeitar nosso livre arbítrio até o Juízo Final. Ele faz de tudo para que nós lhe digamos “sim” e, dessa forma, possamos entrar com Ele na eternidade.
Há muitas pessoas que se revoltam contra Deus quando sofrem, mas nunca se revoltaram quando ele permitiu os inúmeros pecados cometidos. Se ele não nos obriga a fazermos o bem, mas permite que façamos o mal, também não vai interferir em nossa vida quando nos sobrevêm o sofrimento, a não ser que, compadecido pelo nosso arrependimento e mudança de vida, interfira, curando-nos.
Para dar-nos o exemplo, o Pai não interferiu nem na morte de seu próprio Filho. Jesus enfrentou o sofrimento e a morte, e morte na cruz, unicamente porque nos ama e nos quer para ele, para sempre.
Ele nos mostrou que qualq uer ser humano, se se colocar plenamente nos braços de Deus, pode ser santo, estar pelo restante da eternidade com ele.
Se pedirmos perdão a Deus pelos nossos pecados, na humildade e na confiança, e oferecermos nossos sofrimentos em reparação de nossos pecados, talvez não nos sintamos felizes, mas uma coisa é certa: vamos sentir uma profunda paz!
A verdadeira paz está baseada não no silêncio externo, mas na consciência reta, temente a Deus, que só busca o bem do próximo, que está livre da ambição, das paixões, do apego aos bens terrenos, aos vícios e ao pecado.
Por que eu creio nisso?

É simples: sei que Deus nos ampara em seus braços e nunca nos abandona em nossas provações  sofrimentos. A paz é uma realidade profunda em nossas vidas. Por pior que esteja nossa vida, sempre podemos viver em paz, se confiarmos na misericórdia divina e em que nós seremos felizes na vida externa. A paz é fruto da confiança em Deus, quando colocamos nossas vidas em suas mãos!

MINHA FÉ 4- A VONTADE DE DEUS


É um tema muito controvertido para muitos, mas na verdade é muito claro.
Nem tudo o que acontece é a vontade de Deus. O mal, por exemplo, nunca será vontade de Deus, embora ele o permite. Tudo o que acontece, acontece pela permissão de Deus. Isso é verdade. Entretanto, nem tudo o que ele permite é de sua vontade.
Dou um exemplo bem simples: a filha pede ao pai para ir ao baile. O pai permite, mas pede que ela fale também com a mãe. Sua mãe lhe diz que não é de sua vontade que ela fosse, mas para não contrariar o esposo, lhe permite. Veja bem: ela permitiu, mesmo contra a sua vontade.
Então é nisso que acredito: tudo tem que passar pela permissão divina, mas nem tudo é de sua vontade. Isso muda muitos conceitos que se fazem por aí! O mal nunca será da vontade de Deus, embora ele o permita. Aquela doença não é vontade de Deus; Ele a permite para que nos purifiquemos de nossos pecados, ou para mudarmos nosso ponto de vista!
É comum os presos apelarem a Deus para se libertarem e falarem que “não pode ser vontade de Deus que eu fique aqui. É desumano. Não está certo”! Entretanto, ninguém faz a mesma afirmativa quando está cometendo o crime que o levou à prisão! Se Deus permite que pequemos ou que pratiquemos crimes, vai permitir também que paguemos isso, seja do modo que for. Deus permite tanto o prazer quanto o sofrimento, mas nem tudo corresponde à sua vontade.
Jesus, ao ensinar o Pai-Nosso, ensinou-nos, por consequência, a fazermos a vontade do Pai e, por conseguinte, a sua vontade: “Seja feita a vossa vontade na terra como ela é feita nos céus”.
Buscar sempre fazer a vontade de Deus é a atitude mais inteligente que podemos ter. Nenhuma paz é comparável à que procede do cumprimento da vontade divina. É uma paz envolvente e altamente tranquilizante.
Se nos propormos a fazer unicamente a vontade divina, estamos colocando nossa vida em suas mãos, com a certeza de que ele só vai nos permitir aquilo que possa nos levar ao paraíso. Nem tudo o que nos dá prazer nos faz bem. Se estamos a fim de fazer sua vontade, não teremos preocupações desnecessárias, estressantes e deprimentes, pois sabemos que Deus está no leme do nosso barco. Isso nos dará essa paz incrível que os santos vivem. É como se estivéssemos em “piloto automático”: vamos vivendo a nossa vida, cientes de que fazemos apenas o que Deus quer, seguros de que ele nos levará ao porto da salvação, não teremos ambições desordenadas, não nos angustiaremos pelo que vai ou não ocorrer no futuro.
O Beato Carlos de Foucauld era dominado pelo empenho em fazer a vontade de Deus. Eis o que ele diz:
“A única perfeição não é senão viver este ou aquele gênero de vida que Deus quer, onde Ele quer, e conduzi-la como a teria conduzido Ele próprio” (“Um pensamento a cada dia”, dia 8/06). “Conhecer a vontade de Deus para cumpri-la, qualquer que seja ela, e a ela nos atirarmos com todo o coração e com todas as nossas forças” (idem, 04/06).

Faço diariamente a Oração do Abandono dele. É assim: “" MEU PAI, A VÓS ME ABANDONO. FAZEI DE MIM O QUE QUISERDES. O QUE DE MIM FIZERDES, EU VOS AGRADEÇO. ESTOU PRONTO PARA TUDO, ACEITO TUDO, CONTANTO QUE A VOSSA VONTADE SE FAÇA EM MIM E EM TODAS AS CRIATURAS. NÃO QUERO OUTRA COISA, MEU DEUS. ENTREGO A MINHA VIDA EM VOSSAS MÃOS. EU VO-LA DOU, MEU DEUS, COM TODO O AMOR DO MEU CORAÇÃO, PORQUE EU VOS AMO E PORQUE É PARA MIM UMA NECESSIDADE DE AMOR DAR-ME E ENTREGAR-ME EM VOSSAS MÃOS SEM MEDIDA E COM INFINITA CONFIANÇA,PORQUE SOIS MEU PAI”. (CHARLES DE FOUCAULD)

sábado, 15 de julho de 2017

MINHA FÉ 3- A CRIAÇÃO


Eis aqui um assunto muito difícil e controvertido! Afinal, houve ou não Adão e Eva? Deus os criou da forma como diz a Bíblia?
Começo lembrando o que disse o Frei Carlos Mesters no livro: “Paraíso: Saudade ou Esperança?”. Para ele, o paraíso terrestre não é algo passado, mas um projeto para o futuro, algo que ainda não aconteceu. Nós é que devemos transformar o mundo num paraíso terrestre nos moldes do que a bíblia apresenta.
Quanto à história de Adão e Eva, há coisas que não combinam, muitas contradições, e isso nos leva a perceber que não devemos levá-la “ ao pé da letra”. O Pe. Teilhard de Chardin propôs uma criação muito diferente do que vemos na bíblia: Deus teria criado uma semente que “germinou” e ainda está crescendo, até chegar ao ponto “Ômega”, que é Jesus Cristo, nos fins dos tempos. Tudo o que existe já estaria “projetado” nessa semente.
Em palavras mais simples, eu acredito que Deus criou e supervisiona a evolução. Acho-a real, mas com a intervenção divina, como atesta o pe. Teilhard de Chardin. Deus teria colocado, a certa altura da pré-história, num número incerto de primatas já desenvolvidos física e mentalmente para que fossem transformados em seres humanos, talvez uns 3000. A ciência fala em uns 2500 e que teriam surgidos na África.
O que eu penso, além da ciência, como já disse, é que Deus infundiu a alma humana nesses milhares de casais, interferindo, desse modo, na evolução.
Essa interferência pode ser presumida na Bíblia, quando diz que Deus fez o homem com barro e usou as próprias mãos. O restante da criação seguiu as leis naturais da evolução, proposta por Darwin.
O papa resignatário Bento XVI, em sua sabedoria e ciência, afirmou que a Igreja acredita na evolução desde que coloquemos Deus como “supervisor” dessa evolução, e sua interferência na criação do ser humano.
Em relação às contradições de que falei no início, lembro a do capítulos 1 e 2: No capítulo 1, vemos que Deus criou o homem e a mulher com o mesmo ato criador, ou seja, ao mesmo tempo, após a criação de tudo, e dentro do paraíso.
No capítulo 2, vemos que Deus criou primeiro o homem, depois tudo o mais e, por último, a mulher, tendo criado o homem fora do paraíso e colocado lá depois. A mulher fora criada dentro do paraíso.
Os estudiosos da Bíblia falam que a serpente é uma alusão ao culto idolátrico cananeu, não do tempo de Adão e Eva, mas do tempo em que a tradição da criação foi colocada por escrito, ou seja, nos tempos do rei Salomão.

Quanto à mulher ter tentado Adão, dizem esses estudiosos que também se refere aos costumes perigosos dos tempos mais recentes, da época do rei Salomão, de que os homens judeus se uniam a mulheres pagãs, e acabavam deixando o culto a Javé e começavam a adorar os deuses pagãos. Eis, aliás, o grande pecado de Adão e Eva: recusarem a tutela de Deus, recusarem que Deus e não o homem diga o que é permitido ou não fazer. O pecado original se baseia nisso: os homens querem escolher o que é mal ou bem, em vez de aceitarem o que Deus propõe. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

MINHA FÉ 01- DEUS UNO E TRINO

Acredito que a Santíssima Trindade, ou seja, que há um só Deus, que vive em três Pessoas ao mesmo tempo iguais e distintas: o Pai, o Filho (Jesus) e o Espírito Santo.
Jesus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, nasceu de Maria Virgem e é 100% Deus e 100% homem.
Jesus foi gerado em Maria pela força do Espírito Santo e se encarnou no instante da fecundação.
O Espírito Santo é a “alma” da Igreja. Sem ele não haveria uma Igreja, mas apenas uma associação de fieis comum.
Somos todos filhos adotivos do Pai pelo Batismo e, portanto, irmãos de Jesus. Se Jesus é nosso irmão, Maria é também a nossa mãe querida. Em João 19, 25-27, quando Jesus pediu que João recebesse Maria como sua mãe, por consequência deu-a a nós também como nossa mãe.
Quando dizemos que Deus criou o mundo, estamos falando não apenas de Deus Pai, mas também do Filho e do Espírito Santo. Em João 1 vemos como “sem ele” (Jesus Cristo) “nada foi criado”. Ou seja, Jesus esteve presente e atuante na criação do mundo, tanto como o Pai e o Espírito Santo. É claro que não ainda como homem, mas como a Palavra (=Verbo) de Deus.
Entre todas as suas qualidades, todas em grau infinito, destaco a misericórdia. “Deus é rico em misericórdia” (Efésios 2,4).

Nessa misericórdia, Deus nos ama infinitamente: “Com amor eterno eu te amei”! (Jeremias 31,3). Em Isaías 49, 14-15 vemos como Deus nos ama infinitamente mais do que a mãe mais terna deste mundo e nunca nos abandonará.