domingo, 23 de julho de 2017

MINHA FÉ 17- AS DIVERSAS RELIGIÕES

A Igreja Católica nasceu com os Apóstolos, fundada por Jesus, que deixou Pedro como o primeiro chefe visível, mudando o nome dele de Simão para Rocha, Pedra. Creio nisso.
Todas as outras religiões cristãs surgiram depois de 1517, ano em que Martinho Lutero fundou o luteranismo, separando-se da Igreja Católica. Calvino discordou das teorias de Lutero e fundou o calvinismo, mais radical que o luteranismo. O próprio Lutero percebeu que fizera besteira ao declarar que todos podem interpretar a bíblia como acharem que o Espírito lhes inspira. Isso começou a provocar as infinitas divisões.
Penso que quem nasce numa determinada religião não católica e até mesmo não-cristã e segue os ensinamentos de Jesus ou semelhantes aos que ele ensinou, pode, sim, salvar-se.
É o que Jesus disse quando alguns apóstolos reclamaram que havia pessoas pregando em nome dele mas não o seguiam, não o acompanhavam: “ Não os impeçais, pois quem não é contra nós é conosco” (Marcos 9,40). Também Mateus 12,30: “Quem não está comigo está contra mim;  e quem não ajunta comigo, espalha”.
Chiara Lubich tinha a ideia de que todos deveríamos nos unir em torno do papa, mas cada Igreja conservaria sua “cara”, como atualmente ocorre com as diversas congregações religiosas dentro da Igreja Católica, ou mesmo os diferentes aspectos de seguimento da Palavra de Deus, como ocorre com a Renovação carismática Católica e a Teologia da Libertação.
Não dá para negar o primado de Pedro sobre os outros apóstolos e sobre os fieis leigos, assim como não dá para negar que o papa é o “descendente” espiritual de Pedro, e está no mesmo ofício que o apóstolo, ao pastorear toda a Igreja. “Et in pluribus unum”: A unidade na pluralidade, talvez seja essa a vocação do cristianismo.
Não vou provar o que estou dizendo. Esta seção apenas mostra no que eu creio. Se quiser maior aprofundamento, veja nosso artigo catecismo compacto ou em HISTÓRIA DA IGREJA

DATAS DE FUNDAÇÃO DAS RELIGIÕES
A seguir, damos uma lista de religiões e o ano de sua fundação:
Igreja Católica Apostólica Romana (Dia de Pentecostes após a Ressurreição de Jesus);
Nestorianos e Monofisitas (431 e 451);
Orientais ortodoxos (1054);
Luterana (1517);
Calvinismo (1528/1555);
Metodistas (1739);
Anglicanismo (1559);
Congregacionalistas (1580/92);
Batistas (1612);
Adventistas (1843);
Assembleia de Deus (1900/1914);
Congregação Cristã do Brasil (1910);
Igreja do Evangelho Quadrangular (ou Cruzada Nacional de Evangelização): sua fundadora morreu em 1944;
Igreja Universal do Reino de Deus (1977);
Árvore da Vida (1980/90);
Adhonep (Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno - 1952); Mormons (1830);
Testemunhas de Jeová (1874);
Induísmo (2500 antes de Cristo já existia, não se sabe a época precisa da origem);
Budismo (400 antes de Cristo nascer);
Igreja Messiânica Johrei (1926);
Seicho-No-Iê (1930);
Perfect Lyberty (1946);
Moonismo (Associação para a Unificação do Cristianismo Mundial - AUCM - 1954);
Espiritismo (1848);
Umbanda (não há data de fundação);
Racionalismo Cristão (1910/11);
Legião da Boa Vontade (Década de 50);
Sociedades Esotéricas (em todos os tempos houve esse tipo de agremiação).
Já nos séc. II e III já se conhecia a famosa gnose ou gnosticismo.
As Fraternidades Rosa-Cruz apareceram no séc. XVII.
A Maçonaria, no séc. XVIII;
Universo em Desencanto (anos 70);
Profecias de Trigueirinho (1987);
Vale do Amanhecer (1969);
Ordem dos 49 ou Ação Mental Interplanetária (1977);
Santo Daime (1945);
Sociedade Teosófica (1875);
Rosa-Cruz (séc. XVII);
Nova Era (década de 70);
Cientologia (1954).

MINHA FÉ 16- O TREM

16- O TREM DO REINO DE DEUS
As pessoas podem salvar-se em qualquer religião, desde que não pequem e pratiquem a misericórdia, ou seja, fizerem o que Jesus mandou que fizéssemos, mesmo não crendo nele: “Eu tive com fome, (etc) e me destes de comer”.
O Reino de Deus é como um trem que está passando e no qual devemos entrar. Cada vagão é reservado para um tipo de Igreja ou sociedade. O vagão da Igreja Católica, o da Congregação Cristã, e assim por diante. Há também o vagão dos pecadores convertidos. É o vagão da misericórdia; aliás, é o maior de todos.  Esse trem se dirige ao céu. Só não chega lá quem não quiser entrar nele, ou seja, quem não quiser pedir perdão de seus pecados.
Lembro-me de um trenzinho que ligava duas cidades do interior paulista nos anos 50/60. O último vagão era reservado para os estudantes. Eu era adolescente. Vínhamos cantando ou treinando as lições em Francês. Eu gostava muito desta poesia: Il pleure dans mon coeur / Comme il pleut sur la ville;/ Quelle est cette langueur/ Qui pénètre mon coeur?/ Ô bruit doux de la pluie/  Par terre et sur les toits! (quem quiser ver a poesia toda, clique aqui.) Traduzindo: Chove no meu coração como chove na cidade; que languidez é essa que penetra meu coração? Ó ruído doce da chuva pela terra e sobre os telhados!...
No trem que vai para o céu entra quem quiser, mas os que entram e cometem pecado leve (=venial), têm que viajar em pé, até pedirem perdão. Os que cometem pecado grave são expulsos do trem e ficam na estação até pedirem perdão. Depois, já perdoados, podem entrar novamente.
Os que não têm fé ou não seguem nenhuma religião, até podem entrar no trem, se praticam a misericórdia, tanto de modo espiritual como material. Praticar a caridade vale um ingresso para entrar no trem. Há um vagão especial para eles!
Nos evangelhos há muitos lances desse assunto. Confiram: Marcos 9, 40: Jesus diz que quem não está contra ele e os cristãos, está com Jesus. Em Mateus 25, vemos o julgamento final: “Quando fizestes isto a um desses pequeninos é a mim que o fizestes”. Em Mateus 21, 31, Jesus diz que as prostitutas e os publicanos entrariam no céu antes que os chefes dos sacerdotes e os líderes religiosos do povo. Na primeira carta de João vemos com insistência que quem ama o irmão é a Jesus que ama.

Uma coisa é certa: o Reino de Deus é como um trem que está passando. Ele não pára. Continua sempre em frente. Cabe ao ser humano entrar nele ou deixá-lo passar. É nisso que acredito. Quem entrar nesse trem sem estar plenamente preparado, vai ter que se purificar de alguma forma, ou aqui mesmo nesta terra, com o sofrimento, ou no Purgatório. 

MINHA FÉ 15- A BÍBLIA

 Como já comentei ligeiramente no n° 3, “A criação”, a bíblia foi inspirada por Deus, mas escrita por homens frágeis, pouco versados nas ciências, que ainda estavam engatinhando, sujeitos plenamente às leis da natureza, com poucos recursos, muito limitados, e ainda sem conhecimento profundo de quem é, realmente, o Deus em que acreditavam.
Desse modo, muitos acontecimentos eram atribuídos a Deus, mesmo que Ele nada tivesse a ver com isso. Por exemplo, aqueles morticínios, em que matavam todos os da cidade invadida, inclusive mulheres e crianças. Deus os permitiu, mas nunca foram de sua vontade.
Nós nos revoltamos com os radicais atuais, que matam em nome de Alá ou mesmo com o nome de Deus, mas não prestamos atenção que na bíblia são muitos os relatos de massacres não só feitos “em nome de Deus”, mas atribuídos ao próprio Deus, como se este fosse “carniceiro”.
Deus não quer, de jeito algum, que usemos a violência como uma forma de resolvermos nossos problemas, e a bíblia (o AT) está repleta disso. Não podem ser vontade de Deus essas lutas todas, essa carnificina toda que lemos ali. É uma interpretação própria de quem ouviu os relatos comentados pela população, pois os fato eram apenas narrados oralmente, e começaram a ser escritos apenas faltando uns mil anos para Jesus nascer.

Por isso é que não devemos lê-la de modo fundamentalista, ou seja, “ao pé da letra”, mas de modo interpretativo, exegético, sabendo tirar o que foi inspirado realmente daquilo que foi entendido erroneamente como vontade de Deus. Isso é feito por eruditos, a quem chamamos de “exegetas”. Nunca podemos ler a bíblia de modo fundamentalista, ao pé da letra, sem termos esses cuidados aventados acima.

sábado, 22 de julho de 2017

MINHA FÉ 14- AS TENTAÇÕES

O irmão Beato Carlos de Foucauld escreveu: “Peçamos frequentemente na oração a graça de invocar a Deus na tentação e as tentações se dissipam frequentemente com muita rapidez, quando se clama ao Senhor. E, quando nossos espíritos obscurecidos procuram resistir por suas próprias forças sem apelar para a única e verdadeira força, as tentações duram tão longamente e são muito perigosas”. (“Um pensamento para cada dia, dia 18/7).
Preste atenção no que ele disse: se quisermos vencer as tentações com as próprias forças, elas duram mais e corremos o risco de pecar. O nosso amigo sabe o que fala, pois antes da conversão vivia em orgias, mulheres, banquetes, festas! O seu deserto, em que vivia, na certa lhe traziam tentações desse seu tempo passado, mas ele as vencia fazendo isso que ele escreveu acima, na “meditação sobre os salmos”: pedia na oração a graça de invocar a Deus nas tentações, e elas se dissipavam. Experimente fazer isso em suas tentações!
É claro que, para tal coisa, é preciso mujita humildade de nossa parte. O próprio Cristo lembrava que devemos “Vigiar e orar” (Mt 26,41) para não cairmos em tentação.Ou seja, pedir a Deus que a vençamos, em vez de lutar sozinho, feito bobo, de modo vaidoso e de autossuficiência, desembocando numa queda fragorosa.

No Pai-nosso rezamos: “Não nos deixeis cair em tentação”. “É um pedido, pois sozinhos cairemos. 

MINHA FÉ 13-A VERDADE

 “A verdade vos libertará”(João 8,32). Jesus disse isso logo depois de afirmar, no versículo 31: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos”. Ou seja, nós nos libertaremos pela verdade se permanecermos na Palavra de Deus, na mensagem de Jesus. A verdade nos libertará se formos discípulos verdadeiros de Jesus.
Em João 14, 6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Jesus é, portanto, a própria verdade, a vida, e ao mesmo tempo o caminho para essa vida e essa verdade.
Eu acredito piamente nisso tudo. Procuro sempre dizer a verdade, enquanto possa. Quando não posso dizer a verdade, por instâncias superiores, não falo nada ou, se for preciso falar, tento manter a verdade até o pondo de não prejudicar a ninguém e digo que não posso ir além dali. “A misericórdia triunfa sobre o julgamento” (Tiago 2,13).
Detesto a mentira e acredito feito bobo no que outros dizem. Acredito, porém, que nem sempre devemos nos expor, principalmente nosso eu mais íntimo, ou mesmo a vida passada. Se fizemos besteiras no passado, deixemos isso para lá, ou seja, não é preciso ficar alardeando aos quatro ventos o que fomos ou deixamos de ser. Basta que estejamos arrependidos e já tenhamos pedido perdão, se católico, por meio de um padre; se de outra religião, por meio de uma conversa boa e amiga com o pastor e, claro, nos comprometermos com Deus a não fazermos mais nenhum pecado.
Diz Isaías 43,18-19: “Não lembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que farei coisas novas, e que já estão surgindo”.
Filipenses 3,13-14: “Esquecendo-me doas coisas passadas, lanço-me para o que está na frente”!
Isso significa, a meu ver que, se a pessoa não menciona o seu passado, isto não quer dizer que está mentindo. Diz um ditado que vi nas palavras cruzadas: “Se o erro ficou distante, seja pleno o seu perdão! Não se cobra do diamante o seu passado de carvão”. O diamante provém do carbono reestruturado por alta temperatura.
Li muita coisa do Beato Irmão Carlos de Foucauld e nunca li nada dele próprio narrando suas orgias de antes da conversão.
Já o mentiroso sente uma dificuldade enorme em falar a verdade. Ele mente tanto que acaba acreditando em suas próprias mentiras! E, o pior, nunca acredita em quem quer que seja!
Quem tem esse vício tem de lutar muito para sair dele e, sobretudo, confiar muito na misericórdia divina, para que Jesus lhe dê coragem de enfrentar a verdade e, assim, não precisar mentir.
A verdade nos traz uma grande paz e tranquilidade. Muitos santos, entretanto, tiveram que enfrentar a morte para não mentirem ou, no caso de um santo do qual não me lembro o nome, confessor da rainha, ele cortou a própria língua com os dentes, na sala de tortura, para não revelar ao rei os pecados dela.

Enfim, acredito na verdade e no fato de que ela realmente nos liberta para seguirmos Jesus Cristo e chegarmos ao paraíso.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

MINHA FÉ 12- A POBREZA EVANGÉLICA

Estarrecido.
De boca aberta.
É assim que fico quando medito sobre a “divina loucura”  de Jesus ter nascido pobre e humanamente indefeso neste nosso mundo. É muito amor, amor loucamente apaixonado. Uma mínima quantia desse amor, se praticado por nós, acabaria com as guerras na humanidade. Um átimo de luz que se irradia desse amor divino, iluminaria todo o universo!.
Jesus se fez pobre, trabalhador humilde em Nazaré, e depois se mostrou o Salvador, Deus encarnado, misericordioso, e todos puderam perceber o seu amor infinito assumido pela sua humanidade.
Tento aprender com Jesus, mas que tarefa imensa! É um projeto pra vida toda!
Jesus era “dono” da situação: mesmo estando no mesmo nível dos pobres, mostrava-se superior, plenamente independente, senhor de si mesmo, magnânimo, sabia sentir o âmago dos outros, e sua misericórdia infinita transbordava de seu ser humano.
Nós temos medo da pobreza pela insegurança que ela traz. Eu penso nisso desde há muito tempo, e admiro santos como São Francisco de Assis, Santa Clara, Santa Isabel de Portugal, o Beato Carlos de Foucauld e tantos outros que abraçaram decididamente a pobreza evangélica. Este último era milionário e deixou tudo para imitar Jesus, a quem denominava seu “bem-amado”.
Essa insegurança da pobreza escolhida conscientemente como modo de vida nos dá a segurança do auxílio divino, nos contempla com a presença de Deus em nossa vida e a sua Divina Providência. Deus protege declaradamente quem escolhe a pobreza evangélica.
Quem é instruído possui uma riqueza intrínseca, que só lhe será tirada por alguma doença mental ou esclerose ou pelo mal de Alzheimer. Isso dificulta sua renúncia, pois ele sempre dará uma solução melhor para seu modo de vida, qualquer que ele seja, auxiliado pelo seu modo mais esclarecido de resolver os problemas práticos do dia a dia.
O que para Jesus foi a “alavanca” de sua pobreza, ou seja, sua sabedoria e sua ciência, para nós é causa de dificuldade. É-nos muito difícil a humildade e a simplicidade, pelo fato de sabermos controlar as piores situações de nossa vida.
Pelo que vemos na Bíblia, essa foi justamente a maior e a mais constante tentação de Jesus: usar sua maior riqueza, a divindade, para sanar as dificuldades humanas que encontrava pelo caminho. Veja as tentações no deserto e o que Lucas diz: “Tendo terminado todas essas tentações, o Diabo o deixou até ocasião oportuna” (Lucas 4,13), ou seja, muitas outras vezes, culminando na hora da Paixão, em que Jesus chegou a suar sangue. Jesus venceu sempre, e nos mostra o caminho da vitória: segui-lo após a sua cruz, com a nossa, e obedecer a tudo o que nos ensinou, sobretudo a oração, o amor ao próximo e a vigilância.
Eu gostaria muito de ser como Jesus, não ter medo de nada, nem o de ser pobre, pois aí eu me entregaria confiante e totalmente em suas mãos, e sei que nunca eu iria me decepcionar. Quem confia em Deus não tem com o que se preocupar. É livre, mente arejada, feliz, tranquilo, calmo, paciente, sereno, é o “PERFUME DE CRISTO” (2ª Cor 2,15).

Há certas situações, como os que vivem em prisões ou estão doentes, em que se experimenta a pobreza real. E a esperança da cura ou da liberdade aloja-se ao lado da humildade (às vezes de muitas humilhações) e da confiança total no único que pode libertar e curar, nossa poderosa e misericordiosa Trindade. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

MINHA FÉ 11-OS "IRMÃOS" DE JESUS

 Creio piamente que Maria não teve outros filhos, apenas Jesus. Não preciso de prova alguma para crer nisso, mas há muitas evidências na Bíblia.
A maior evidência está em João 19, 25, quando Jesus pede que Maria vá morar com João, e João a receba como se fosse sua mãe. Se Jesus tivesse outros irmãos, estes teriam a obrigação legal de cuidarem de Maria.
Outra evidência é que a Bíblia nunca menciona “filhos de José”, como era costume, mas “irmãos de Jesus”, ou seja primos, parentes. Alguns dos apóstolos eram mencionados como filhos deste ou daquele homem, nunca mencionam as mães. Tiago, que era mencionado como irmão de Jesus não é nenhum dos dois apóstolos “Tiago”. Um é filho de Zebedeu, outro é filho de Alfeu. Nunca se diz que Maria é mãe de qualquer outra pessoa a não ser de Jesus. Nenhum deles é mencionado como “filho de José”.
Na fuga para o Egito e na volta ou também na perda de Jesus no templo, aos 12 anos, não é mencionado nenhum outro filho do casal a não ser Jesus.
Há outros exemplos de como os primos e até sobrinhos eram chamados de irmãos, como em Gênesis 11,31 e cap. 13,8 (combinar os dois textos), em que Abraão chama o filho de Lot, seu sobrinho, de “irmão”. Em algumas bíblias não católicas mais modernas, mudaram o nome “irmão” para “parente”; no original, entretanto, está “irmão”.
Na língua hebraica e aramaica não existe a palavra “primo”. Em grego, língua do novo testamento, existe, mas só foi usado uma vez, em Colossenses4,10, “Anépsios”. Nas demais vezes, a palavra usada é “adelphos”, irmão.
Neste trecho da bíblia não católica vemos como mencionam os irmãos de Jesus, e não os “filhos” de Maria, como era costume mencionar:
“Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos“. Atos 1:14(Atos 1,14). Talvez fossem sobrinhos de Maria, ou mesmo primos.

Li não me lembro em que livro que José nunca teria tido coragem de profanar o primeiro sacrário terrestre do Filho de Deus, ou seja, o ventre de Maria. Ele a respeitava como a portadora do Messias, de Deus feito homem. E, como Maria é mãe de Jesus, que é nosso irmão, por consequência ela é também nossa mãe, por adoção. Aliás, naquela cena da cruz, ao dar Maria como mãe a João, Jesus também a deu a nós por mãe, essa mãe tão amorosa, que sempre está conosco!

MINHA FÉ 10- A CONCEPÇÃO DE JESUS

 Pode ser que alguns achem esquisitas as afirmações que digo aqui, mas lembro que eu creio na virgindade plena de Maria, que Jesus é Filho de Deus, que Maria é a Mãe de Deus, e disse sim a Deus quanto à concepção de Jesus. Só que vejo a concepção de Jesus mais pelo lado de Mateus do que a de Lucas.
      Há diferença entre o relato de Mateus e de Lucas quanto à concepção de Jesus. Ao contrário de Lucas, Mateus diz que Maria, num certo dia, percebeu que estava grávida e que isso era obra divina, pois era completamente virgem. De certa maneira Isabel “completou” o sentido da concepção de Jesus quando, em Lucas 1,39-45 relatou as palavras de Isabel: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor me venha visitar”? A palavra Senhor em grego é Kyrios, e substitui a palavra Javé e Adonai, nomes com os quais Deus era chamado no Antigo Testamento.
Maria viveu pela fé pura, simples e humilde. Várias vezes diz o evangelho que ela “Guardava tudo isso no coração e meditava”. A comunicação da divindade com Maria deu-se como acontece atualmente: ela percebia Deus em sua vida porque era pura, humilde, cheia do amor de Deus, entregue à sua vontade. Diz Mateus 5,8: “Felizes os puros de coração porque verão a Deus”.
Penso que Lucas seguiu o “esquema” muito comum na época, de estandardizar as “anunciações” de anjos. Todas seguem um mesmo esquema, como a anunciação do nascimento de Sansão, Samuel, João Batista. Têm sempre os mesmos itens.
É preciso entender, entretanto, que Lucas não está mentindo ou inventando coisas. Só está seguindo a forma literária usada na época, para que o povo entendesse o assunto. Veja bem:
1- Maria fazia em tudo a vontade de Deus. O que Deus lhe pedisse, ela aceitaria.
2- Quando Lucas disse que o anjo (Arcanjo São Gabriel) lhe fez o anúncio, quis talvez dizer que Maria, ao perceber sua gravidez, logo viu que era ação divina e a aceitou com alegria.

3- Jesus não foi gerado por um homem, mas pelo Espírito Santo. Isso Maria também percebeu naquele momento, e Lucas diz isso pelo Arcanjo. Será que Maria entendia o Espírito Santo como nós o entendemos? Duvido. Até então a Santíssima Trindade ainda não fora revelada.

terça-feira, 18 de julho de 2017

MINHA FÉ 9- A CASTIDADE


A castidade é a pérola de nossa Igreja Católica, é o perfume que exala das rosas das virtudes. a castidade é um hino de amor, uma oblação pura  agradável que se eleva como um incenso até Deus.
Tudo o que temos vem de Deus e, segundo S. Paulo, tudo nos é permitido. A castidade é o oferecimento único e insubstituível que fazemos de nós mesmos a Deus. A castidade oferecida é um sacrifício agradável a Deus, que envolve tudo de perfume.
Mais do que nunca a castidade torna verdadeira aquelas palavras de São Paulo Apóstolo: “Vós sois o perfume ded Cristo”(2ª Cor 2,15).
Também em 1ª Cor 6,10.15-20 faz uma advertência muito forte contra a impureza, pois “O vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus”, e lembra que nós não somos de nós mesmos, não nos pertencemos.
Somos o perfume de Cristo, mas para muitos, como diz o texto acima citado de 2ª Cor 2,15, é um perfume indesejável, para a “morte”, como acontece quando estamos almoçando e alguém passa perfumado ao nosso lado: naquele momento, por mais perfumado e caro que seja o perfume, ele é inconveniente se for sentido durante a alimentação.
Na verdade, o mundo odeia a castidade. Muitos (senão a maioria) se implicam, por exemplo, com o celibato do sacerdote. Eu considero a castidade uma de nossas melhores riquezas espirituais.
Entretanto, não é algo fácil. Quem busca a castidade não pode desanimar. É uma luta constante, árdua e incessante. É preciso ter garra para recomeçar quantas vezes forem necessárias. Sobretudo, é um dom de Deus, uma graça que ele nos dá se a pedirmos.
As pessoas criticam muito o celibato sacerdotal. Eu não o critico, mas acho que deveria ser opcional, não obrigatório. Isso daria mais valor à castidade dos que a escolhessem. Mas devo pensar, também, que Jesus exige a castidade em todos os níveis, mesmo aos casados, lógico que de maneira relativa ao seu estado (nem tudo é permitido aos casados).
Muitos santos tiveram problemas com a castidade antes de mudarem suas vidas. O Beato Carlos de Foucauld (teve uma amante chamada “Mimi”, francesa), Santo Agostinho (teve um filho chamado Adeodato, que faleceu ainda jovem), o rei Davi (mandou matar Urias após adulterar com a esposa dele, teve um filho que também morreu), Santa Catarina de Cortona (tinha uma vida mundana antes da conversão. Seu corpo se conserva interrupto, como que mostrando que quando Deus perdoa, perdoa de verdade), e vários outros. Lutaram, vigiaram, pediram a Deus e venceram!
Há ambientes muito difíceis de se viver a castidade. Nesses ambientes, um cristão autêntico só consegue viver como verdadeiro cristão se se aplicar à vigilância, à oração e a um costume (um espírito) de penitência. Caso contrário, sucumbe e se emporcalha desde a manhã.
Há um filme que retrata bem isso, muito antigo. Na tela aparece apenas uma flor, branca, muito bonita, que é amassada por uma bota suja de barro, de alguém que por ali passa. Só se vê a bota e a flor. Isso é o que a mídia e o mundo fazem com a castidade.

Quem é casto pela graça de Deus consegue se elevar acima do lodo do mundo e, como diz Mateus 5,8. “Verão a Deus”, ou seja, perceberão Deus presente no mundo. A castidade está intimamente unida à contemplação. Quem vive a castidade tem maior facilidade para contemplar. Entretanto, sem uma verdadeira humildade, a castidade vira motivo de vaidade e vanglória, quando não um motivo de desprezar as demais pessoas, o que pode custar ao “casto” a perda do paraíso. Afinal, as cinco virgens que não conseguiram entrar nas bodas (=no céu), segundo o evangelho, eram virgens!