segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

ÍNDICE PARA CELULARES

ÍNDICE GERAL

MARCOS E JOÃO EM VÍDEOS- ÍNDICE

LITURGIA DIÁRIA - comentário diário da missa cotidiana.




O ÚLTIMO ROUBO DE DIMAS


Dimas, Jesus e um outro ladrão agonizavam no alto do Calvário. Nenhuma esperança aparente. Tudo havia terminado. Os sonhos acabaram!

Um misto de terror e desespero aflorou na face do rapaz. Não esperava terminar assim seus dias na terra.

Olhou, do alto de sua cruz, o horizonte de Jerusalém. A tarde começava. O sol estava a pino, num dia quente de primavera. As flores formavam tapetes multicores nas campinas dos arredores. São muito belas as flores de lugares desertos!

Dimas reviu sua infância e sua juventude: sua mãe fora apedrejada à sua frente, por fanáticas autoridades religiosas. Tinha ele, então, oito anos de idade. Só depois ele soubera ter sido sua mãe apanhada em adultério. Ele só não entendeu, anos mais tarde, por que não apedrejaram também o homem que estava com ela!

Ele, num esforço, olhou para o lado e viu aquele jovem de 30 a 33 anos que morria ao seu lado, com uma sangrenta coroa de espinhos. Ele o vira várias vezes pregando um reino esquisito, em que não havia necessidade de roubos, pois todos teriam tudo! Não haveria brigas, pois todos se amariam; não haveria luta pelo poder, pois todos teriam os mesmos direitos e possibilidades.

Aquele jovem, que sabia chamar-se Jesus, defendera uma senhora pega em adultério! E, como sua mãe, não havia o homem com quem ela pecara. Dimas parecida estar ainda vendo a cena (João 8,1-11): os fanáticos arrastaram a mulher para perto de Jesus e lhe perguntaram se deveriam ou não apedrejá-la.

Dimas conhecia bem aqueles acusadores e sua hipocrisia! Vários deles já tinham estado com aquela mulher, e o que com ela estivera na última vez estava também com uma pedra na mão para atirá-la na coitada. Fazendo isso, estaria mais livre de suspeitas. Acusar, muitas vezes, é o subterfúgio que muitos usam para ficarem livres das críticas e das acusações. Acusar leva a atenção de todos para o acusado.

Voltando a olhar para o horizonte, Dimas viu o local fora dos muros em que apedrejaram sua mãe. “Se esse homem estivesse lá, minha mãe não teria sido assassinada como aquela outra que Ele salvou e perdoou e talvez eu não a teria tido a vida maldita que tive!”

Lembrou-se, então, dos crimes que cometera: assaltos, assassinatos, prostituições...

Veio à sua mente o bandido que o adotara após a morte da mãe. Ele o usava para roubos menores, nas praças, onde as pessoas se apinhavam para as compras, nas tendas e barracas em que se vendiam de tudo.

Menor abandonado! Era isso que Dimas fora! Um menor abandonado por todos! Uma escória da sociedade.

Voltou a olhar para aquele jovem que, coroado de espinhos, agonizava ao seu lado. Viu, então, aos pés da cruz, a mãe dele e um rapaz muito saudável, de seus 17 anos (São João Apóstolo): “Ele não foi um menor abandonado como eu! Eis sua mãe! Ele não foi desprezado! Eis um de seus amigos!”

Jesus era pobre, simples, operário, mas nunca foi abandonado, nem na vida, nem na morte: sempre estava acompanhado por algumas pessoas. Seus discípulos o abandonaram na crucifixão, mas nem todos. Sempre há os que permanecem fiéis.

Dimas olhou para baixo e não viu ninguém aos seus pés. Ninguém! Por mais pobre que Jesus tenha sido, Dimas, naquele momento, tinha a pior pobreza deste mundo: o abandono, o desprezo, a solidão visceral.

Em sua lembrança veio algo que disseram que Jesus falara “Felizes os pobres porque deles é o Reino dos Céus” (Lucas 6,20). “Como posso ser feliz, como pobre, abandonado e relegado a uma morte tão infame destas?”

Nisso ele ouviu uma frase proferida com muita dificuldade por Jesus:

“Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem!”

“Pai, perdoai-os! - Esse homem é realmente o Filho de Deus, como várias vezes afirmou! E se ele está pedindo ao Pai que perdoe esses desgraçados que o crucificaram injustamente – sim, pois ele só fez o bem – pode também me perdoar das besteiras que fiz durante a vida!”

Seu pensamento foi interrompido pelas imprecações do outro ladrão: “Não sois o Messias? Salvai-nos a vós mesmo e também a nós!” (Lucas 23,29).

Dimas sentiu uma ânsia de vômito. Tirá-los dali para quê? Para que eles voltassem a pecar, a roubar, a matar? Pelo contrário, se Jesus saísse dali, poderia continuar a fazer o bem para todos, mesmo para os que queriam matá-lo!

Dimas tinha a convicção de que aquele homem ao seu lado era santo, e o poderia introduzir num lugar melhor do que até então tinha vivido, por meio do perdão. Ouvira falar dos seus milagres e que até ressuscitara mortos! Aí caiu em si: “Meu Deus! Um homem que ressuscita mortos, que anda sobre o mar, que multiplica os pães e os peixes, que perdoa e pede ao seu Pai que perdoe a seus assassinos...”

Interrompeu os pensamentos para ouvir outra palavra de Jesus, dirigindo-se a sua Mãe e a João:

“Mulher, eis aí o teu filho! Filho, eis aí tua mãe!”

E continuou seu pensamento: “...Um homem que se preocupa em deixar a mãe protegida, por ser viúva e sem filhos, dando-a à proteção do jovem seu amigo...”

Viu que o soldado deu algo para Jesus beber e ele recusou.

“...Um homem que recusa beber algo que aliviaria sua dor, mesmo depois de ter dito que tinha sede! Se tinha sede, por que não bebeu o fel com vinagre que lhe deram? De que tipo de sede ele falara?”
E continuou:

“Se esse homem, com todo esse poder e com todos esses bons relacionamentos...”
Viu a túnica de Jesus e os soldados disputando-a na sorte.

“...Se esse homem, que tinha possibilidade de se vestir com tamanha dignidade, não quis sair da cruz para retomar a sua vida tão maravilhosa que até agora viveu... É porque está indo para um mundo muito melhor, para um reino muito mais bonito e justo do que este! E eu quero fazer meu último roubo: quero entrar com ele nesse reino!”

Tomando coragem conseguiu um pouco mais de fôlego para dizer ao outro ladrão, repreendendo-o:

“Nem tu, condenado ao mesmo suplício, temes a Deus? Nós, na verdade, estamos condenados com justiça, pois recebemos o castigo merecido por nossas obras, mas este nenhum mal praticou!”.

E voltando-se para Jesus, implorou:

“Jesus, lembrai-vos de mim quando vierdes com vosso reino!”

Na verdade, não esperava resposta alguma. Talvez aquele homem também fosse desprezá-lo, o que seria justo e natural. Mas arriscara “roubar” aquele reino que deveria ser maravilhoso.

Qual não foi sua surpresa quando Jesus olhou-o por entre as gotas de sangue que caíam de seus cílios e, num esforço supremo, por estar quase sufocado, disse-lhe como ninguém antes lhe tinha dito, com uma ternura que nunca mais ouvira depois que perdera sua mãe:

“Ainda hoje estarás comigo no paraíso!”.

Essas palavras o envolveram como um abraço materno. Entraram pelos seus ouvidos diretamente até o seu coração, acelerando sua pulsação. Aliviaram um pouco os tormentos daquela morte inútil, fútil e desgraçada.

Dimas conseguiu, então, sorrir, pois uma paz incrivelmente celeste o envolveu. Sentiu-se amado, “paparicado”, sentiu-se, ele também, filho daquela mulher que perdia o fruto de suas entranhas, filho do próprio Deus.

Por alguns instantes Dimas bendisse aquela cruz e aquela morte que, afinal, não estava sendo tão besta assim. Descobriu que era amado por Deus, na pessoa de Jesus, ali ao lado. Sentiu-se importante, pelo menos uma vez na vida, por ser digno de morrer ao lado daquele homem abençoado e tão querido de seu Pai celeste. Ele conseguira fazer o seu último roubo, e o mais rico de todos: roubara a Vida Eterna!

Nesse momento o sol, até então tão forte, foi coberto por nuvens escuras. Trovões e relâmpagos iluminavam em flashes de indignação aquela terra tão amada por Jesus, e as poucas pessoas que ainda ali permaneciam. Dimas ainda ouviu-o dizer: “Tudo está consumado! Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!” - e morreu, em meio ao barulho ensurdecedor de um céu revoltado contra esse crime nefando: a criatura acabara de matar seu criador! O restante da criação não assumira esse crime. As aves do céu voavam em todas as direções, os animais uivavam de tristeza, a terra toda estremeceu, rompeu-se, e muitos corpos ressuscitaram. O terremoto atingiu o templo, e rasgando seu véu ao meio, apodrecido pela revolta de crime tão bárbaro.

Dimas, em meio a isso tudo, pela primeira vez sorriu, embora tudo lhe doesse terrivelmente. Olhou para as nuvens enegrecidas, para aquela verdadeira apoteose da natureza que chorava por ter perdido o seu criador, e, sorrindo, murmurou: “Daqui a pouco, Senhor, eu estarei livre para alçar voo até o vosso Reino! Daqui a pouco eu me libertarei desta vida de horrores para a vida eterna ao vosso lado! Daqui a pouco eu vos abraçarei no vosso reino!”

Após algum tempo chegou um oficial e enfiou a lança no lado de Jesus, fazendo brotar sangue e água. Dimas percebeu que chegara sua hora de morrer, pois o oficial lhe iria quebrar as pernas, tornando impossível a respiração.

Quando ele sentiu a pancada em suas pernas, deu um maravilhoso e sereno sorriso para aquele cenário tão inusitado e ainda teve tempo de balbuciar:


“Este foi o meu golpe de mestre! Meu melhor roubo! Obrigado, Senhor!”

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

SÃO PADRE PIO E O SACERDOTE


SÃO PADRE PIO E O SACERDOTE

15/02/2018


Li no livrinho “Padre Pio , Palavras de Luz- florilégio do Epistolário” que, no trecho numerado como 283 algo que me impressionou. Ele conta que recebeu certa vez Jesus, que lhe disse isto:


“O meu coração está esquecido. Já ninguém se preocupa com o meu amor. Estou sempre triste. Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos; mesmo os meus ministros, que sempre considerei com predileção, que amei como a pupila dos meus olhos, deveriam consolar o meu Coração cheio de amargura, deveriam ajudar-me na redenção das almas. Em vez disso, quem o acreditaria? Devo receber deles ingratidão e falta de reconhecimento. Vejo, meu filho, muitos desses que ...(aí se calou, os soluços lhe apertaram a garganta, chorou em segredo), sob aparências hipócritas, me traem com comunhões sacrílegas, esmagando as luzes e as forças que continuamente lhes dou...”.


Na Sexta-feira de manhã, dia 28/03/1913 o padre Pio ainda estava na cama quando lhe apareceu Jesus, totalmente maltratado e desfigurado e mostrou-lhe um grande número de sacerdotes, diocesanos e religiosos, entre os quais diversos dignitários eclesiásticos. Destes, alguns estavam celebrando, outros se paramentando e outros retirando os paramentos. 


O padre Pio percebeu que Jesus estava totalmente maltratado e desfigurado e perguntou-lhe o motivo, mas não obteve nenhuma resposta. Entretanto, seu olhar voltou-se para aqueles sacerdotes. Em seguida, desviando o olhar deles, o ergueu para o padre Pio, que viu que caíam lágrimas de seus olhos. Afastou-se daqueles sacerdotes, tendo no rosto uma expressão de profundo pesar, gritando: “Carniceiros”!


Voltou-se, então, para o padre Pio e disse, entre outras coisas: “Ai de mim, como correspondem mal ao meu amor! O que mais me aflige é que, à sua indiferença, esses homens acrescentam o desprezo, a incredulidade. Quantas vezes eu estive a ponto de fulminá-los, se não tivesse sido detido pelos meus anjos e pelas almas enamoradas de mim... Escreve ao teu padre (Agostinho) narrando o que viste e ouviste de mim esta manhã. Diz a ele que mostre a tua carta ao padre provincial...”. Veja mais sobre as cartas de São padre Pio neste link: CARTAS DE PADRE PIO


Santa Catarina de Sena, em seu livro “Diálogo”, narra também como Deus lhe falou sobre sacerdotes que celebravam a missa sacrilegamente, sem condição nenhuma, e até simulavam a Consagração para não terem que comungar em pecado (veja em nosso blog: A HIERARQUIA NO LIVRO O DIÁLOGO).



É preciso orar muito pelos sacerdotes, a fim de que consigam cumprir sua missão como “sacerdotes do Deus Altíssimo”, como os chamava uma senhora de minha infância, a dona “Itália”.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

VIVER A QUARESMA- O JEJUM

O Padre Paulo Ricardo nos ajuda a prepararmos o tempo da quaresma e fala sobre o que fazer nesse tempo privilegiado. Coloquei aqui também os links de outros vídeos sobre o assunto de jejum e tempo quaresmal. 

Quanto aos vídeos que já estão aqui, se demorarem muio para aparecer, clique nos links e os assista diretamente no Youtube:



Veja também este texto muito bom do padre Fernando Cardoso


02/09/2012 – 

Texto do padre Fernando Cardoso sobre o Jejum


O Cristianismo ampliou o significado do jejum (em relação ao Antigo Testamento). Não precisamos necessariamente pensar em abstinência de alimentos; podemos pensar em outros jejuns: ver menos televisão, fazer o jejum dos olhos, dos ouvidos, deixar conversas inúteis... Se me privo de alimentos para sentir na própria carne que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”, dou um sentido nobre ao jejum, isto é, que as realidades deste mundo não são plenamente satisfatórias. Se ponho um freio no uso do sexo, quero com isso afirmar que ele não é tudo na minha vida. Se deixo de tecer comentários desairosos a respeito da vida alheia, estou sendo mais caridoso - esses são os jejuns que agradam a Deus.


Aprendamos que existem muitas formas de jejuar, sobretudo com o corte daquilo que é espiritualmente excessivo ou que se torna obstáculo em nossas relações com Deus.


O Espírito Santo toma-nos pelas mãos - evidentemente aqueles que o permitem - porque respeita a liberdade. Leva-nos ao deserto como conduziu outrora Jesus e faz-nos aquilatar com mais critério as realidades que não merecem nossas melhores esperanças.


Nascemos sós e morreremos sós também. Cada qual morre a própria morte. A amizade terrena mais profunda um dia deixará de existir. O Espírito Santo vai-nos mostrando tais coisas e faz-nos ver que realidades buscadas com excessivo ardor geram desilusão. Nosso coração continua a querer algo que não se encontra no que é terreno. Aquele que é conduzido por Deus ao deserto e permite que o Espírito lhe fale ao coração percebe quanto é pobre. Nesse momento, Ele inicia o trabalho de desmantelamento dos nossos falsos ídolos. Começa a esculpir no coração o rosto do verdadeiro amigo, Jesus Cristo. Leva-o a ter verdadeira paixão por Ele, a ter saudade de Jesus, a ser invadido por desejo inexprimível de partir deste mundo para estar com Ele.


Quem pode dizer como Paulo: “Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro?” Desejo agradar a Jesus de todas as formas em todos os dias de minha vida? Santo Agostinho dizia, no auge da sua luta pela conversão: “Tu estavas dentro de mim e eu estava fora, Tu clamavas dentro e eu me distraía fora, Tu me chamavas e eu não Te ouvia, mas me distraíam exatamente aquelas coisas que, se não tivessem sido criadas por Ti, simplesmente não existiriam. Clamaste e rompeste minha surdez! Tarde na vida eu Te amei, oh beleza tão antiga e tão nova, tarde eu Te amei.” Agostinho, embora tarde, descobriu a beleza; outros não a descobrem. Santa Tereza de Jesus, na hora da morte, disse: “Finalmente chegou a hora de nos vermos.” Há cristãos que, à beira da morte se desesperam, por não terem alimentado durante a vida uma esperança escatológica.


TEMPO DA QUARESMA


QUARESMA: DA ESCRAVIDÃO À LIBERDADE


Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 1-03-2017, Gaudium Press


Conteúdo publicado em gaudiumpress.org,no 


Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 1-03-2017,Gaudium Press) Nesta quarta-feira de cinzas, início da Quaresma, o período em que se prepara para a Páscoa do Senhor, o Papa Francisco, dirigindo-se a milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro destacou que ela é um "caminho de esperança" que deve conduzir os fiéis católicos da "escravidão" à "liberdade".


Com isso o Papa deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Esperança que ele vem realizando. Em suas palavras ele afirmou que a Quaresma "é um caminho certamente exigente, como é bom que seja, porque o amor é exigente, mas é um caminho cheio de esperança. Mais: o êxodo quaresmal é o caminho no qual a própria esperança ganha forma".

O Santo Padre lembrou as práticas penitenciais que são normalmente realizadas neste período de preparação para Páscoa. Ele ressaltou que "o cansaço de atravessar o deserto -com todas as provas, as tentações, as ilusões, as miragens- tudo isso serve para forjar uma esperança forte, sã".

Êxodo: saída da escravidão para a liberdade

Neste sentido, é preciso olhar para a experiência do Êxodo do povo de Israel, que Deus libertou da escravidão do Egito por meio de Moisés, e guiou durante quarenta anos no deserto até entrar na Terra da liberdade:

"Simbolicamente dura 40 anos, ou seja, o tempo de vida de uma geração. Muitas vezes, o povo, diante das provações do caminho, sente a tentação de voltar ao Egito. Mas o Senhor permanece fiel e guiado por Moisés, chega à Terra prometida: venceu a esperança. É precisamente um ‘êxodo', uma saída da escravidão para a liberdade. Cada passo, cada fadiga, cada provação, cada queda e cada reinício... tudo tem sentido no âmbito do desígnio de salvação de Deus, que quer para seu povo a vida e não a morte; a alegria e não a dor".


O Santo Padre afirmou, então, que "A Páscoa de Jesus é também um êxodo. Ele nos abriu o caminho e para fazê-lo, teve que se humilhar, despojar-se de sua glória, fazendo-se obediente até a morte na Cruz, libertando-nos, assim, da escravidão do pecado. Mas isto não quer dizer que Ele fez tudo e nós não precisamos fazer nada."

Sinal de conversão




Jesus nos indica o caminho da nossa peregrinação pelo deserto da vida, um caminho exigente, mas cheio de esperança. Reafirmando o sentido da Quaresma como "sinal sacramental de nossa conversão", o Papa concluiu:

"O êxodo quaresmal é o caminho no qual a própria esperança se forma. É um caminho dificultoso, como é justo que seja, mas um caminho pleno de esperança. Como o percorrido por Maria, que em meio ás trevas da Paixão e Morte de seu Filho, continuou a crer em sua ressurreição, na vitória do amor de Deus".


Quaresma 


A Quaresma é um período de 40 dias marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão. 


Por isso foi que o Santo Padre, de modo apelativo, conclamou a todos para que "Com o coração aberto a este horizonte, entremos na Quaresma. Sentindo-nos parte do povo santo de Deus, comecemos com alegria este caminho de esperança". (JSG)


Cidade do Vaticano (Sexta-feira, 03-03-2017, Gaudium Press) O tema da homilia proferida pelo Papa Francisco na missa matutina celebrada na Capela da Casa Santa Marta foi o jejum. O verdadeiro jejum que agrada a Deus.


O VERDADEIRO JEJUM










As leituras propostas pela liturgia falam do jejum, ou seja, "da penitência a que somos convidados a fazer no tempo da Quaresma" para aproximar-nos ao Senhor, conforme explicou Francisco que recordou também que, conforme diz o Salmo, a Deus agrada "o coração penitente", "o coração que se sente pecador e reconhece ser pecador".

Leitura do Profeta Isaías


Na primeira leitura, o Profeta Isaías mostra como Deus repreende a falsa religiosidade dos hipócritas. Eles jejuam e, enquanto cuidam dos próprios negócios, "ferindo com punhos iníquos", oprimem os operários e brigam. 


Estes hipócritas, segundo o Papa, fazem penitência de um lado e cometem injustiças do outro lado. Eles fazem "negócios sujos".


Jejum Verdadeiro


Deus Nosso Senhor nos pede um jejum verdadeiro. Um jejum que esteja também com a atenção voltado para o próximo:

"O outro é o jejum "hipócrita" - é a palavra que Jesus tanto usa - é um jejum para se mostrar ou para sentir-se justo, mas ao mesmo tempo cometem injustiças, não são justos, exploram as pessoas. "Mas eu sou generoso, farei uma bela oferta à Igreja" - 'Mas me diga, tu pagas o justo às tuas domésticas? Paga teus funcionários sem assinar a carteira? Ou como quer a lei, para que possam dar de comer aos seus filhos? '", interrogou Francisco.

Para explicar seu pensamento, o Papa contou um fato ocorrido com o Superior Geral dos Jesuítas, Padre Arrupe.


Um grande homem de negócios procurou o Superior Geral para oferecer-lhe uma doação para suas atividades de evangelização. Ele trazia consigo um fotógrafo e um jornalista e entregou ao Padre um envelope que continha apenas 10 dólares...

O Santo Padre comentou com seus ouvintes:



"Nós também fazemos o mesmo quando não pagamos o justo a nossa gente. Pegamos de nossas penitências, de nossos gestos, do jejum, da esmola, aceitamos uma propina: é o suborno da vaidade, de se mostrar. E isso não é autenticidade, é hipocrisia. É por isso que Jesus diz: ‘Quando vocês rezarem, entrem no seu quarto, fechem a porta, no escondido, quando derem esmola não faça soar a trombeta, quando jejuar não fiquem tristes.

Isto é o mesmo que dizer: Por favor, quando vocês fizerem uma boa obra não aceitem propina desta boa obra, é somente para o Pai."


Isaías e nossos dias

Citando o Profeta Isaías, quando o Senhor fala aos hipócritas sobre o jejum verdadeiro, Francisco afirmou que elas são significativas também "para os nossos dias": 

"Não é este o jejum que escolhi: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, e romper todo tipo de sujeição?

Não consiste talvez em dividir o pão com o faminto, deixar entrar em casa os pobres, os sem-teto, vestir o que está nu sem transcurar os próprios parentes?

Pensemos nestas palavras, pensemos em nosso coração, como nós jejuamos, rezamos, damos esmolas (...)

Nos fará bem pensar nisso."

(Da Redação Gaudium Press, com informações RV)



O JEJUM HIPÓCRITA

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 06-03-2017, Gaudium Press) Em recente homilia feita na Capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco explicou como rezar, fazer jejum e dar esmola durante a quaresma.

O Papa advertiu àqueles que fazem um "jejum hipócrita", que só procuram o reconhecimento dos demais ou a própria satisfação.




Francisco afirmou que "Isto é o mesmo que nós fazemos quando não pagamos o justo a nossos funcionários. Nós recebermos por nossas penitencias, por nossos gestos de oração, de jejum, de esmola, é tirar proveito. É suborno de vaidade, de procurar sermos vistos. E isto não é autenticidade, é hipocrisia.


Por isso, quando Jesus disse: ‘Quando rezarem, façam às escondidas, quando derem esmola não façam soar a trombeta, quando jejuarem não se façam de abatidos', é como se dissesse:

‘Por favor, quando fizerem uma boa obra não tireis proveito desta boa obra. É só para o Pai'".

Conselhos evangélicos

"‘Por acaso não é este o jejum que quero: romper as correntes iníquas, desfazer os laços do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e quebrar toda a opressão? Por acaso não consiste em repartir o pão com o faminto, fazer entrar em casa os pobres, aos sem teto, vestir os nus sem descuidar dos parentes?'", relembrou Francisco. 


"Pensemos nestas palavras, pensemos em nosso coração, no modo como jejuamos, rezamos e damos as esmolas. Também vai nos ajudar pensar no que sente um homem depois de um jantar que custou 200 euros, por exemplo, e regressando para sua casa vê um homem faminto, nem olha para ele e segue caminhando. Vai nos fazer bem pensar nisto", concluiu o Papa. 

(JSG)



Para aprender a fazer o bem: ações concretas e não só com palavras, ensina Francisco





Inspirando-se na primeira leitura do dia, em sua homilia o Papa indicou o caminho da conversão que a Quaresma pede: fazer o bem com ações concretas, não com palavras.

Na leitura comentada por Francisco, o Profeta Isaías lembra que na conversão deve-se afastar do mal e aprender a fazer o bem, um binômio inseparável neste percurso.

O Papa comentou o trecho afirmando que "cada um de nós, todos os dias, faz algo de mau", pois que, de fato, a Bíblia diz que "o mais santo peca sete vezes ao dia".

O problema, porém, disse Francisco, está em "não se acostumar em viver nas coisas feias" e afastar-se daquilo que "envenena a alma", que a torna pequena.

É preciso aprender a fazer o bem

"Não é fácil fazer o bem: devemos aprendê-lo, sempre. E Ele nos ensina. Mas: aprendam. Como as crianças. No caminho da vida, da vida cristã se aprende todos os dias. Deve-se aprender todos os dias a fazer algo, a ser melhores do que o dia anterior. Aprender. Afastar-se do mal e aprender a fazer o bem: esta é a regra da conversão. Porque converter-se não é consultar uma fada que com a varinha de condão nos converte: não! É um caminho. É um caminho de afastar-se e de aprender".

Aprende-se a fazer o bem com ações concretas

É necessário coragem para afastar-se do mal e humildade para aprender a fazer o bem que se explicita em fatos concretos, o Pontífice:

"Ele, o Senhor, aqui diz três ações concretas, mas existem muitas outras: busquem a justiça, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva... mas, ações concretas. Aprende-se a fazer o bem com ações concretas, não com palavras. Com fatos... Por isso, Jesus, no Evangelho que ouvimos, repreende esta classe dirigente do povo de Israel, porque ‘diz e não faz', não conhecem a concretude. E se não há concretude, não pode haver a conversão".

Francisco continua seus comentários a propósito da primeira leitura falando do convite do Senhor: "Vinde, debatamos". "Vinde": uma bela palavra, diz ele, uma palavra que Jesus dirigiu aos paralíticos, à filha de Jairo, assim como ao filho da viúva de Naim. E Deus nos dá uma mão para "ir".

E é humilde, se abaixa muito para dizer: "Vinde, debatamos". E o Papa, então, ressalta o modo como Deus nos ajuda: "caminhando juntos para ajudar-nos, para nos explicar as coisas, para nos tomar pela mão".
O Senhor é capaz e procura "fazer este milagre", que é de "nos transformar", continuamente, no caminho da vida e não de um dia para outro:

"Convite à conversão, afastem-se do mal, aprendam a fazer o bem ... ‘Vinde, debatamos, vinde a mim, debatamos e prossigamos'. ‘Mas tenho muitos pecados ...'
- ‘Mas não se preocupe: se os seus pecados são como escarlate, se tornarão brancos como a neve'.

Caminho da conversão

Aqui está o caminho da conversão quaresmal:

É um Pai que fala, é um Pai que nos quer bem, nos quer bem. O Senhor nos acompanha no caminho da conversão. Ele só nos pede que sejamos humildes. Jesus diz aos dirigentes: ‘Quem se exaltar, será humilhado e quem se humilha será exaltado'".

E aí está então, "o caminho da conversão quaresmal":

Afastar-se do mal, aprender a fazer o bem", levantar-se e ir com Ele e "os nossos pecados serão todos perdoados". (JSG)

(Da Redação Gaudium Press, com informações RV)


sábado, 10 de fevereiro de 2018

CONSAGRAÇÃO A MARIA ENSINADA POR ELA MESMA

CONSAGRAÇÃO A MARIA DITADA POR ELA MESMA, NA MENSAGEM 458 DE ANGUERA (Site Apelos Urgentes):

 Maria, Rainha da Paz e consoladora dos aflitos aqui estamos aos vossos pés, com o coração cheio de alegria como Vós, para nos consagrar ao Vosso Imaculado Coração, sede sempre a nossa constante Companheira e protegei-nos dos perigos que nos cercam. Abençoai nossas famílias e protegei o nosso Brasil, que também Vos pertence. Dai-nos a Vossa paz, pois sois a nossa Rainha da Paz. 

Ajudai-nos a viver e Evangelho do Vosso Filho e a ser mansos e humildes de coração. Com este sincero ato de consagração, pretendemos, como Vós, fazer a vontade do Pai. Vemos o perigo em que o mundo se encontra e, com a Vossa ajuda e a Vossa graça, queremos salvá-lo. Prometemos-Vos mais fervor na oração, na participação da Santa Missa e, sobretudo, prometemos-Vos ser fiéis à Igreja do Vosso Filho e ao sucessor de Pedro, o Papa (Nome). Prometemos-Vos, ainda, viver a nossa consagração e levar o maior número possível de almas ao Vosso Dileto Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Pedimos a Vossa bênção e a Vossa proteção para o nosso querido Brasil. Amém.

sábado, 13 de janeiro de 2018

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

AMULETOS

11/01/18

Há cristãos que correm o mesmo perigo que os hebreus, quando consideraram a Arca da Aliança como um "amuleto" e a esqueceram num canto da batalha. Só se lembraram dela quando estavam perdendo, e aí nada mais podiam fazer: perderam mais de trinta mil homens e a batalha. Veja isso em 1Samuel 4,1-11, primeira leitura de hoje. 

Esses cristãos "relacionam sua religiosidade com certos "amuletos", a que dão grande valor: crucifixo na parede, bênção da casa, bênção do carro novo, escapulário...coisas que só têm sentido quando são verdadeiramente "sinais" de uma fé que existe no íntimo e é alimentada pelos sacramentos, pela oração, pela caridade". (Comentário do missal cotidiano sobre 1Samuel 4,1-11, 5ª feira da 1ª semana do tempo comum ano par).

Ou seja: se nós quisermos as bênçãos de Deus, temos que nos converter diariamente, rezar, jejuar ou fazer algumas penitências, pedir perdão de nossos pecados e lutar para não mais cometê-los. Aí, então, terão sentido os crucifixos e outros "sinais" de nossa religiosidade. 

Há o absurdo, por exemplo, de o bandido fazer o sinal da cruz antes de sair para roubar. Isso seria cômico, se não fosse trágico. 

Vejo nas missas em que há o pão de Santo Antônio o perigo de se dar mais valor àquele pãozinho do que à própria Eucaristia, que é Jesus Cristo vivo e presente entre nós. 

Vamos, pois, fazer um exame de consciência: essa cruz, esse escapulário que trazemos no pescoço, é sinal de nossa caminhada de fé?


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

PARÁBOLA DA MÃE DO MÉDICO


PARÁBOLA DA MÃE DO MÉDICO


EUCARISTIA E RELÍQUIAS


10/01/18

O problema não é de hoje. Li no livro “A Imitação de Cristo”, de Tomás de Kempis, escrito no século 15, uma advertência para os que deixam a Eucaristia abandonada no sacrário de sua igreja para ir visitar e beijar relíquias de santos em outros países e igrejas. Veja o que o livrinho (depois da bíblia é o mais velho e difundido livro de leitura permanente) diz sobre esse assunto no livro quarto, capítulo 1, número 9 (em algumas versões, número 8):

8. Correm muitos a diversos lugares para visitar as relíquias dos santos, e se admiram ouvindo narrar os seus feitos; contemplam os vastos edifícios dos templos e beijam os sagrados ossos, guardados em seda e ouro. E eis que aqui estais presente diante de mim, no altar, vós, meu Deus, Santo dos santos. Criador dos homens e Senhor dos anjos. Em tais visitas, muitas vezes é a curiosidade e a novidade das coisas que move os homens; e diminuto é o fruto de emenda que recolhem, principalmente quando fazem essas peregrinações com leviandade, sem verdadeira contrição. Aqui, porém, no Sacramento do Altar, vós estais todo presente, Deus e homem, Cristo Jesus; aqui o homem recebe copioso fruto de eterna salvação, todas as vezes que vos recebe digna e devotamente. Aí não nos leva nenhuma leviandade, nem curiosidade ou atrativo dos sentidos, mas sim a fé firme, a esperança devota e a caridade sincera.

Já é hora de valorizarmos mais a Sagrada Eucaristia em nossas igrejas, e adorar com maior frequência o Santíssimo Sacramento, que é o próprio Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e divindade. Não estou dizendo aqui para se parar de visitar esses lugares sagrados ou de peregrinações, como Aparecida, ou a igreja do Divino Pai Eterno, ou o Padre Cícero, mas lembro que devemos dar mais valor à adoração de Jesus na Sagrada Eucaristia. Como diz o texto acima, Jesus está tão perto de nós e vamos buscar consolações espirituais em outros lugares...