segunda-feira, 18 de março de 2019

AOS (ÀS) LEITORES(AS)

No celular, basta clicar na palavra "Início", aí acima.


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NOVIDADE! IMITAÇÃO DE CRISTO-LIVROBLOG O famoso livro de Tomás de Kempis, agora em forma de blog. Cada capítulo é uma página do blog.


Agora em todos os finais de semana leia os comentários feitos por vários especialistas sobre a LITURGIA DOMINICAL



LEITURAS DE TODAS AS MISSAS DO MÊS 
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NÃO ADIAR A CONVERSÃO


Concretamente, nessa quinta-feira, 28-02, Francisco convida os fiéis a fazer todos os dias o exame de consciência, uma breve avaliação das ações que realizamos porque "nenhum de nós tem certeza de como a vida vai acabar".

Para o Papa, é bom parar, tomar consciência dos próprios fracassos, saber que o fim pode vir de um momento para outro e não viver repetindo que a compaixão de Deus é infinita: uma justificativa para fazer o que se quer.

Não siga seus instintos, domine as paixões

Francisco sublinhou que "a sabedoria é algo cotidiano", nasce da reflexão sobre a vida e do parar para pensar como vivemos.

A sabedoria surge ouvindo as sugestões, como as do Eclesiástico, que se assemelham às indicações "de um pai a um filho, de um avô ao neto":

"Não siga seus instintos, sua força, seguindo as paixões do seu coração. Todos nós temos paixões. Mas tenha cuidado, domine as paixões. Pegue-as na mão, as paixões não são coisas ruins, são, por assim dizer, o "sangue" para realizar muitas coisas boas, mas se você não for capaz de dominar suas paixões, elas irão dominar você. Pare, pare."

Não somos eternos, não adie sua conversão

O Papa procurou ter como alvo de suas considerações a relatividade da vida e para isso recordou o salmo que diz: "Ontem eu passei e vi um homem; hoje voltei e não estava mais ali".

Nós não somos eternos, comentou, não podemos pensar em fazer o que queremos, confiando na misericórdia infinita de Deus:

Não seja tão imprudente, de arriscar e crer que você vai se dar bem. "Ah, eu me dei bem até agora, eu vou conseguir ...". Não. Você se deu bem, sim, mas agora não sabe... Não diga: "a compaixão de Deus é grande, Ele irá perdoar os meus muitos pecados", e assim eu continuo fazendo o que eu quero. Não diga isso. E o último conselho desse pai, desse "avô", "Não espere para se converter ao Senhor", não espere para se converter, para mudar de vida, para aperfeiçoar a sua vida, para arrancar de você o joio ruim, todos nós temos , devemos arrancá-lo ... "Não espere para se converter ao Senhor e não adiar de dia em dia, porque de repente se manifestará a ira do Senhor ".

Não espere para converter-se

"Não espere para se converter", convida Francisco exortando à não adiar a mudança de vida, a tocar com as mãos os fracassos e insucessos que cada um tem, a não ter medo, mas a ser "mais soberano", mais capaz de dominar o que nos apaixona.

Por isso, o Papa convida:

Façamos este pequeno exame de consciência todos os dias para nos convertermos ao Senhor:

"Mas amanhã tentarei fazer com que isso não aconteça mais". (...)"Acontecerá, talvez, um pouco menos, mas você conseguiu governar e não ser governado por suas paixões, pelas muitas coisas que nos acontecem, porque nenhum de nós tem certeza de como sua vida terminará e quando terminará.

Esses 5 minutos no final do dia nos ajudarão, nos ajudarão muito a pensar e a não adiar a mudança do coração e a conversão ao Senhor, diz Francisco, que finaliza pedindo "Que o Senhor nos ensine com sua sabedoria a seguir esse caminho". (JSG)
(Da Redação Gaudium Press, com informações Vatican News) 

domingo, 17 de março de 2019

BACALHAU NA QUARESMA???



14/03/2019 


Uma das coisas mais mal-entendidas que vejo é muita gente comer bacalhoada na Sexta-feira Santa. Não tem nenhum sentido! Esse dia é de jejum e penitência, dia de comer pouca coisa e coisas simples, sem carne ou peixe ou coisa que o valha. 

Deixe o bacalhau para o dia de Páscoa! Mas na Sexta-feira Santa faça jejum. Se não conseguir fazer o jejum pedido pela Igreja (ficar sem uma das refeições), faça um jejum adaptado, como comer pouco, não comer nenhum doce, nem sorvete, nem bebida alcoólica, nem refrigerante, procurar ajudar alguma família pobre com o dinheiro economizado em não ter comprado o bacalhau, ficar sem ver televisão, não ouvir música alguma, fazer um tempo maior de silêncio num determinado período do dia e aproveitar esse tempo para ler a bíblia ou outra leitura espiritual. Há tantas na Internet! 

Aliás, isso pode ser repetido em todas as quartas e sextas-feiras da quaresma. 

Na Sexta-feira Santa, coma arroz, feijão e ovo cozido, ou pão com água. Não coma peixe algum. Nem nenhum tipo de carne. Faça uma penitência! E a ofereça, logo de manhã, pela conversão dos pecadores e pelas intenções que Maria, a intercessora de todas as graças, quiser aplicar. 

Termino dando uma listinha de canais do YouTube que você pode apreciar para as suas leituras da quaresma. 

CANAL DO PE. FERNANDO CARDOSO 

CANAL DO PE. PAULO RICARDO

CANAL DO PEDRO SIQUEIRA 

CANAL DO GABRIEL PAULINO (MEDJUGORJE) 


CANAL DA PAULUS EDITORA 


CANAL DA ALIANÇA DE MISERICÓRDIA

CANAL DA VIDA EREMÍTICA, DA IR. GEMA 


GRATIDÃO

 A GRATIDÃO



Deixaremos de lado os nossos “ismos” e a falta de caridade, quando aprendermos a viver a gratidão. 

Jesus sempre gostou da gratidão e detestou a ingratidão. Em Lucas 17,17-18 vemos como ele sentiu a ingratidão dos leprosos curados que não voltaram para agradecer e como elogiou a gratidão do que voltou para render graças, que era, por sinal, inimigo político dos judeus, um samaritano. 

Em Mateus 23,37-38, Jesus sentiu a ingratidão do povo judeu e se expressou deste modo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, quantas vezes quis te reunir como a galinha reúne os pintinhos sob as asas, mas vós recusastes!”

Em Mateus 18,23-35, Jesus contou a parábola do rei e do devedor, que fora perdoado em três toneladas de ouro (eu fiz a conta e deu mais ou menos isso), mas ao sair do palácio não perdoou a um seu devedor que lhe devia 400 gramas de ouro! E Jesus condenou a atitude dessa pessoa tão ingrata! Quanta gratidão temos com as graças de Deus Nós O agradecemos sempre? Pecar é um ato de ingratidão a Deus, pois Ele nos trata bem e nos perdoa e, ao pecarmos, estamos nos afastando dele, que tanto nos ama. Ao não perdoarmos estamos tendo ingratidão contra Deus, que nos perdoa sempre!

Quando recebermos dos outros a ingratidão, agradeçamos a Deus, pois Ele nos agradecerá no lugar do ingrato, com muitas graças! Nunca devemos fazer as coisas para sermos louvados e recompensados! Precisamos nos acostumar a fazer tudo para a maior glória de Deus, sem nenhum interesse pessoal. “Depois que fizerdes tudo o que puderdes, deveis dizer: 'Somos servos inúteis'! “-Lucas 17,10.

Jesus chorou várias vezes. Por exemplo em Lucas 19,41:”Quando Jesus chegou mais perto e pôde ver a cidade, chorou sobre ela, dizendo'Se também tu, principalmente neste dia que te é dado, reconhecesses o que te pode trazer a paz!”

Pedro também chorou por ter sido ingrato a Jesus, em Mateus 26,75. Já no Antigo Testamento, Deus reclama da ingratidão do povo, como em Miqueias 6,2-5.



Nunca sejamos ingratos para com ninguém, pois além disso “doer” no coração da outra pessoa, provoca a não ajuda de Deus em nossos atos e projetos.

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Não esquecer o que o Senhor fez em nossa vida, recomenda Papa em homilia

Cidade do Vaticano (Quinta-feira, 07-03-2019, Gaudium Press) No início de Quaresma, o Papa Francisco celebrou missa na Capela da Casa Santa Marta, nesta quinta-feira, 07/03.

Ele recomendou, na homilia que ali proferiu, iniciar a Quaresma pedindo a graça da memória, de recordar aquilo que o Senhor fe z em nossa vida.

De fato, disse o Papa, no caminho rumo ao encontro com Cristo ressuscitado é preciso estar atentos a não voltar para trás, não ser surdos na alma e ao perigo da idolatria.

A reflexão de Francisco foi baseada na Primeira Leitura do dia, extraída do Deuteronômio que trata de uma parte do discurso que Moisés fez ao povo para prepará-lo para entrar na Terra prometida, colocando-o diante de uma escolha entre a vida e a morte.

"É um apelo à nossa liberdade", disse, para logo explicar três palavras-chaves de Moisés: 
se "o teu coração se volta para trás"; "se tu não ouves"; e "se te deixas levar a prostrar-te diante de outros deuses":

"Quando o coração se volta para trás, quando toma uma estrada que não é a estrada justa - seja atrás, seja outra estrada, mas não vai pela estrada justa - perde a orientação, perde a bússola, rumo à qual deve seguir adiante. E um coração sem bússola é um perigo público; é um perigo para a pessoa e para os outros. E quando um coração toma essa estrada errada, é quando não ouve, é quando se deixa levar, conduzir-se pelos deuses, quando se torna idólatra.

Surdos na alma

"Também nós em algum momento nos tornamos surdos na alma, não ouvimos o Senhor", disse o Papa advertindo para os "fogos de artifício" que nos chamam, "os falsos deuses" que nos chamam à idolatria.

Esse é o perigo ao longo da estrada, rumo à terra que foi prometida a todos nós: a terra do encontro com Cristo ressuscitado."

Graça da memória

A "Quaresma nos ajuda a caminhar nesta estrada", disse, acrescentando que "não ouvir o Senhor" e as promessas que nos fez, é perder a memória: é quando se perde "a memória das grandes coisas que o Senhor fez na nossa vida, que fez na sua Igreja, em seu povo, e nos habituamos a caminharmos nós, com nossas forças", com a nossa autossuficiência.

Por isso Francisco exorta a iniciar a Quaresma pedindo "a graça da memoria".

Depois, ele volta ao sermão que Moisés fez ao povo, pouco antes, quando o exortou, uma vez chegado "àquela terra" que não conquistou, quando terá comido do trigo que não semeou, a recordar-se de "todo o caminho" que o Senhor lhe fez percorrer.

Mas quando estamos bem, quando temos tudo ao alcance da mão, "espiritualmente seguimos bem", há o perigo de perder "a memória do caminho", recordou o Papa Francisco:

"O bem-estar, inclusive o bem-estar espiritual tem este perigo: o perigo de cair numa certa amnésia, uma falta de memória: estou bem assim e me esqueço daquilo que o Senhor fez em minha vida, de todas as graças que nos deu e creio que é mérito meu e sigo adiante assim. E aí o coração começa a caminhar para trás, porque não ouve a voz do próprio coração: a memória. A graça da memória."

Sem voltar atrás

Francisco recordou uma passagem da Carta aos Hebreus que parece seguir o mesmo esquema, no qual se exorta a recordar "os primeiros dias".

"Perder a memória é muito comum", ressaltou o Pontífice: também o povo de Israel perdeu a memória. 
No perder a memória há algo de seletivo: recordo aquilo que me convém agora e não recordo algo que me ameaça."

Ele exemplificou o fato de que o povo recordava no deserto que Deus o havia salvado, "não podia esquecer isso". Mas, este povo começou a lamentar-se pela falta de água e carne "e a pensar nas coisas que tinha no Egito", como as cebolas.

Francisco ressaltou que isto tratava-se de algo "seletivo" porque "se esquece que todas essas coisas as comiam na mesa da escravidão".

Memoria que nos coloca no caminho justo

Em seguida, reiterou o convite à memória que nos coloca no caminho justo.

É preciso "recordar para seguir adiante; não perder a história: a história da salvação, a história da minha vida, a história de Jesus comigo".

Não parar, não voltar trás, não deixar-se levar pelos ídolos.

A idolatria, efetivamente, "não é somente ir a um templo pagão e adorar uma estátua".

"A idolatria é uma atitude do coração, quando tu preferes isso porque é mais cômodo para ti e não prefere o Senhor porque O esqueceste. No início da Quaresma nos fará bem a todos pedir a graça de custodiar a memória, custodiar a memória do Senhor inteiramente, de tuto aquilo que o Senhor fez em minha vida: como me quis bem, como me amou."

E, dessa recordação, continuar seguindo adiante. E nos fará bem também repetir continuamente o conselho de Paulo a Timóteo, seu amado discípulo: ‘Recorda-te de Jesus Cristo ressuscitado dos mortos'.

Repito: ‘Recorda-te de Jesus Cristo ressuscitado', recorda-te de Jesus, Jesus que me acompanhou até agora e que me acompanhará até o momento no qual devo comparecer diante d'Ele, Jesus glorioso. O Senhor nos dê essa graça de conservar a memória." (JSG)

(Da Redação Gaudium Press, com informações Vatican News)

VIDA NA CARNE E NO ESPÍRITO

A VIDA NA CARNE E A VIDA NO ESPÍRITO SEGUNDO S. PAULO APÓSTOLO

24 de outubro de 2011 - carta aos Romanos cap. 8- Texto do Pe. Fernando Cardoso - ver site ao lado direito, no topo da página.

“Se viverdes segundo a carne, morrereis – afirma Paulo – mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, então vivereis.” É preciso aqui explicar cada termo e seu peso respectivo no vocabulário teológico Paulino.

Carne é o homem todo para Paulo, mas sem Deus, sem ser conduzido por Deus, conduzido por ele mesmo, o homem, com suas paixões, com seus limites, com seu horizonte pequeno e fechado; o homem pecador.

Espírito, para Paulo, também não é a alma que se contrapõe ao corpo. Espírito para Paulo é o homem também, todo, inteiro, porém, conduzido por um outro Espírito: o Espírito de Deus. E assim, os homens espirituais são aqueles que, concretamente, deixam-se conduzir pelo Espírito de Deus, que receberam de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, como o único fruto e mais excelente de Sua paixão, morte e ressurreição.

O homem carnal é o homem, todo, inteiro também, não conduzido por Deus, de quem Deus não é o princípio nem o fim de suas próprias ações.

O homem espiritual, o homem conduzido por Deus, realiza plenamente a vontade de Deus. 

Se você a realiza de modo perseverante na vida de cada dia, é porque é movido, conduzido e guiado pelo Espírito de Deus. Caso contrário, se houver alguém que não realiza a vontade de Deus, pelo contrário, que esteja emaranhado pelos próprios vícios e pecados, este aqui é o homem carnal, este aqui é conduzido por ele mesmo, vive uma vida autárquica e sem Deus.


Para o primeiro, o fim é a Vida Eterna; para o segundo, o fim é a morte. Mas aqui também é preciso atenção: quando Paulo fala normalmente morte, “tanatos” em grego, não quer com este vocábulo unicamente, nem principalmente, designar a morte biológica. Para aqueles que são conduzidos por Deus, a morte biológica, diria eu, é uma pura encenação, é alguma coisa de irreal, é alguma coisa que não existe, pois a verdadeira morte para aquele que crê verdadeiramente em Cristo, já ficou para trás. Sua verdadeira morte deu-se, quando se uniu à paixão e morte de Jesus por ocasião de seu batismo. Essa morte, que chamamos biológica, nada mais é do que a cessação desta vida transitória, para o início de uma vida plena e definitiva, que não pode, evidentemente, ser chamada de morte.


Por isso mesmo Paulo nunca chama a esta morte biológica de morte. Ele reserva outro vocábulo a respeito dos que dormiram, ou então fala do sono.




Se você é uma pessoa conduzida pelo Espírito de Jesus, e se deixa conduzir por este Espírito, sua morte perigosa, aquela que se deve temer, já ficou para trás. A morte biológica nada mais é do que passagem para a plenitude de vida. E neste caso, sua vida não é tirada, é simplesmente transformada, e transformada para melhor.

PACIÊNCIA

A PACIÊNCIA


Outra virtude necessária aos cristãos é a paciência. S. Francisco de Salles (séculos 16/17) era muito irascível, até que converteu-se, tornando-se o “Santo da Paciência!” 

Já nos adverte Efésios 4,26-27: “Que o sol não se ponha sobre a vossa ira! Não deis entrada ao demônio!”. O demônio se sente “à vontade” num ambiente em que pelo menos uma pessoa está irada. A inimizade, a discórdia, o ódio, a irritação, os gritos histéricos, são “a praia” do demônio, do maligno. Numa discussão, por exemplo, o que se deixa levar pela ira, pela impaciência, perde, mesmo que esteja com a razão.

O livro “A Imitação de Cristo” diz, no cap. 3 do livro 2:

“Quem não está em paz, converte em mal até o bem. O homem bom e pacífico, porém, faz com que tudo se converta em bem. Nas irritações dizemos muitas coisas que não diríamos na calma, que não deveríamos dizer, e atendemos às obrigações alheias e nos descuidamos das nossas (...) Suportemos os outros, para sermos suportados”. 

S. Paulo nos diz em 1ª Tessalonicenses 5,14.16:

“Sejam pacientes para com todos.(...). Estejam sempre alegres”. (Ver também Tiago 5,8). Mateus 5,5: “Felizes os mansos, porque possuirão a terra”; Mateus 11,9: “Aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração”. 

Quem é paciente vive em paz, conseguirá alcançar a “terra prometida”, para nós o paraíso, o final feliz da caminhada. “Devagar se vai ao longe”, se diz no italiano. Ou São Tomás de Aquino: “È melhor andar mancando no caminho certo do que correr no caminho errado”. 

Uma coisa errada que às vezes fazemos é ficar olhando no relógio quando alguém quer falar conosco e não estamos dispostos a “´perder tempo” com ele. Muitas vezes não é perda de tempo, pois a pessoa está necessitada de alguma atenção. Aliás, nunca temos tempo, a não ser quando temos algum interesse na conversa. Muitas famílias não se conversam porque estão vendo TV, novelas e ai de quem falar com alguém! Espero que Jesus não fique impaciente, olhando no relógio dele, quando eu precisar falar com ele!

Diz o Eclesiástico 2,14: “ Ai de vocês que perderam a paciência! O que farão vocês quando o Senhor lhes pedir contas?”

Muitos católicos deixaram a religião e passaram para os protestantes ou para os evangélicos por causa do acolhimento que essas igrejas lhes fizeram, ao contrário de muitas igrejas católicas que não sabem acolher. Quantas pessoas não se achegam à confissão porque o padre não tem paciência com a demora e até levam uma “bronca” daquele que está ali para servir, e não para ser servido. 

Os problemas e a vida daquela pessoa são muito importantes! Mesmo que aquela pessoa não conte nenhum pecado grave, o padre deveria atender e ouvir com amor, solicitude, mansidão. O padre que fizer isso vai progredir a passos largos na fé e será acolhido por Deus, além de ter a participação na comunidade aumentada. O tempo do padre é, antes de tudo, do povo, não dele mesmo. Diz Mateus 20,28: 

“O Filho do Homem não veio para ser servido.Ele veio para servir e para dar a vida como resgate em favor de muitos.”

Não só os padres, mas todos nós devemos ter paciência, também, com os doentes e necessitados, fazer-lhes visitas rápidas (visitas longas cansam e enfadam o doente), suprir-lhes as necessidades. Gastar tempo com eles é gastar tempo com o próprio Jesus, e no final, não estamos gastando, mas ganhando nosso tempo. 

Por fim, tenhamos cuidado com as palavras. Mateus 5,37: “Seja o vosso 'sim', sim, e o vosso 'não', não. O que passa disso vem do maligno”. Ou seja, ser sincero e verdadeiro no que falamos (comentário da Bíblia de Jerusalém). Mateus 12,36-37 fala que seremos julgados segundo nossas palavras. Em Efésios 4,29.31: “Não saia de vossos lábios nenhuma palavra inconveniente, mas na hora oportuna a que for boa para edificação, que comunique graça aos que a ouvirem.(...) Toda amargura e exaltação e cólera, e toda palavra pesada e injuriosa, assim como toda a malícia, sejam afastadas de entre vós”


“ DEUS NOS PERMITE O SOFRIMENTO PARA NOS PURIFICAR, A FIM DE QUE POSSA NOS INFUNDIR A SUA SANTIDADE” (Hebreus 12,10).



NADA TE PERTURBE, NADA TE ESPANTE, TUDO PASSA. A PACIÊNCIA TUDO ALCANÇA. A QUEM A DEUS TEM, NADA LHE FALTA. SÓ DEUS BASTA! ( Sta Teresa de Ávila) 

SINCERIDADE

A SINCERIDADE


A sinceridade é a base de nosso relacionamento com Deus e com todos. Diz o salmo 119/118,1: “Felizes os íntegros em seu caminho, os que andam conforme a lei do Senhor”. São ridículas aquelas pessoas que elogiam a tudo e a todos, mas sempre estão descontentes com tudo e com todos. 

Por outro lado, o elogio sempre faz bem quando é merecido. A crítica só deve ser feita se a pessoa em questão for sua subordinada ou se ela lhe pedir. As pessoas se ofendem muito quando alguém lhes chama a atenção.

Entretanto, se eu for me confessar com algum padre, este deverá ser muito sincero para comigo, mostrar-me a verdade a meu respeito, sem rodeios. Muitos estragos têm sido feitos em pessoas, por não se lhes terem dito a verdade a respeito de sua vida de pecado. 

Para ser sincero com os outros, preciso ser sincero comigo mesmo, aceitando-me como sou, assumindo-me como sou, conhecendo e aceitando meus próprios limites e defeitos, mesmo que isso doa, ter consciência plena e humilde dos próprios pecados e pedir perdão deles a Deus, confessando-se pelo menos algumas vezes por ano. Isso nos leva à salvação e a uma alegria infinda, a uma paz deliciosa, como diz 1ª João 1,8-10:

“Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a Verdade não está em nós. Se reconhecermos os nossos pecados, Deus, que é fiel e justo, perdoará os nossos pecados e nos purificará de toda a injustiça. Se dizemos que nunca pecamos, estaremos afirmando que Deus é mentiroso, e sua palavra não estará em nós.

Há muitas pessoas que são do “time” “Me engana que eu gosto”, ou seja, que não aceitam nenhuma crítica às suas pessoas, por mais construtivas sejam. A hipocrisia é bem comum na sociedade atual. Muitas pessoas mentem, inventam, “enrolam” os outros, exageram, maquiam a verdade, tentam parecer o que nunca foram ou mesmo o que nunca serão, etc. 

Nossa hipocrisia começa logo de manhã quando cumprimentamos uma pessoa. Você está realmente querendo saber como ela está? Se a pessoa tiver a infelicidade de responder e tentar lhe mostrar o que não anda bem nela, você logo a descarta e lhe promete que num outro dia a escuta, e que está com pressa. Sempre estamos com pressa. 

No escritório, mais falsidade, quando temos que concordar com os chefes e dizer que está tudo bem, quando na verdade muitas vezes discordamos do que estamos fazendo de modo obrigatório. 

Nas prisões, a coisa piora: tanto os presos têm que concordar com os funcionários, como eles também têm que mostrar que é aquilo mesmo que querem, quando, na verdade, estão apenas cumprindo ordens. Os funcionários de uma prisão são bem diferentes quando estão em suas vidas normais. No trabalho, precisam mostrar uma cara de brabo, que muitas vezes não têm na vida normal. 

Quantas vezes temos que rir de piadas sem graça, só para contentarmos quem as contou! E concordar com tantas coisas às vezes contra nossa vontade!

Os pastores e os padres, coitados, quanta ginástica precisam fazer, nas homilias, para não ofenderem estes ou aqueles! Qualquer assunto de que falam sempre provoca críticas, nunca contentam a todos (e nem devem, se quiserem ser verdadeiros!). Quando o assunto é pecado, porém, os pastores e os padres devem sempre ser sinceros, mesmo que percam a amizade daquela pessoa. Nunca enganar a ninguém nesse assunto. São João Batista morreu assassinado por ter denunciado o adultério de Herodes! 

Jesus vivia pregando contra os fariseus e autoridades do tempo, por causa do fingimento e da hipocrisia, como em Mateus 23,27-28: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes a sepulcros caiados...”


Lucas 12, 1: “Acautelai-vos do fermento (=hipocrisia) dos fariseus!”

Tiago 3,17: “A sabedoria que vem do alto(...) é isenta de parcialidade e hipocrisia.”

Mateus 6,2.5.16 fala que é hipocrisia dar esmolas para sermos vistos. Mateus 23,13 diz que os escribas bloqueiam o Reino dos Céus aos homens, e eles mesmos não vão conseguir entrar. 

Outro tipo de hipocrisia é quando um assassino pega 13 anos de prisão e alguém que não matou ninguém pega 20 anos; ou aquele rapaz que foi preso por ter roubado uma barra de chocolate ao passo que certos políticos roubam milhões e nunca vão presos. 

Também o fato da sociedade, que aplica uma pena tão alta para atentado ao pudor, é a que mais faz propaganda desse tipo de coisas. Ou os pais, que só começam a arrancar os próprios cabelos, quando a filha fica grávida. Se não tivesse ficado grávida, poderia continuar em pecado quanto quisesse. Isso não é uma horrível hipocrisia? 

Agora, o pior tipo de hipocrisia é quando mentimos para nós mesmos e para Deus! SOMOS O QUE SOMOS DIANTE DE DEUS! Somos levados a pensar que somos melhores do que os outros, que levamos vantagens sobre outras pessoas, que temos supremacia ou sei lá mais o quê... Acabamos fingindo para nós mesmos, para os outros e para Deus. Se eu não me aceitar como eu sou, nunca vou melhorar nem vencer-me. E não podemos enganar a Deus. Isso é impossível! 



Dizia D. Valfredo Tepe: “Deus nos aceita como somos para transformar-nos naquilo que Ele quer que sejamos”.

CARIDADE

A CARIDADE


Geralmente não percebemos como prejudicamos a convivência com outras pessoas com nosso egoismo, narcisismo, individualismo, pedantismo, pão-durismo etc. 

O cristão precisa aprender a controlar esses “ismos” todos e viver na humildade e na caridade, agindo como se nada possuísse e como se fosse indigno de tudo. 

Ser humilde é ter consciência do que se é, aceitar-se como se é. Ser humilde não é a mesma coisa que ser tímido. Humildade é virtude, ao passo que timidez é defeito!

Ser humilde é agir de acordo com as próprias qualidades e capacidades, sem querer pavonear-se das qualidades. É também reconhecer que os demais também possuem capacidades e qualidades. 

Ter medo de agir, muitas vezes, é soberba, vaidade, mas não humildade. Exemplo: muitos não querem ler nas missas por vergonha de errar (ou seja, por vaidade), e não por humildade. Seria, do mesmo modo, falta de humildade querer ler a leitura da Missa para que saibam que você é bom na leitura. 

Se você aceitar algum serviço ou cargo, tenha como único motivo a glória de Deus e o bem das pessoas, como diz 1ª Coríntios 10,31-33: 

“Quer comais, quer bebais, quer façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”(...)”Em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar”. 

É preciso aprender a vigiar nossas ações pra não prejudicar o próximo no dia a dia, fazendo de tudo para viver apenas com o necessário, sem muitas exigências. Em tudo demonstramos se amamos ou não os demais: no banho (muitos demoram demais), na alimentação (muitos pegam tudo e deixam o outro sem nada), na limpeza (muitos sujam tudo e não limpam nada), na prestatividade (muitos acham que os outros são seus empregados) etc. 

O cristão autêntico nunca vai querer tirar vantagem em tudo, pois a nossa única vantagem é o paraíso, a vida eterna! O resto é o resto! O restante das coisas é lixo, como diz S. Paulo em Filipenses 3,8:

“Tenho tudo como esterco, em busca do Reino de Deus” Romanos 12,3: “ Não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus proporcionou a cada um”.

Sobretudo, devemos ser humildes para com Deus, não o tentando pela falta de humildade, como pede Sabedoria 1,1-5: 

“Deus se revela aos que o buscam com a simplicidade de coração, aos que não o tentam”.

Peçamos- lhe as graças com humildade, submissão, colocando-nos em suas mãos para o que ele quiser de nós, deixando-o “livre” para que ele faça conosco o que bem quiser. Lembremo-nos de que tudo o que recebermos, deixaremos aqui no dia de nossa morte, e tudo o que partilharmos, nos acompanhará à vida eterna. Acolher e respeitar nosso próximo nos abre para o acolhimento de Deus.

Tudo o que dermos a qualquer pessoa, é ao próprio Deus que estamos agradando, e Ele, que nos ama tanto, nos retribuirá. Eclesiástico 4,10 diz que tudo o que quisermos dar a Deus, demo-lo aos pobres e demais necessitados! 

Temos de encontrar tempo para acolher, ouvir e conversar com quem nos procurar. Deus encontrará um “tempo” também para nós. Tenhamos misericórdia dos que erram. Ajudemo-los a se recuperarem e a recomeçarem nova vida. Deus terá também misericórdia de nós e de nossa família (Mateus 6,14-15). Diz Tiago 2,13: [

“A misericórdia triunfa sobre o juízo”. 

Para vivermos em harmonia, nunca julguemos quem quer que seja, como nos pede Lucas 6,36-37: “ Sede misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados”.

Julgar é diferente de fazer uma crítica. Julgar é colocar más intenções naquilo que a pessoa falou ou fez. Se não soubermos os motivos pelo qual o outro fez isto ou aquilo, calemo-nos! Se precisarmos admoestá-lo, pensemos bem nisto: nunca coloquemos em suas “costas” uma culpa que achamos que ele tem. Ou seja: pode ser que a pessoa fez o que fez por fraqueza, ou outro motivo qualquer, e não por maldade ou “sem-vergonhice”.

Se uma pessoa quebrar algo, por exemplo, podemos até pedir-lhe mais cuidado com aquilo; isso não é julgar. O que não podemos fazer é dizer que a pessoa fez aquilo de propósito, apenas para contrariar-nos. Isso seria julgar. Diz S. Paulo, no capítulo 13 da primeira carta aos Coríntios, que a caridade nunca se findará, nem no céu. Vale a pena ler o capítulo todo, para perceber até que ponto devemos amar e “deixar para lá” tantas coisas que são motivos de brigas!

Jesus resumiu os dez mandamentos em três: Amar a Deus sobre todas as coisas, amar ao próximo e amar a si mesmo. Devemos amar ao próximo na mesma medida com que nos amamos. Amar a Deus, na verdade, se realiza no amor ao próximo. 

Amar significa perdoar sem medida, como diz Lucas 17,4:

“ Se o irmão pecar contra você 7 vezes no dia e 7 vezes no dia vier a você e lhe disser: arrependo-me, perdoe-lhe!”. 

Entretanto, o perdão implica numa reparação, numa compensação da parte que ofendeu. Se for um crime, deve ser normalmente julgado pela justiça. 

A caridade também é partilha dos bens. Dificilmente vamos ficar sem recompensa quando sabemos partilhar. Deus nunca deixa falar nada aos que partilham, como Lucas 6,38:

“Dai e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos colocarão no vosso colo, porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo”. 

É imbecilidade nos apegarmos aos bens materiais ou nos preocuparmos em demasia com o futuro. “O futuro a Deus pertence”, diz o ditado.

quinta-feira, 14 de março de 2019

TEMPO DA QUARESMA



QUARESMA: DA ESCRAVIDÃO À LIBERDADE


Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 1-03-2017, Gaudium Press


Conteúdo publicado em gaudiumpress.org,no 


Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 1-03-2017,Gaudium Press) Nesta quarta-feira de cinzas, início da Quaresma, o período em que se prepara para a Páscoa do Senhor, o Papa Francisco, dirigindo-se a milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro destacou que ela é um "caminho de esperança" que deve conduzir os fiéis católicos da "escravidão" à "liberdade".


Com isso o Papa deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Esperança que ele vem realizando. Em suas palavras ele afirmou que a Quaresma "é um caminho certamente exigente, como é bom que seja, porque o amor é exigente, mas é um caminho cheio de esperança. Mais: o êxodo quaresmal é o caminho no qual a própria esperança ganha forma".

O Santo Padre lembrou as práticas penitenciais que são normalmente realizadas neste período de preparação para Páscoa. Ele ressaltou que "o cansaço de atravessar o deserto -com todas as provas, as tentações, as ilusões, as miragens- tudo isso serve para forjar uma esperança forte, sã".

Êxodo: saída da escravidão para a liberdade

Neste sentido, é preciso olhar para a experiência do Êxodo do povo de Israel, que Deus libertou da escravidão do Egito por meio de Moisés, e guiou durante quarenta anos no deserto até entrar na Terra da liberdade:

"Simbolicamente dura 40 anos, ou seja, o tempo de vida de uma geração. Muitas vezes, o povo, diante das provações do caminho, sente a tentação de voltar ao Egito. Mas o Senhor permanece fiel e guiado por Moisés, chega à Terra prometida: venceu a esperança. É precisamente um ‘êxodo', uma saída da escravidão para a liberdade. Cada passo, cada fadiga, cada provação, cada queda e cada reinício... tudo tem sentido no âmbito do desígnio de salvação de Deus, que quer para seu povo a vida e não a morte; a alegria e não a dor".


O Santo Padre afirmou, então, que "A Páscoa de Jesus é também um êxodo. Ele nos abriu o caminho e para fazê-lo, teve que se humilhar, despojar-se de sua glória, fazendo-se obediente até a morte na Cruz, libertando-nos, assim, da escravidão do pecado. Mas isto não quer dizer que Ele fez tudo e nós não precisamos fazer nada."

Sinal de conversão




Jesus nos indica o caminho da nossa peregrinação pelo deserto da vida, um caminho exigente, mas cheio de esperança. Reafirmando o sentido da Quaresma como "sinal sacramental de nossa conversão", o Papa concluiu:

"O êxodo quaresmal é o caminho no qual a própria esperança se forma. É um caminho dificultoso, como é justo que seja, mas um caminho pleno de esperança. Como o percorrido por Maria, que em meio ás trevas da Paixão e Morte de seu Filho, continuou a crer em sua ressurreição, na vitória do amor de Deus".


Quaresma 


A Quaresma é um período de 40 dias marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão. 


Por isso foi que o Santo Padre, de modo apelativo, conclamou a todos para que "Com o coração aberto a este horizonte, entremos na Quaresma. Sentindo-nos parte do povo santo de Deus, comecemos com alegria este caminho de esperança". (JSG)


Cidade do Vaticano (Sexta-feira, 03-03-2017, Gaudium Press) O tema da homilia proferida pelo Papa Francisco na missa matutina celebrada na Capela da Casa Santa Marta foi o jejum. O verdadeiro jejum que agrada a Deus.


O VERDADEIRO JEJUM










As leituras propostas pela liturgia falam do jejum, ou seja, "da penitência a que somos convidados a fazer no tempo da Quaresma" para aproximar-nos ao Senhor, conforme explicou Francisco que recordou também que, conforme diz o Salmo, a Deus agrada "o coração penitente", "o coração que se sente pecador e reconhece ser pecador".

Leitura do Profeta Isaías


Na primeira leitura, o Profeta Isaías mostra como Deus repreende a falsa religiosidade dos hipócritas. Eles jejuam e, enquanto cuidam dos próprios negócios, "ferindo com punhos iníquos", oprimem os operários e brigam. 


Estes hipócritas, segundo o Papa, fazem penitência de um lado e cometem injustiças do outro lado. Eles fazem "negócios sujos".


Jejum Verdadeiro


Deus Nosso Senhor nos pede um jejum verdadeiro. Um jejum que esteja também com a atenção voltado para o próximo:

"O outro é o jejum "hipócrita" - é a palavra que Jesus tanto usa - é um jejum para se mostrar ou para sentir-se justo, mas ao mesmo tempo cometem injustiças, não são justos, exploram as pessoas. "Mas eu sou generoso, farei uma bela oferta à Igreja" - 'Mas me diga, tu pagas o justo às tuas domésticas? Paga teus funcionários sem assinar a carteira? Ou como quer a lei, para que possam dar de comer aos seus filhos? '", interrogou Francisco.

Para explicar seu pensamento, o Papa contou um fato ocorrido com o Superior Geral dos Jesuítas, Padre Arrupe.


Um grande homem de negócios procurou o Superior Geral para oferecer-lhe uma doação para suas atividades de evangelização. Ele trazia consigo um fotógrafo e um jornalista e entregou ao Padre um envelope que continha apenas 10 dólares...

O Santo Padre comentou com seus ouvintes:



"Nós também fazemos o mesmo quando não pagamos o justo a nossa gente. Pegamos de nossas penitências, de nossos gestos, do jejum, da esmola, aceitamos uma propina: é o suborno da vaidade, de se mostrar. E isso não é autenticidade, é hipocrisia. É por isso que Jesus diz: ‘Quando vocês rezarem, entrem no seu quarto, fechem a porta, no escondido, quando derem esmola não faça soar a trombeta, quando jejuar não fiquem tristes.

Isto é o mesmo que dizer: Por favor, quando vocês fizerem uma boa obra não aceitem propina desta boa obra, é somente para o Pai."


Isaías e nossos dias

Citando o Profeta Isaías, quando o Senhor fala aos hipócritas sobre o jejum verdadeiro, Francisco afirmou que elas são significativas também "para os nossos dias": 

"Não é este o jejum que escolhi: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, e romper todo tipo de sujeição?

Não consiste talvez em dividir o pão com o faminto, deixar entrar em casa os pobres, os sem-teto, vestir o que está nu sem transcurar os próprios parentes?

Pensemos nestas palavras, pensemos em nosso coração, como nós jejuamos, rezamos, damos esmolas (...)

Nos fará bem pensar nisso."

(Da Redação Gaudium Press, com informações RV)



O JEJUM HIPÓCRITA

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 06-03-2017, Gaudium Press) Em recente homilia feita na Capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco explicou como rezar, fazer jejum e dar esmola durante a quaresma.

O Papa advertiu àqueles que fazem um "jejum hipócrita", que só procuram o reconhecimento dos demais ou a própria satisfação.




Francisco afirmou que "Isto é o mesmo que nós fazemos quando não pagamos o justo a nossos funcionários. Nós recebermos por nossas penitencias, por nossos gestos de oração, de jejum, de esmola, é tirar proveito. É suborno de vaidade, de procurar sermos vistos. E isto não é autenticidade, é hipocrisia.


Por isso, quando Jesus disse: ‘Quando rezarem, façam às escondidas, quando derem esmola não façam soar a trombeta, quando jejuarem não se façam de abatidos', é como se dissesse:

‘Por favor, quando fizerem uma boa obra não tireis proveito desta boa obra. É só para o Pai'".

Conselhos evangélicos

"‘Por acaso não é este o jejum que quero: romper as correntes iníquas, desfazer os laços do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e quebrar toda a opressão? Por acaso não consiste em repartir o pão com o faminto, fazer entrar em casa os pobres, aos sem teto, vestir os nus sem descuidar dos parentes?'", relembrou Francisco. 


"Pensemos nestas palavras, pensemos em nosso coração, no modo como jejuamos, rezamos e damos as esmolas. Também vai nos ajudar pensar no que sente um homem depois de um jantar que custou 200 euros, por exemplo, e regressando para sua casa vê um homem faminto, nem olha para ele e segue caminhando. Vai nos fazer bem pensar nisto", concluiu o Papa. 

(JSG)



Para aprender a fazer o bem: ações concretas e não só com palavras, ensina Francisco





Inspirando-se na primeira leitura do dia, em sua homilia o Papa indicou o caminho da conversão que a Quaresma pede: fazer o bem com ações concretas, não com palavras.

Na leitura comentada por Francisco, o Profeta Isaías lembra que na conversão deve-se afastar do mal e aprender a fazer o bem, um binômio inseparável neste percurso.

O Papa comentou o trecho afirmando que "cada um de nós, todos os dias, faz algo de mau", pois que, de fato, a Bíblia diz que "o mais santo peca sete vezes ao dia".

O problema, porém, disse Francisco, está em "não se acostumar em viver nas coisas feias" e afastar-se daquilo que "envenena a alma", que a torna pequena.

É preciso aprender a fazer o bem

"Não é fácil fazer o bem: devemos aprendê-lo, sempre. E Ele nos ensina. Mas: aprendam. Como as crianças. No caminho da vida, da vida cristã se aprende todos os dias. Deve-se aprender todos os dias a fazer algo, a ser melhores do que o dia anterior. Aprender. Afastar-se do mal e aprender a fazer o bem: esta é a regra da conversão. Porque converter-se não é consultar uma fada que com a varinha de condão nos converte: não! É um caminho. É um caminho de afastar-se e de aprender".

Aprende-se a fazer o bem com ações concretas

É necessário coragem para afastar-se do mal e humildade para aprender a fazer o bem que se explicita em fatos concretos, o Pontífice:

"Ele, o Senhor, aqui diz três ações concretas, mas existem muitas outras: busquem a justiça, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva... mas, ações concretas. Aprende-se a fazer o bem com ações concretas, não com palavras. Com fatos... Por isso, Jesus, no Evangelho que ouvimos, repreende esta classe dirigente do povo de Israel, porque ‘diz e não faz', não conhecem a concretude. E se não há concretude, não pode haver a conversão".

Francisco continua seus comentários a propósito da primeira leitura falando do convite do Senhor: "Vinde, debatamos". "Vinde": uma bela palavra, diz ele, uma palavra que Jesus dirigiu aos paralíticos, à filha de Jairo, assim como ao filho da viúva de Naim. E Deus nos dá uma mão para "ir".

E é humilde, se abaixa muito para dizer: "Vinde, debatamos". E o Papa, então, ressalta o modo como Deus nos ajuda: "caminhando juntos para ajudar-nos, para nos explicar as coisas, para nos tomar pela mão".
O Senhor é capaz e procura "fazer este milagre", que é de "nos transformar", continuamente, no caminho da vida e não de um dia para outro:

"Convite à conversão, afastem-se do mal, aprendam a fazer o bem ... ‘Vinde, debatamos, vinde a mim, debatamos e prossigamos'. ‘Mas tenho muitos pecados ...'
- ‘Mas não se preocupe: se os seus pecados são como escarlate, se tornarão brancos como a neve'.

Caminho da conversão

Aqui está o caminho da conversão quaresmal:

É um Pai que fala, é um Pai que nos quer bem, nos quer bem. O Senhor nos acompanha no caminho da conversão. Ele só nos pede que sejamos humildes. Jesus diz aos dirigentes: ‘Quem se exaltar, será humilhado e quem se humilha será exaltado'".

E aí está então, "o caminho da conversão quaresmal":

Afastar-se do mal, aprender a fazer o bem", levantar-se e ir com Ele e "os nossos pecados serão todos perdoados". (JSG)

(Da Redação Gaudium Press, com informações RV)


quinta-feira, 7 de março de 2019

C. FRAT. 2019- MENSAGEM DO PAPA



“Campanha da Fraternidade – 2019”, Papa envia Mensagem

6 de Março de 2019 /

Brasília (DF) (Quarta-feira, 06-03-2019, Gaudium Press) A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre nesta quarta-feira de Cinzas, (06/03), a Campanha da Fraternidade que neste ano terá como tema "Fraternidade e Políticas Públicas" e como lema "Serás libertado pelo direito e pela justiça" (Is 1,27).

A CF-2019 deverá desenvolver-se durante o período da Quaresma, quando a CNBB procurará chamar a atenção para o tema das políticas públicas, ações e programas desenvolvidos pelo Estado.

Com isto, os bispos pretendem levar os fiéis à participação em políticas públicas.

No texto-base da campanha deste ano os bispos falam sobre o ciclo e etapas de uma política pública e fazem distinção entre as políticas de governo e as políticas de Estado.

A CNBB procura justificar a CF afirmando tratar-se de um caminho de conversão quaresmal. 
Segundo o organismo dos bispos, trata-se de uma atividade ampla de evangelização que pretende ajudar os cristãos e pessoas de boa vontade a vivenciarem a fraternidade a partir de temas específicos.

Em 2019, os bispos incentivam todos a percorrer o caminho da participação na formulação, avaliação e controle social das políticas públicas em todos os níveis, seguindo eles, como forma de melhorar a qualidade dos serviços prestados.

MENSAGEM DO PAPA

Francisco enviou à CNBB uma mensagem por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade e aqui transcrevemos alguns trechos dela:

"Com o início da Quaresma, somos convidados a preparar-nos, através das práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, para a celebração da vitória do Senhor Jesus sobre o pecado e a morte. Para inspirar, iluminar e integrar tais práticas como componentes de um caminho pessoal e comunitário em direção à Páscoa de Cristo, a Campanha da Fraternidade propõe aos cristãos brasileiros o horizonte das "políticas públicas". "

Gaudium et spes

"Muito embora aquilo que se entende por política pública seja primordialmente uma responsabilidade do Estado cuja finalidade é garantir o bem comum dos cidadãos, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam " conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição" (Gaudium et spes, 74)."

(...) "Cientes disso, os cristãos - inspirados pelo lema desta Campanha da Fraternidade «Serás libertado pelo direito e pela justiça» (Is 1,28) e seguindo o exemplo do divino Mestre que "não veio para ser servido, mas para servir" (Mt 20,28) - devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça."

Documento de Aparecida

(...)"De fato, "são os leigos de nosso continente, conscientes de sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal, os que têm de atuar à maneira de um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus" (Documento de Aparecida,n. 505).

(...) "Refletindo e rezando as políticas públicas com a graça do Espírito Santo, faço votos, queridos irmãos e irmãs, que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, ajude todos os cristãos a terem os olhos e o coração abertos para que possam ver nos irmãos mais necessitados a "carne de Cristo" que espera ‘ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós' (Bula Misericórdia vultus, 15).

(...) E para lhes confirmar nesses propósitos, confiados na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, de coração envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim." (JSG