quinta-feira, 24 de maio de 2018

CELULARES

Basta clicar na palavra "Início", aí acima.

O PODER DO AMOR DE CURAR

O Poder do Amor Que Cura e Liberta

Não existe nenhum poder maior do que o “amor”. O amor cura, liberta, solidifica o relacionamento, constrói amizade, fundamenta comunhão, é o elo de união familiar, profissional e social. O amor configura o ser humano no equilíbrio emocional e na paz espiritual. Os gestos relacionados ao amor aumentam a produção de endorfinas, o que, por sua vez, melhora o nosso sistema imunológico.

O célebre médico neurologista austríaco, professor, pesquisador, cientista e criador da psicanálise Dr. Sigmund Freud afirmou de forma magistral: “Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!”. “Em última análise, precisamos amar para não adoecer”.

A vida só tem sentido na dimensão do amor. Esse é o sublime sentimento que envolve a pessoa completamente: corpo, alma e razão. Alimentar o coração com amor faz sentimentos ruins morrerem de fome! A mente amorosa é alívio para o espírito e serenidade no convívio. O amor blinda os atos e pessoas negativas. O amor vence os projetos malignos e faz demolir as pessoas mal intencionadas. A pessoa cheia desse sentimento faz com que gente com energia negativa se afaste dela. A força da luz na pessoa tomada por amor repudia as trevas.

Quem faz a opção pelo amor revela ser inteligente e constrói benefícios com forte estrutura, do contrário, o ignorante cava a sua própria sepultura. É fato, a falta de amor é uma das principais causas de doença, fracasso e de vida solitária. Ninguém suporta conviver com gente que ausente está desse virtuoso sentimento. O pior veneno que a pessoa carrega é a falta de capacidade de amar que mata a alma e esta é a morte mais terrível que faz a pessoa um cadáver ambulante e o seu fedor afasta as pessoas.

O verdugo de si mesmo é não si amar. A autoflagelação, autopenalização e a prisão interior são um castigo insuportável! Quando você vê pessoa maltratando e infernizando a vida dos outros é o resultado do inferno interior e a cadeia que vive sua alma. Esse presídio causa as maiores desgraças na pessoa e quem ela pode atingir. Tais pessoas são mascaradas, se escondem por trás da posição social, dos títulos acadêmicos, da democracia, do falso carismatismo e o seu preferido disfarce é o campo religioso. Este campo se camufla muitas patologias e as covardias são as mais cruéis possíveis!

Segundo o urologista americano e especialista em relações matrimoniais Dr. Abraham Stone, disse: “O amor é o maior remédio”.

O amor é o poder transformador do impossível ao possível, proporciona prosperidade para nossas vidas. Ame-se e ame seu semelhante e viva cada vez mais esse poderoso sentimento! Nada é mais importante do que uma vida feliz com saúde física e mental.

Dr. A. Inácio José do Vale

Psicanalista Clínico, PhD

Professor e Conferencista

Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea/RJ. E da Ordem Nacional dos Psicanalistas/RJ.





VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA



As relações dramáticas, humilhações, desprezo, como a violência psicológica, não só leva as doenças físicas como também podem levar ao suicídio. É de radical importância cuidar da saúde mental e não manter relações que causam torturas psicológicas. O bem-estar físico e emocional é tudo para vida feliz!

3 sinais que a violência psicológica deixa no corpo

A violência psicológica deixa marcas não só mentais, mas também físicas. Prova disso são doenças que a ciência considera como complexas de tratar, já que são enfermidades que não obedecem a causas ou origens possíveis de serem eliminadas com algum medicamento da farmácia.

Embora sabemos que o corpo e a mente formam uma unidade, na prática costumamos vê-lo como algo separado. Porém, tudo o que afeta as emoções transforma diretamente o organismo. E um fenômeno tão impactante quanto à violência psicológica não pode ser tratado com menosprezo.

As marcas da violência psicológica podem ser tão graves quanto à da física. A seguir falamos de 3 sinais mais importantes que a violência psicológica deixa no corpo.

1. Gastrite nervosa: Uma possível marca da Violência psicológica.

A gastrite é a inflamação da mucosa gástrica, aquela “capa” que envolve o estômago por dentro. Os principais sintomas dessa doença são a dor abdominal aguda, uma sensação de ardor na barriga e muita acidez estomacal. Tais sintomas podem ser incapacitantes.

Este tipo de gastrite está acompanhada por alguns sintomas emocionais. Os mais visíveis são a inquietude, preocupação, estresse, nervosismo e tensão. A principal causa desse “combo” de sentimentos é chamada de ansiedade generalizada, com suas múltiplas características.

A gastrite nervosa é em muitos casos uma marca física da violência psicológica que a pessoa se auto-inflige. Há uma auto-exigência muito alta e isso conduz a uma constante tensão emocional. Desencadeando um episódio de estresse e, com o tempo, conduz ao sentimento ansioso generalizado. O afetado não escuta o que diz seu corpo. Se agride e causa dano a si mesmo, muitas vezes sem se dar conta.

2. Hipertensão

A hipertensão é outra dessas consequências que podem derivar da violência psicológica. O ser humano vem filogeneticamente preparado para reagir diante das situações de perigo. Tanto seu corpo, como sua mente, respondem ao perigo desencadeando reações que buscam a preservação da vida.

A pressão arterial se eleva quando há um sinal de perigo e o corpo deve se preparar para defender-se ou buscar ajuda. Quando o perigo desaparece, a tensão volta ao seu ritmo normal. Se o perigo está na mente, então se experimenta uma situação de risco constante, que, por sua vez, faz que a pessoa mantenha uma tensão alta para poder se manter alerta.

Quem se sente atacado ou menosprezado constantemente tende a ter predisposição para desenvolver hipertensão. Em outras palavras, quem permanece em uma posição defensiva diante de uma situação de violência psicológica sofrida. A hipertensão é comum em pessoas que continuam em situações conflituosas e, muitas vezes, perigosas para sua integridade.

3. Derrames oculares.

Os derrames oculares são essas hemorragias que às vezes aparecem na parte branca do olho (esclerótica). O usual é que este tipo de hemorragias não produção basicamente nenhum sintoma. Não doem, não afetam a visão nem tampouco ocasionam moléstias no olho. Simplesmente aparecem um dia qualquer e logo vão sumindo. A ciência desconhece a causa pela qual isto se produz. No entanto, há algumas hipóteses a respeito.

Do ponto de vista psicossomático, o derrame ocular pode falar de violência psicológica. Podemos interpretar como um golpe emocional recebido na cara, mas cujas causas e consequências foram reprimidas. O corpo reage como se efetivamente tivesse recebido um golpe no rosto, mesmo que este não seja um golpe físico.

O derrame ocular pode ser interpretado como uma ferida por aquilo que foi visto ou se vê não necessariamente de maneira física. É uma forma que a mente tem de expressar, através do corpo, que está sofrendo com o panorama que contempla. Isto se dá em condições de violência psicológica.

Infelizmente, muitas vezes não se dá a mesma importância para a saúde emocional dada a saúde física, como se fosse possível separá-las e tivessem relevâncias distintas. Este é um erro grave. As experiências negativas, como a violência psicológica, não só leva a enfermidades físicas como também podem conduzir a morte. Neste sentido, cuidar das nossas relações é também preservar a nossa vida.

Violência Psicológica

Por ser subjetiva e, por isso, de difícil identificação, a violência psicológica, na maioria dos casos, é negligenciada até por quem sofre - por não conseguir perceber que ela vem mascarada pelo ciúme doentio, manipulação, controle, humilhações, ironias e ofensas.

Segundo definição da OMS (Organização Mundial da Saúde) ela é entendida como:

Qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.

A forma como é feita a violência psicológica provoca adoecimento físico e do mesmo modo produz vergonha, medo, humilhação, angústia, estresse, depressão que deixa cicatrizes psicológicas profundas. As pessoas que sofrem tortura psicológica muitas vezes precisam de tratamento psicoterapêutico para conseguir superar o trauma que pode levar ao afastamento da sociedade ou, em casos extremos, conduzir ao suicídio.

Dr. A. Inácio José do Vale

Psicanalista Clínico, PhD

Professor e Conferencista

Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea/RJ. E da Ordem Nacional dos Psicanalistas/RJ.




Fontes:


https://lamenteesmaravillosa.com/3-senales-que-la-violencia-psicologica-deja-en-el-cuerpo/



quinta-feira, 17 de maio de 2018

RAZÕES PARA O ROSÁRIO DIÁRO



Redação (Quarta-feira, 16-05-2018, Gaudium Press) A Irmã Lúcia, uma das videntes de Fátima escreveu, no ano de 2002, um livro intitulado "Chamadas da Mensagem de Fátima". Na obra, a serva de Deus recorda o pedido feito por Nossa Senhora no dia 13 de maio de 1917: "rezem o Rosário todos os dias para obter a paz para o mundo e o final da guerra".


A 'National Catholic Register' fez uma seleção das razões apresentadas pela Irmã Lúcia para nunca se deixar de rezar o Rosário diariamente.

Uma das primeiras razões dadas pela religiosa é a de que Deus é um Pai que "se adapta às necessidades e possibilidades dos seus filhos". E explica: "se Deus, por meio de Nossa Senhora, nos tivesse pedido para irmos todos os dias participar e comungar na Santa Missa, certamente haveria muitos a dizerem, com justo motivo, que não lhes era possível". Entretanto, "rezar o Terço é acessível a todos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, grandes e pequenos", em qualquer momento e lugar.

Outra razão é a de que esta oração "nos leva ao encontro familiar com Deus, como o filho que vai ter com o seu pai para lhe agradecer os benefícios recebidos, tratar com ele os seus assuntos particulares, receber a sua orientação, a sua ajuda, o seu apoio e a sua bênção".

A Serva de Deus também afirmou que, depois da Santa Missa, o Terço "é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se não fosse assim, Nossa Senhora não teria recomendado isso com tanta insistência", ressalta.

Embora existam muitas orações excelentes para se preparar para receber Jesus na Eucaristia e preservar a nossa relação íntima com Deus, a Irmã Lúcia não acredita que haja "uma oração mais apropriada para as pessoas em geral do que a oração dos cinco ou quinze Mistérios do Rosário".

Outro benefício que a vidente de Fátima reforça é a de que "o Terço é um meio poderoso para nos ajudar a conservar a Fé, a Esperança e a Caridade".

Concluindo, a Serva de Deus assegura que o Terço impede os fiéis de caírem no materialismo. "Aqueles que abandonam a oração do Terço e não tomam diariamente parte no Santo Sacrifício da Missa, nada têm que os sustente, acabando por se perderem no materialismo da vida terrena". (EPC)


Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

O PAPA: NÃO DIALOGAR COM O DIABO



Cidade do Vaticano (Terça-feira, 08-05-2018, Gaudium Press) A homilia da Missa celebrada nessa manhã (08/05) pelo Papa Francisco na Casa Santa Marta trouxe uma advertência importante: Não devemos nos aproximar do diabo nem dialogar com ele: é "um derrotado", sublinhou Francisco. Ele é um derrotado, sem dúvida, porém é perigoso porque é sedutor. Ele é como um cão raivoso preso na coleira, morde se é acariciado.

Foi esta a advertência feita pelo Papa, que se baseou na figura do diabo que não morreu, mas "já foi condenado", como diz o Evangelho proposto pela liturgia do dia: João 16,5-11.

O demônio é um "derrotado", diz o Papa, porém, não é fácil nos convencer, porque "o diabo é um sedutor", "sabe quais palavras usar", e "nós gostamos de ser seduzidos", detalhou Francisco:

E ele tem esta capacidade; esta capacidade de seduzir. Por isso é muito difícil entender que é um derrotado, porque ele se apresenta com grande poder, promete tantas coisas, traz presentes - bonitos, bem embrulhados- "Oh, que lindo!" - mas você não sabe o que tem dentro - "Mas o papel fora é bonito". Ele nos seduz com o embrulho sem nos mostrar o que tem dentro. Sabe apresentar as suas propostas para a nossa vaidade, a nossa curiosidade.

Tolos: acreditamos nas mentiras do demônio

"É perigosíssimo" aproximar-se do demônio "moribundo": ele apresenta-se com todo o seu poder, "as suas propostas são mentiras" e "nós, tolos, acreditamos".

O diabo "é um grande mentiroso, o pai da mentira". "Sabe falar bem", "é capaz de cantar para enganar": "é um derrotado, mas se move como um vencedor". A "luz" do diabo é radiante, "como fogos de artifício", dura pouco, desaparece. A luz de Deus, pelo contrário é "tênue, mas permanente".

Sedutor: acreditamos em seus engodos

O diabo "nos seduz, ele sabe tocar a nossa vaidade, a curiosidade e nós compramos tudo", isto é, "caímos na tentação". Portanto, é "um derrotado perigoso", repetiu Francisco.

"Devemos estar atentos ao diabo", exorta o Papa, que ainda nos convida a imitar Jesus: vigiar, rezar e jejuar.
Assim é que se vence a tentação, sublinhou o Papa para, reiterar depois que é fundamental "não se aproximar dele" porque, como dizia um Pai da Igreja, ele é como um cão "bravo", "raivoso", preso na corrente, que não se deve acariciar. Ele morde:

Se eu sei que espiritualmente me aproximando daquele pensamento, daquele desejo, se vou daquele lado ou de outro, estou me aproximando do cão nervoso e encoleirado. Por favor, não faça. "Tenho uma grande ferida..." - "Quem fez isso?" - "O cão" - "Mas ele estava preso?" - "Eh, sim, aproximei-me para lhe fazer um carinho" - "Então você procurou". É assim: jamais se aproximar, porque está preso. Deixe-o preso ali.

Recurso eficiente: recorrer à Mãe

A exortação do Pontífice foi muito clara e objetiva:

"Com o diabo não se dialoga, porque ele nos vence, é mais inteligente do que nós". Ele se fantasia de anjo da luz, mas é "um anjo de sombra, um anjo de morte":
É um condenado, é um derrotado, é um encoleirado que está para morrer, mas é capaz de fazer estragos. E nós devemos rezar, fazer penitência, não nos aproximar, não dialogar com ele. E no final, procurar a mãe, como as crianças. Quando as crianças têm medo, procuram a mãe:

"Mãe, mãe... estou com medo!", quando sonham... procuram a mãe.
Procurar Nossa Senhora; ela nos protege.

E os Pais da Igreja, sobretudo os místicos russos, dizem: nos tempos de turbamentos espirituais, refugiar-se sob o manto da grande Mãe de Deus. Procurar a Mãe. Que Ela nos ajude nesta luta contra o derrotado, contra o cão encoleirado para vencê-lo. (JSG)

(Da Redação Gaudium Press, com informações Vatican News)


Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O PRIMEIRO NATAL



No nascimento de Jesus alguns pastores estavam próximos a Belém vigiando suas ovelhas. Tomavam um chá de ervas ao lado do fogo. De repente apareceu um anjo muito bonito, que lhes anunciou, com voz forte e clara, que lhes havia nascido, em Belém, o Salvador, o Cristo Senhor (ou seja, o Messias esperado). O sinal que o anjo lhes deu confundiu um pouco suas cabeças, pois todos esperavam um Messias rico, poderoso, que os livrasse das mãos dos romanos, que dominavam tudo. 

“Vocês vão encontrar um menino envolvido em faixas e colocado numa manjedoura”. Como um messias poderia nascer desse jeito? Se fosse alguém aqui da terra que lhes falasse, não acreditariam. Mas acreditaram, pois fora um anjo do céus quem lhes dissera.

Seguiu-se às palavras do anjo a aparição de um coral magnífico de anjos, que cantaram de modo celestial: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados!”. 

O acontecimento foi tão espetacular que eles resolveram ir naquela hora mesmo. Deixaram um rapaz vigiando as ovelhas e partiram, a umas duas horas de caminhada, até chegarem a Belém. Perguntaram onde havia nascido algum bebê, e deram-lhes os endereços de três deles. 

O primeiro estava numa casa bonita, bem construída, de pessoas abastadas, a “nata” de Belém. Nem quiseram atendê-los, pois cheiravam forte a ovelhas. Ninguém gostava do cheiro dos pastores e também do tipo de trabalho que faziam, pois às vezes suas ovelhas invadiam plantações alheias. Eram muito marginalizados. Acharam que seria numa casa chique, pois a profecia dizia que seria um descendente de Davi, e essa era a sua cidade. Muitos haviam chegado de longe para o recenseamento promovido por César Augusto e todos os descendentes desse antigo rei tinham que se registrar ali. O Messias deveria ser um rei. 

O segundo bebê morava na casa de um cobrador de impostos, publicano. Também não os recebeu, pois achava que eram fiscais disfarçados de pastores. Era também uma casa bonita, forte e destacada das demais. O anjo, porém, falara claramente: o sinal seria um bebê envolvido em faixas e colocado numa manjedoura, que todos sabiam ser o nome do cocho em que os animais comem. 

Procuraram, então, um lugar mais pobre, e tiveram uma surpresa: a porta estava aberta. Entraram e o dono da casa os conduziu aos fundos, onde ficava a manjedoura dos animais, que era uma sala ligada à casa: os animais tinham sido colocados numa cobertura no quintal e ali havia apenas um cocho de palhas, e nele um menino recém-nascido, envolto em faixas, tal e qual o anjo lhes dissera. 

Que estranho! Um messias, um salvador nascido numa pobreza daquelas! Mas fora a única casa que os acolhera, e cumprimentaram os pais do menino: Maria, que estava sentada ao lado do cocho, cuidando de seu filho, e José, que parou por uns momentos de fazer um bercinho com madeira velha que lhe conseguiram. 

Alguns comentam a “falta de acolhida” que José e Maria tiveram. Não foi bem assim! Não havia, de fato, nenhum lugar decente para ninguém naqueles dias do recenseamento. Era muita gente, e o lugar era muito pequeno. Belém era um pequeno lugarejo rural. Seus moradores trabalhavam na pequena agricultura.

Os moradores queriam atender bem a todos, mas isso era praticamente impossível naqueles dias do recenseamento. O melhor que puderam arranjar foi o estábulo, onde ficavam os animais, praticamente dentro da casa. Belém, como Nazaré, eram lugares pequenos, cuja economia era a agricultura. 

O Frei Carlos Mesters diz que José talvez fosse um dos migrantes que foram de Belém a Nazaré justamente para tentar uma vida melhor, por falta de recursos em Belém. Essa era a situação que tiveram de enfrentar naqueles dias. Não coloquemos, pois, maldade onde não existia. O povo judeu primava pela hospitalidade. Hospedar os viajantes era algo muito importante e imprescindível para eles.

Os pastores olharam para aquele menino deitado na manjedoura e se enterneceram. Dele saía uma força invisível, como se fosse uma luz que não se via, mas se sentia, que “iluminava” todo o ambiente. Eles não viam essa luz, mas a sentiam dentro deles e isso lhes dava mais confiança de que aquele menino era, de fato, alguém diferente, era de fato o Messias enviado por Deus para salvar o povo. Não entendiam, mas acreditavam. Quantas vezes temos que fazer isso na vida! Crer sem entender..

Estavam nessa contemplação, quando anunciaram a chegada de três pessoas importantes, os famosos reis magos. Os pastores deixaram ali seus presentes, que eram alguns queijos de leite de ovelhas, e se colocaram num canto da sala, aguardando a entrada dos ilustres visitantes.

Eles entraram, com muita simplicidade, mas se via uma nobreza em seu porte, em seu caminhar. Trocaram algumas palavras com José, adoraram o menino, e deram aos pais três presentes: incenso (simbolizando a divindade de Jesus), ouro (representando sua realeza) e mirra (representando sua fragilidade, sua humanidade).

Sua mãe, Maria, sempre calada, como era usual nas mulheres do povo judeu, olhava tudo isso com olhar de reflexão. Sentia-se a estranheza de sua face ao deparar com todos esses acontecimentos.


Anos mais tarde os pastores entenderam melhor como o que acontecia ali era algo inusitado! Santo os pastores, como os magos, que eram pagãos, estrangeiros, eram pessoas marginalizadas pela sociedade judaica: não eram circuncidados, não pertenciam ao povo de Deus, do Deus verdadeiro. 

Entretanto, eles, que não eram nada, estavam ao lado do criador do universo, do senhor de todas as coisas, da luz do mundo, da misericórdia feito gente, da única verdade e vida jamais conhecida. Pena que naqueles dias,não entenderam isso: só sentiram a força docemente avassaladora que expandia os seus corações. 

Nunca se esqueceriam da paz tão completa que sentiram em seus corpos e em suas almas, naqueles momentos em que permaneceram no presépio. O cheiro forte que os animais deixaram havia sido coberto e anulado por uma fragrância perfumada que inundava o local. Parecia que um perfume saíra de onde o menino estava deitado e entrara em composição química com o cheiro próprio da cocheira. 

Olharam para o rosto do menino e não acreditavam na poesia que dali brotava. Não se sentiam sozinhos! Não se sentiam necessitados de nada! Ficariam ali, se pudessem, por hora e dias inteiros, naquela contemplação: um Deus feito homem, feito nenê,dormindo na palha de um cocho.


Nossa vida deve ser um presépio, onde Jesus sempre deve estar, onde não precisamos de nada, de nenhuma falsa necessidade. Dizia isso a Irmãzinha Madalena de Jesus : “Quando vocês (dirigindo-se às Irmãzinhas de Jesus) estiverem carentes e necessitadas de tudo, olhem para o presépio e tudo voltará ao normal!”.

A EPÍSTOLA DE BARNABÉ




Na dita Epístola de Barnabé (2ª leit. 4ª f. 18ª sem. com.) vemos um resumo de como deve ser a vida do cristão católico:

- Amarás quem te criou;

- Terás veneração por quem te formou;

- Darás glória a Jesus, que te remiu da morte;

- Serás simples de coração e rico no espírito;

- Não te juntarás aos que andam pelo caminho da morte;

- Terás aversão por tudo quanto desagrada a Deus;

- Odiarás toda simulação;

- Não desprezes os mandamentos do Senhor;

- Não te exaltes a ti mesmo. Sê humilde em tudo!

- Não procures a tua glória;

- Não faças mau projeto contra o próximo;

- Não te entregues à arrogância;

- Ama teu próximo mais do que a tua vida;

- Não mates o feto por aborto nem depois do nascimento;

- Tem em mãos teu filho ou tua filha e desde criança ensina- lhes o temor do Senhor.

- Não cobices os bens do teu próximo, nem sejas avaro.

- Não te unas de coração aos soberbos, mas sê amigo dos - humildes e justos;

- Tanto quanto te acontece, recebe-os como um bem, - sabendo que nada se faz sem Deus;

- Não sejas inconstante e sem palavra;

- É laço de morte a língua dúplice;

- Partilharás tudo com o teu próximo e não dirás ser propriedade tua o que quer que seja.

- Se sois coerdeiros das realidades incorruptíveis, quando mais sois coerdeiros daquilo que se corrompe!

- Não sejas arrebatado de língua;

- A boca é cilada mortífera.

- Tanto quanto puderes, por tua alma sê casto;

- Não tenhas a mão estendida para recebe e encolhida para dar!

- Ama como à pupila dos olhos todo aquele que fala a Palavra do Senhor, guarda na memória, dia e noite, o dia do juízo e procura diariamente a presença dos santos, estimulando pela palavra, exortando e meditando como salvar a alma por tua palavra ou trabalhar com tuas mãos para a remissão dos pecados;

- Não hesites em dar, nem dês murmurando, pois bem sabes quem é o remunerador da dádiva;

- Guarda o que recebeste, sem tirar nem pôr;

- Seja-te perpetuamente odioso o maligno;

- Julgarás com justiça;

- Não fomentes dissídios, mas esforça-te por restituir a paz, reconciliando os contendentes;

- Confessarás teus pecados. Não vás às orações com a consciência carregada. TAL É O CAMINHO DA LUZ!

O Livro do Eclesiástico 2,1-6, lembra que seremos provados no decorrer de nossa vida, mas devemos, com muita paciência, não nos separar de Deus, não ter pressa nos momentos das adversidades, e aceitar tudo o que nos acontecer, pois sabemos que Deus é misericordioso, é nosso Pai e nossa Mãe, e não vai nos deixar para trás. Termina no versículo 11: "Deus é compassivo, misericordioso, perdoa os teus pecados e te salva na tribulação".


A ENCARNAÇÃO DE JESUS



Certo dia Jesus ia terminar o madeirame de uma casa e precisava de ajuda, pois o trabalho não podia ser feito só por uma pessoa. José terminava uma porta para a mesma casa. Jesus, já com seus 20 anos de idade, pediu, então, ajuda a um seu amigo, que sempre o acompanhava aonde quer que fosse. O trabalho levou quase o dia todo.

À tardinha, terminado o trabalho, eles convidaram o amigo para jantar com eles e ele aceitou. Após o jantar, Jesus e seu amigo saíram e foram contemplar o pôr do sol, não muito longe da casa. Ele já havia rezado bastante de madrugada e nas horas do dia previstas para isso, e iria rezar mais antes do repouso noturno.

O amigo, que admirava muito Jesus e se encantava com tantas coisas que aconteciam com ele e por causa dele, mesmo ainda sem os milagres, não resistiu a curiosidade e lhe perguntou:

“Jesus, eu tenho convivido com você há muito tempo e posso dizer com certeza: você não é deste mundo! Quem é afinal você?” Jesus olhou para o horizonte, sol se pondo, sorriu e, sem desviar os olhos, respondeu. Nunca vamos saber o que ele podia ter respondido. Mas sabemos que a história bíblica dá duas versões para o assunto. As duas reconhecem em Jesus a filiação divina e, consequentemente, que ele é Deus (100%) e homem (100%) verdadeiro. Que ele não é filho carnal de José, mas que foi concebido por obra do Espírito Santo. Que antes de nascer aqui, ele existia como Palavra de Deus, ou Verbo de Deus (confira João capítulo 1 todo). Que, como sua carne é apenas proveniente de Maria, era parecidíssimo com ela, a mesma feição.

Alguns vão dizer que Maria, antes de morar com José, percebeu simplesmente que estava grávida. Como não tivera contato com homem algum, aquilo só podia ser obra do Espírito Santo. Ela regozijou-se, pois já havia se oferecido a Deus até então, e Ele podia fazer com ela o que bem entendesse (confira Mateus 1,18).

Outros vão dizer que lhe apareceu um anjo anunciando-lhe que Deus a escolhera para ser mãe de Deus, do Messias, e pedindo-lhe permissão, e ela dissera “Sim!” (confira Lucas 1,26-38).

Qual seria a versão correta?

Acho que nunca iremos saber. Talvez até Jesus não soubesse, pois pode ser que Maria nunca lhe havia dito isso, o como isso se deu. Jesus, ao tornar-se homem, limitou-se aos conhecimentos humanos, como todos os demais. Aprendia tudo, como diz Lucas 2, 52: “E Jesus crescia em sabedoria, estatura, e em graça diante de Deus e dos homens”.

Isso é bem lógico se levarmos em conta o crescimento normal das pessoas. Muitos tipos de conhecimento só se tornam possível com certa idade, com a maturidade das células do organismo e com o crescimento total do corpo, na fase adulta. Não “cabia” no cérebro de Jesus muita coisa que ele veio a conhecer mais tarde, como em nós mesmos, por mais inteligente e perfeito ele fosse!

A encarnação de Jesus foi autêntica e total! Não foi de brincadeira, ou fajuta. Basta ler Filipenses 2, 7:”Jesus esvaziou-se de si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”.

Tenho certeza de que o rapaz que ajudou Jesus voltou para casa ao mesmo tempo maravilhado e curioso. Maravilhado por ter ouvido muitas coisas bonitas que ele lhe teria dito. Curioso para tentar entender tudo isso. A própria Maria não entendia o que estava realmente acontecendo. Pode conferir Lucas 2, 19: “Maria guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração” Assim também no versículo 51, quando Jesus lhe falou que devia cuidar das coisas de seu Pai.

Muitas vezes nos preocupamos muito com as explicações das coisas que aconteceram na história bíblica. A fé é suficiente para aderirmos ao que foi revelado e não é saudável para a nossa vida espiritual ficarmos especulando todas as coisas. Crer simplesmente! Será que não poderíamos fazer isso?

Maria e José não entendiam muito o que lhes estava acontecendo, mas confiavam no poder magnífico de Deus no meio deles. Ficar curiosamente indagando sobre todas as coisas é falta de fé!

Por outro lado, temos um tipo de necessidade de fazermos as coisas parecerem mais solenes, mais cheias de aparições e revelações estonteantes. Não é assim que acontecia com o pessoal da bíblia. As pessoas que receberam revelações, muitas delas não viram ninguém, não falaram com ninguém: apenas sentiram a inspiração divina que as orientava para aquele determinado sentido. Viviam pela fé, como diz Hebreus a respeito de Abraão: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia”.

Ora, se Deus lhe tivesse aparecido, teria lhe explicado tudo. Foi pela fé, pela inspiração divina, como aliás acontece com qualquer um de nós, que ele agiu. E agora pode ser nosso juiz, quando não obedecemos a Deus com desculpas de que ele não nos apareceu pessoalmente.

Creiam nisto! Mesmo José e Maria, mesmo os maiores profetas, agiram e viveram pela fé, fé pura e simples. Muitos deles não viram e não ouviram nada a mais do que vemos e ouvimos. Agiram pela fé. Como acontece (ou deveria acontecer) conosco.

O CEGO JOGOU FORA O MANTO




Mc 10,45-52/ (30/10/2012)

É o evangelho do 30º domingo do tempo comum B. Bartimeu percebeu que Jesus passava e, cego que era, gritou “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”. Entretanto, aqueles que sempre rodeiam o “chefe” para poderem controlar tudo, o impediram. Em nossa vida do dia a dia é comum esse tipo de coisa: há pessoas que controlam ou tentam controlar o “poder” em suas mãos e dificultam o contato nosso com a pessoa desejada. Tal era o caso de Bartimeu, que, corajoso, continuou a gritar mais forte ainda e conseguiu ser atendido. Nunca devemos desanimar de nossas lutas em busca de Deus e da verdadeira felicidade, que obteremos com nossa humildade, constância e fé.

Os doutores da lei manipulavam o acesso a Deus, e a Igreja Católica fez, também, esse tipo de coisa durante muito tempo. Só agora descobrimos que “o Espírito sopra onde quer” e que Deus não é uma “mercadoria” que guardamos em nosso cofre para controlarmos sua posse.

Você já reparou que somos obrigados a chamar este de “vossa excelência”, aquele de “vossa alteza”, o cardeal de “vossa eminência”, o juiz de “meritíssimo”, o reitor de “vossa magnificência”, o papa de Vossa Santidade, o patriarca da Igreja Ortodoxa de “vossa beatitude”?

E agora eu pergunto: como chamamos Deus, nosso Criador, criador de tudo o que existe, principalmente na pessoa de Jesus Cristo, nosso redentor? Nós o chamamos simplesmente de Senhor ou mesmo de Você, Vós, Tu..., sem nenhum título honorífico, e ele nos deu certeza de atender-nos, conforme nossa fé, nossa sinceridade e nossa necessidade.

Gritando ainda mais forte, o cego foi ouvido por Jesus e, dando um pulo, “jogou fora o seu manto”. Ele se desvencilhou da única coisa que possuía para alcançar Cristo e segui-lo! Será que nós temos essa coragem? O que simboliza, em nossa vida, esse manto do Bartimeu? Casa? Família? Carro? Outros bens? O trabalho? Nossas ideias?

Jesus diz, em vários lugares, que precisamos renunciar a tudo para segui-lo, pois só então teremos sua graça e sua mão para puxar-nos. O cego teve fé, pois jogou fora o manto, sabendo que ia ser curado e que não precisaria mais dele.

Temos apego a nossas coisas e queremos, muitas vezes, seguir Jesus sem deixar nada de nós mesmos. O pior é quando nosso apego não é referente a coisas, mas a nós próprios e aos nossos pecados. Aí é que a “vaca vai pro brejo”, ou melhor, que nós vamos para o brejo.

Jesus curou o cego talvez porque ele tenha tido coragem de ficar sem seu manto e ir até ele, embora não enxergasse o caminho. Não consta que ele tenha voltado para pegar o manto. Só diz que “seguiu Jesus pelo caminho”.

Cena contrária a essa é a de Jesus em João, no lava-pés: não diz lá que ele tenha tirado a toalha que cingira na cintura, após ter lavado os pés dos discípulos: Jesus continua lavando os pés dos que o buscam!

Amigos, esse texto me apaixona porque explica os outros textos em que Jesus fala da renúncia como condição para segui-lo. Vamos abrir o nosso “baú” e procurar tirar dele as coisas velhas, já passadas e perdoadas. Vamos procurar nos despir do homem velho, jogar fora nosso manto e revestir-nos do homem novo, revestir-nos de Cristo, para “segui-lo no caminho”. Vale a pena! A vida eterna nos espera! Que Jesus cure a nossa cegueira. Amém!